APC: prevenção da evasão escolar e da distorção idade-série na Paraíba

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APC: prevenção da evasão escolar e da distorção idade-série na Paraíba

Municípios do Cogiva apontam resultados positivos com ações implementadas durante a pandemia. Formações, elaboração de planos de ação, incentivo à busca ativa foram essenciais para a continuidade e desenvolvimento do processo de aprendizagem dos estudantes.
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Por Breno Procópio

O Programa Melhoria da Educação: Apoio Pedagógico Complementar (APC) contribuiu significativamente para prevenir a distorção idade-série, sobretudo na conjuntura vigente (contexto pandêmico), de muitas dificuldades e incertezas”.

José Benício de Araújo Neto

A afirmativa é do diretor do Consórcio Intermunicipal de Gestão Pública Integrada nos Municípios do Baixo Paraíba (Cogiva) e prefeito de Pilar/PB, um dos municípios assistidos pelo APC por meio da parceria Cenpec e Itaú Social.

As tecnologias educacionais desenvolvidas pelo programa junto a técnicas(os) e gestoras(es) da educação nos municípios do Cogiva têm contribuído para prevenir a distorção idade-série, bem como para diminuir os índices de evasão escolar de estudantes dos anos iniciais do ensino fundamental – mesmo no contexto da educação a distância.

Foto: arquivo pessoal

Com o APC, conseguimos identificar as dificuldades de aprendizagem, em meio a um ano de imprevistos, pandemia e isolamento social. Dessa maneira, foi possível perceber as desigualdades educacionais na rede de ensino, e implementar ações a fim de garantir o direito à aprendizagem para todas(os) as(os) estudantes.” 

José Benício de Araújo Neto


Planejamento pedagógico no ensino à distância

A partir da proposta de tecnologias educacionais, o APC não apenas capacita técnicas(os) e gestoras(es) como, e sobretudo, estimula o diálogo, a interação, a gestão democrática e a partilha das experiências para a construção de planos pedagógicos viáveis, focados nas diversas realidades encontradas no Brasil e seus desafios.

No município de Mogeiro (PB), os encontros formativos do APC estimularam a reflexão das equipes sobre a importância de refinarem o olhar para o desempenho das(os) estudantes, buscando sempre uma análise mais criteriosa em relação às habilidades necessárias a serem trabalhadas em cada ano. É o que relata a secretária de educação Maria de Fátima Silveira:

Foto: arquivo pessoal

Os encontros formativos promoveram um conhecimento teórico a respeito das aprendizagens do que é essencial, da questão do currículo, das priorizações para cada ano de ensino. Um aspecto relevante que ocorreu ao longo das formações foi a discussão sobre o que fazer com os resultados, com as respostas adquiridas por meio das avaliações para chegar aos objetivos que desejamos alcançar. Neste contexto, a reflexão coletiva aparece como elemento indispensável para que o trabalho aconteça e tenha reflexos positivos na aprendizagem.” 

Maria de Fátima Silveira

Para a dirigente municipal de educação do município de Pilar/PB, Rejane de Barros Cavalcante:

O APC foi fundamental na definição de papéis de protagonismo, liderança e comunicação entre as equipes técnicas e a gestão escolar, através de ações que promoveram a qualificação docente frente ao ensino remoto e a proximidade das famílias no acompanhamento dos estudos de suas(seus) filhas(os)”.

Rejane de Barros Cavalcante


Estratégias para combater a infrequência e a evasão escolar

O estudo Cenário da exclusão escolar no Brasil – um alerta sobre os impactos da pandemia da Covid-19 na Educação, realizado pelo UNICEF, em parceria com o Cenpec, apontou o aumento no índice de crianças e adolescentes (de 6 a 17 anos) fora da escola.

O número de estudantes que deixou de frequentar a escola, remota ou presencialmente, praticamente dobrou, saltando de 712 mil, em 2019, para 1,5 milhão de crianças e adolescentes em 2020. O estudo também apontou que outros 3,7 milhões, nesta mesma faixa etária de 6 a 17 anos, ainda que matriculados, não receberam atividades escolares. Ao final do ano letivo de 2020, a exclusão escolar atingiu 5,2 milhões de estudantes no Brasil, com maior incidência na faixa etária de 6 a 10 anos.

Fonte: Cenário da exclusão escolar no Brasil

Essa realidade de evasão escolar também é vivida pelos municípios do Cogiva. Para reverter esse quadro, o programa APC desenvolveu uma proposta de comunicação direcionada às famílias e à comunidade escolar. Isso possibilitou aos(às) envolvidos(as) conhecer melhor a realidade de cada estudante, identificar as dificuldades e desenvolver mecanismos eficazes no combate à infrequência e evasão.

