Histórias de brincar

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Histórias de brincar

Esta é a sexta de uma série de 12 oficinas baseadas nos Encontros de Estudos em Arte-educação e Experiências Híbridas na Formação de Educadores da Infância. Publicada originalmente no site Território de Formação em Arte (Impaes — Instituto Minidi Pedroso de Arte e Educação Social)
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O que é?

Prática de consciência corporal, narração de histórias e produção de desenho

Materiais
  • Computador, notebook, tablet ou celular com acesso à internet;
  • tapetinhos;
  • livros (físicos ou PDF) de contos maravilhosos, histórias de tradição oral;
  • folhas de sulfite;
  • lápis de cor
Finalidade

Compartilhamento de experiências e expressão artística

Expectativa

Promover a expressão e o cruzamento de linguagens tendo como eixos a corporalidade, a cultura do brincar e o faz-de-conta

Público

Crianças da educação infantil

Espaço

Sala de aula, sala de atividades, espaço aberto ou ambiente remoto

Duração

1 encontro de 1h30


Início de conversa

Na educação infantil, a criança tem o direito de brincar em diferentes espaços e tempos para ampliar e diversificar sua criatividade e suas experiências sensoriais, corporais, sociais e cognitivas. Nesta oficina, a narração de histórias cria o clima para a brincadeira.

Base Nacional Comum Curricular (BNCC)
habilidades EI03TS02 e EI02EF06

    Observe que espaços as crianças ocupam e como desenvolvem suas brincadeiras.
    • Que brinquedos e materiais utilizam?
    • Como esses espaços ficam após a presença das crianças?
    Esse é momento de reflexão para que os espaços sejam cada vez mais acessíveis às crianças em seu processo de brincar.

Acolhimento

Inicie a oficina com um mapeamento das características do grupo. Peça a cada criança que expresse seu estado ao chegar à aula ou ao encontro em uma palavra. Pergunte:

Como você está chegando ao encontro/à aula hoje?

Escolha um lugar seguro para as crianças ficarem descalças ou disponibilize tapetinhos. Oriente-as a formar um círculo. Junto com elas, movimente suavemente as articulações em rotação dos dedos dos pés, tornozelos, joelhos, quadril, ombros, cotovelos, pulsos, pescoço e mandíbula. (Veja as propostas no vídeo a seguir.) Ao final, faça respirações e inspirações suaves.

Pergunte:

Como você está se sentindo agora?

Deixe que as crianças se expressem livremente.

Ambiente remoto
Peça que crianças façam a atividade corporal sobre um tapetinho em casa. Explique antes os movimentos que serão feitos. À medida que você orientar as rotações, aguarde alguns minutos para que cada criança faça o movimento. Ao final, faça respirações e inspirações suaves. 


Com que história eu vou?

Escolha um conto de tradição oral para narrar ou ler. Nossa sugestão pra esta oficina é o conto O flautista de Hamelin. Mas, como já sabia Sherazade, no mundo maravilhoso das narrativas há mil e uma histórias e possibilidades. Veja indicações no Blog das Letrinhas.

Assim como há inúmeras histórias, também existem vários jeitos de narrar. Explorar diferentes vozes para as personagens, usar expressões faciais e gestos, cantar cantigas ou criar efeitos sonoros em alguns momentos, interagir com as crianças por meio de perguntas e brincadeiras relacionadas ao enredo são alguns recursos possíveis. Você pode explorar brinquedos e outros objetos que enriqueçam a narração. Veja dicas do blog Leiturinhas.

Caso escolha ler o conto selecionado, é importante:

  • fazer uma leitura tranquila, com emoção e ritmo que acompanhe cada momento da história;
  • ir apresentando às crianças as imagens do livro, desde a capa, o sumário, até as imagens internas conforme a narrativa avança;
  • explorar as características das personagens.

Ambiente remoto
No caso de leitura, mostre o livro para as crianças. Se possível, compartilhe na tela imagens que remetam à história. Onde ela se passa: na floresta? Numa cidade? Num castelo?
Você também pode usar uma música de fundo.

Ao final da narração, peça às crianças que recontem a história, com suas próprias palavras. Depois pergunte:

De qual o personagem de que você mais gostou?


E eu com isso? Desenhando a história

Na história de O flautista de Hamelin, o flautista toca e leva os ratos que infestavam a cidade até o porto, onde se afogaram. A proliferação dos ratos foi gerada pelo acúmulo de lixo. Muitos objetos que usamos no cotidiano podem ser utilizados para outros fins. Você pode perguntar às crianças com quais objetos cotidianos elas costumam brincar: caixas de papelão, embalagens plásticas, entre outros.

Caso tenha escolhido outro conto, procure fazer perguntas que estimulem as crianças a relacionar a história com o cotidiano de brincadeiras delas.

Ambiente remoto
As crianças podem apresentar objetos que tenham à mão e que se encaixem na categoria de objetos do cotidiano. Elas podem compartilhar a brincadeira em que usam o objeto. 

O vídeo A casa, o corpo e eu (2013), da Escola Casa Redonda, apresenta situações em que as crianças compartilham brincadeiras e o espaço de brincar. Assista:

Solicite às crianças que façam um desenho sobre a história que ouviram. Elas podem escolher uma cena, um personagem etc. Ao final, promova uma exposição das produções no mural da sala.

Ambiente remoto
Peça que cada criança apresente seu desenho por vez para toda a turma. Você pode pedir ajuda das famílias para que fotografem e enviem as imagens para você organizar uma exposição virtual.

    Para reflexão
      “O espaço primeiro é a natureza. A natureza viva e sua riqueza de formas que permite às crianças um amplo espectro de experiências, de movimentações corporais, de sensações e percepções. Bichos, plantas, cores, cheiros, sensações táteis, pedrinhas e etc. Um espaço que permita a elas liberdade de movimento. Então, gente pode pensar em dois espaços: um espaço externo, onde a natureza se faz presente, e que é um recurso insubstituível nessa faixa de idade; e o espaço interno, onde estão disponibilizados materiais e objetos que foram reconhecidos ao longo desses anos, a partir das solicitações das crianças: determinados materiais para que elas pudessem realizar as suas expressões. Brinquedos, instrumentos de verdade, madeiras, muitos caixotes, fantasias, tecidos, um espelho baixinho, almofadas, um espaço aconchegante e materiais para a expressão artísticas. Um espaço bem estruturado ajuda muito. E tem que ser belo.”
      PIRES, Carolina. O essencial no ser e a poesia dos sentidos e dos significados: reflexões sobre arte e educação em contextos destinados à primeira infância. 2012. Dissertação (Mestrado) – ECA, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2012.


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