Encontro discute educação, bullying e violência

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Encontro discute educação, bullying e violência

Canal Futura faz roda de conversa com parceiros institucionais no CENPEC Educação para discutir projeto no Sesi
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Aconteceu nesta terça-feira (11), no auditório do CENPEC Educação, uma roda de conversa liderada por Vanessa Pipinis, do Canal Futura, sobre bullying e violência nos espaços escolares.

O evento, que contou com a presença de 12 representantes de organizações que são parceiras institucionais da emissora, compõe uma série de ações do Futura voltadas a discutir o impacto do bullying e da violência na educação como parte de um projeto sobre esse tema que será desenhado para a rede de 154 escolas do Serviço Social da Indústria (Sesi), em São Paulo.

“O Canal Futura tem o costume de ouvir os parceiros antes de propor um projeto. É uma forma de aprofundar a discussão pela troca de experiências, o que geralmente permite refinar ações ou mesmo pensar estratégias que não havíamos considerado”, explica Pipinis.

Bullying e desigualdade na educação

A roda de conversa ocorreu das 15h às 17h e foi pautada em três pontos: um breve relato de trabalhos realizados por cada instituição; temas emergentes que envolvem a discussão sobre bullying; e como abordá-los.

Entre os assuntos debatidos, destacaram-se a intensa relação entre o fenômeno do bullying e outras violências que permeiam e cercam a escola; a necessidade de combate às desigualdades; e suicídio, vitimização e automutilação entre estudantes.

Você sabia?

Segundo Pigozi e Machado (2015), o bullying é uma subcategoria de violência, que se define por atos agressivos repetitivos e relações de poder assimétricas entre pares.

Isso significa que, para a agressão ser caracterizada como bullying, deve acontecer com determinada frequência e entre pessoas que estão em posições semelhantes em um mesmo ambiente (por exemplo: alunos com alunos, professores com professores, profissionais com profissionais etc.).

Entre essas pessoas, porém, há uma relação assimétrica, na qual um lado (o bully) detém mais poder e faz uso dele para perseguir sistematicamente o outro (a vítima). É também comum que, sendo as relações de poder dinâmicas, a vítima em uma situação ou contexto seja bully em outro, papel este definido como vítima/bully na literatura.

Para Marcia Padilha Lotito, do Programa Criamundi, “a escola é o equipamento mais capilarizado do Estado” – o que, por sua vez, destaca a necessidade de lutar por uma escola mais integradora, investir na gestão e na formação de professores para lidar com o bullying e outras formas de violência e propor iniciativas que trabalhem tanto os aspectos sociais quanto afetivo-emocionais entre alunos e docentes, concordaram os presentes.

O reconhecimento de que a violência e o bullying têm raízes múltiplas também indica a necessidade de estabelecer parcerias e de abordar o cidadão em todas as suas dimensões, o que se traduz na intersetorialidade.

No entanto, para Nazira Arbache, assessora de relações institucionais do CENPEC Educação, a intersetorialidade é, ainda hoje, mais uma proposta que um modelo efetivo de política pública.

“O dia a dia de nosso trabalho é sempre na ponta da pobreza e da desigualdade (…). Na educação, o ator principal é a escola, que, ao mesmo tempo, pode agregar, mas também reproduzir as desigualdades. Sozinha, ela não dá conta de tudo”, disse Arbache.

É preciso buscar outros atores, como as organizações sociais, que são especialistas na acolhida. É preciso que as diferentes áreas de atuação conversem entre si. No entanto, a intersetorialidade, na maior parte das vezes, ainda existe mais como uma intenção: não são muitos os exemplos de políticas realmente intersetoriais no Brasil (…). A realidade é dura, mas também é preciso que não nos paralisemos.”

Nazira Arbache

Gestão democrática e diálogo com o território

Agda Sardenberg, da Associação Cidade Escola Aprendiz, alertou sobre a teoria da carência cultural, que tem retornado à discussão no campo da educação, diante do contexto atual de retração das políticas públicas.

Segundo essa teoria, alunos provenientes de classes menos abastadas “aprenderiam menos” por terem menos exposição à cultura, o que explicaria o “fracasso escolar”.

Aspectos psicológicos, emocionais e sociais estiveram em destaque na roda de conversa desta terça-feira (11/06/2019).
Aspectos psicológicos, emocionais e sociais estiveram em destaque na roda de conversa desta terça-feira (11/06).
Foto: Helder Lima.

A teoria expandiu-se durante a década de 1970 no Brasil, mas foi duramente criticada por ser determinista, ao pressupor que a origem social do aluno e seu acesso supostamente menor a informações culturais definiriam seu futuro.

Além disso, a teoria desconsiderava o contexto mais amplo de desigualdades socioeconômicas que permeiam a escola, o fato de que nem todos os saberes são levados em conta e a necessidade de trazer, para a educação, a realidade dos diferentes territórios.

Dessa maneira, o encontro concluiu que estabelecer diálogos com outros atores e equipamentos do território, trazer a voz da comunidade para dentro da escola por meio de seus saberes e pela gestão democrática, além de investir em oficinas para alunos e professores sobre subjetividades, afetividades, criatividade, gênero e senso de pertinência são algumas das estratégias para combater a violência e o bullying na escola.

Outros pontos importantes abordados foram a necessidade de promover uma formação para a cidadania, de melhorar os serviços públicos e de rediscutir a laicidade, em um contexto de crescimento e recrudescimento da intolerância religiosa.

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