Em Mogeiro, diante desta nova realidade e das dificuldades de acesso à tecnologia por parte da maioria das(os) estudantes, a equipe pedagógica, mesmo com a entrega de atividades impressas, foi orientada a acompanhar de perto a frequência das turmas. 

Ao identificar aqueles estudantes que não interagiam com o professor, não respondiam as atividades, deixaram de participar das aulas, o(a) gestor(a) solicitava a presença dos pais na escola para uma primeira conversa. Nos casos em que o diálogo entre o gestor e os pais não tinha o resultado esperado,  o(a) gestor(a) fazia uma visita domiciliar, e mais uma vez buscava os motivos de o(a) estudante não estar frequentando as aulas, bem como a reflexão sobre estratégias para trazer este aluno de volta à escola. Após as duas tentativas da gestão, caso o problema não tenha sido solucionado, a equipe multidisciplinar formada por psicólogo, assistente social, psicopedagoga e orientador educacional procuram a família para mais um diálogo.” 

Maria de Fátima Silveira

Outra ação realizada pela Secretaria de Educação de Mogeiro foi a busca ativa nas comunidades, com visitas domiciliares e levantamento do número de crianças e adolescentes em cada família. Além disso, foi estabelecida uma parceria com a Secretaria Municipal de Saúde, na qual os agentes comunitários passaram a notificar os casos de crianças e adolescentes fora da escola.

Já no município de Pilar, os gestores escolares identificaram que a distância casa-escola e a ausência de transporte regular no contexto da pandemia representavam barreiras para a continuidade dos estudos. Nesses casos, o material passou a ser entregue nas residências. Como relata a Dirigente Municipal de Educação no município:

A busca ativa aconteceu e continua acontecendo em Pilar, haja vista que a Secretaria de Educação conta com o trabalho de duas assistentes sociais, que entram em contato com a escola, são informadas sobre as(os) estudantes infrequentes e, de posse de uma relação, partem para as visitas às famílias dessas(es) alunas(os). Dessa maneira, sempre são bem recebidas pelas famílias e estudantes que prontamente têm voltado à escola e, assim, celebramos a redução da infrequência escolar na nossa cidade.” 

Rejane de Barros Cavalcante


Distorção idade-série: conhecendo a realidade para enfrentar o problema

Duas importantes ferramentas discutidas nas ações do APC, para a promoção de ações que impactem positivamente no enfrentamento das dificuldades de aprendizagem, são a avaliação diagnóstica e o mapa de foco. Vale lembrar que o mapa de foco é uma ferramenta criada pelo Instituto Reúna e foi utilizada nas ações formativas do APC para a priorização curricular, importante aspecto da recomposição da aprendizagem.

As duas ferramentas mostraram-se essenciais para a diminuição das dificuldades de aprendizagem e prevenção da distorção idade-série, da reprovação e do abandono escolar nos municípios do Cogiva. 

Como relata Joelma Lins da Fonsêca, Dirigente Municipal de Educação do município de Itabaiana/PB:

Foi por meio da avaliação diagnóstica que criamos nossas análises de estudantes na passagem do ensino remoto para o ensino híbrido. Em nosso município, trouxemos as(os) estudantes em dias previamente agendados com as gestoras escolares, imprimimos as avaliações e aplicamos em todas as turmas que são o público-alvo do programa.” 

Joelma Lins da Fonsêca

Em Pilar, a ferramenta também teve papel fundamental, afirma Rejane:

Aplicamos a avaliação diagnóstica no mês de setembro, de forma presencial em todas as escolas. O resultado foi importante para conhecermos o nível de aprendizagem de nossas(os) estudantes com o retorno das aulas presenciais. A partir desse resultado, ajustamos os planejamentos a fim de minimizar as dificuldades apresentadas.” 

Rejane de Barros Cavalcante

Entre as dificuldades diagnosticadas, está a da competência para leitura e escrita, conforme relatou a dirigente municipal de Pilar:

Por não conseguirem realizar uma leitura fluente, não compreendem os textos e, por conseguinte, resolver situações problemas, aspectos que acarretam abandono, reprovação e distorção. Com base nesses resultados, implantamos o reforço escolar para recomposição da aprendizagem.”  

Rejane de Barros Cavalcante

O mapa de foco foi um forte aliado no que tange à instrumentalização curricular. A cada reunião quinzenal trazemos o estudo e aplicação das habilidades para o planejamento.” 

Joelma Lins da Fonsêca


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