CENPEC Educação e Itaú Social realizam encontro e formação na PB

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CENPEC Educação e Itaú Social realizam encontro e formação na PB

Nos dias 18 e 19/02, foi apresentado o programa Apoio Pedagógico Complementar e realizada formação presencial do módulo de planejamento. Confira
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Na terça e quarta-feira da última semana, dias 18 e 19 de fevereiro, o CENPEC Educação e o Itaú Social realizaram, em Itabaiana (PB), um encontro com municípios do Consórcio Intermunicipal de Gestão Pública Integrada nos Municípios do Baixo Paraíba (Cogiva).

Em dois dias, houve apresentação e oferta do programa Apoio Pedagógico Complementar e formação a técnicos de secretarias de Educação dos municípios.


Em favor da aprendizagem

Mais de 120 pessoas entre gestores, professores, técnicos e outros membros de secretarias de Educação de municípios do Cogiva compareceram ao seminário de abertura, ocorrido na manhã do dia 18. Estiveram representados os municípios de Juripiranga, Itabaiana, Salgado de São Félix, Mogeiro, São José dos Ramos, Gurinhém, Sobrado, Mari e Pilar.

Claudia Petri e Samara Fonteles Cunha, do Itaú Social, iniciaram as atividades e apresentaram aos presentes o programa Melhoria da Educação, que tem como foco “fortalecer secretarias municipais de Educação na sua capacidade de garantir acesso, permanência e aprendizado com equidade”, diz Petri.

No âmbito do Melhoria da Educação, o Apoio Pedagógico Complementar, desenvolvido em parceria pelo CENPEC Educação, Itaú Social e Cogiva, foi abordado em seguida.

Membros da equipe do encontro na Paraíba.
O encontro entre CENPEC Educação, Itaú Social e Cogiva ocorreu entre os dias 18 e 19 em Itabaiana (PB). Foto: Reprodução.

O programa tem a proposta de dar assessoria e formação a equipes técnicas de secretarias municipais de Educação, a fim de que ofereçam apoio pedagógico a alunos dos anos iniciais do ensino fundamental com foco em língua portuguesa e matemática.

A assessoria ocorre ao longo de 2020 e, para atender a esses objetivos, adota a estratégia de formação híbrida: parte presencial e parte por meio de educação a distância (EAD).

“Cada município desenvolverá seu próprio plano de ação, que contará, então, com a assessoria do programa. Por isso, nossa formação se inicia pelo módulo de planejamento”, explica Érica Maria Toledo Catalani, coordenadora de Projetos do CENPEC Educação.

Érica Maria Toledo Catalani

A proposta é capacitar os técnicos e as secretarias para que formulem seus próprios planos, dentro de uma concepção que leva em conta vários níveis de gestão: da sala de aula, da escola, das próprias secretarias de Educação e também a gestão intersetorial. Dessa forma, também estimulamos que a tecnologia seja replicada e propicie o surgimento de políticas públicas voltadas à questão da aprendizagem.”

Érica Catalani

Depois do planejamento, os outros módulos contemplarão conteúdos de língua portuguesa/alfabetização, matemática e avaliação. Além disso, haverá ações de mobilização em cada município a partir da segunda semana de março. O CENPEC Educação também acompanhará as equipes das secretarias em visitas técnicas.

Objetivos dos módulos de formação do Apoio Pedagógico Complementar.
Objetivos dos módulos de formação do Apoio Pedagógico Complementar. Clique para ampliar. Fonte: CENPEC Educação.

Plano de ação

Cerca de 120 pessoas estiveram presentes na apresentação do Apoio Pedagógico Complementar e na formação do módulo de planejamento.
Mais de 120 pessoas estiveram presentes na apresentação do Apoio Pedagógico Complementar. Cerca de 20 técnicos participaram da formação do módulo de planejamento. Clique para ampliar. Foto: Reprodução.

Na tarde do dia 18 e no dia 19, teve início a primeira formação presencial do módulo de planejamento, com a presença de cerca de 20 técnicos das secretarias de Educação.

O módulo foi mediado por Regina Estima. Graduada em graduação em Geografia e mestra em Educação pela Universidade de São Paulo (USP), Estima atua no CENPEC Educação desde 1997, coordenando projetos de gestão e currículo, além de ter extensa experiência como professora e diretora de escolas da rede pública.

A especialista também mediará a parte EAD do módulo e concedeu entrevista ao Portal CENPEC Educação sobre o conteúdo abordado na formação. Confira.

Portal CENPEC Educação: Quais principais pontos foram trazidos pela formação realizada nos dias 18 e 19 na Paraíba e quais serão abordados na EAD que vem na sequência?

Regina Estima: A formação apontou, entre outras coisas, dados secundários e primários, que compõem hoje parte do diagnóstico dos municípios que compõem o Cogiva. A formação presencial permitiu-nos, ainda, conhecer um grupo de educadoras e educadores determinados a enfrentar os desafios que foram colocados ao longo dos dois dias.

Portal CENPEC Educação: Quais as principais dúvidas e desafios que você detectou na interação com os municípios do Cogiva em relação à aprendizagem dos alunos?

Regina Estima: São muitas escolas rurais, com classes multisseriadas que exigem muita habilidade dos professores para estabelecer um trabalho pedagógico diversificado. Os participantes trouxeram também desafios relacionados ao monitoramento do programa, pelas distâncias que terão de rodar.

Técnicos no segundo dia de formação (19/02).
Técnicos no segundo dia de formação (19/02). Foto: Reprodução.

Portal CENPEC Educação: Qual a importância dos professores na implementação do Apoio Pedagógico Complementar?

Regina Estima: Os professores têm importância vital para a implementação do programa. Tanto é que grande parte do seu desenvolvimento dependerá basicamente da formação continuada dos professores titulares e dos professores do programa. Espera-se que os técnicos consigam cumprir os módulos de formação, conforme o previsto.

Portal CENPEC Educação: Quais os principais pontos que um município deve observar ao redigir seu plano de ação no Apoio Pedagógico Complementar?

Regina Estima: Entendo que são três os pontos básicos:

  • Analisar detalhadamente os problemas relacionados à aprendizagem em seu município e suas causas;
  • Estreitar parcerias de forma orgânica com as famílias, conselhos tutelares e Ministério Público, outras secretarias e outras instituições que têm como missão a garantia  constitucional dos direitos individuais e sociais; e
  • Promover a formação continuada dos professores e gestores para se garantir a efetividade da intervenção.

Regina Estima

Vimos muito olhos brilharem na nossa presença. Estabelecemos  com o grupo do Cogiva um pacto da esperança! Esperar com atitude proativa, como diria Paulo Freire.”

Regina Estima

Portal CENPEC Educação: Os desafios da aprendizagem não existem apenas na Paraíba, mas em todo o Brasil – distorção idade-série, evasão, performance deficitária em avaliações de larga escala etc. Que caminhos o Brasil poderia tomar para enfrentá-lo com mais eficácia e reduzir as desigualdades educacionais?

Regina Estima: Temos um Plano Nacional de Educação (PNE) em vigor, que já indica esse caminho pela complexidade da tarefa em um país de dimensões continentais e com desigualdades sociais e regionais imensas.

São 20 metas indicadas no PNE que esmiúçam esses desafios e que, pelas políticas adotadas nos últimos cinco anos, se veem quase estagnadas.

Além disso, para termos a universalização da educação básica dos quatro aos 17 anos de idade, com qualidade, falta investimento da União, no cumprimento do artigo 207 da Constituição Federal. Falta investimento na gestão dos sistemas públicos. O Fundeb é uma cesta de recursos que precisa ter aportes maiores do governo federal para praticar a equidade regional


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