Apoio Pedagógico Complementar: diagnóstico para o retorno às aulas

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Apoio Pedagógico Complementar: diagnóstico para o retorno às aulas

Municípios atendidos pelo programa recebem formação para aplicar provas diagnósticas para avaliar conhecimentos dos(das) estudantes. Saiba mais
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Por Breno Procópio

O Programa Apoio Pedagógico Complementar (APC) ampliou o público atendido na região do Baixo Paraíba em 2021, passando a abranger 13 municípios e 246 cursistas — entre estes 180 gestores escolares e 66 técnicos das secretarias de educação. O resultado aponta maior incidência do programa, que busca implementar ações de enfrentamento às dificuldades de aprendizagem de estudantes nos anos iniciais do ensino fundamental nos territórios atendidos em um contexto de ensino remoto.

Tendo como diretriz geral garantir o direto a todas as crianças de aprenderem na idade certa, o APC, realizado pelo Itaú Social em parceria com o Cogiva e o Cenpec, desenvolve atividades formativas que incidem diretamente sobre um problema enfrentado por boa parte das secretarias de educação do país.

Érica Catalani, coordenadora do Programa pelo Cenpec, explica:

Érica Catalani educadora e coordenadora do APC
Foto: arquivo pessoal

O APC é uma tecnologia educacional composta por um conjunto de ações que envolvem avaliação diagnóstica, atendimento adicional às crianças com dificuldades de aprendizagem em Língua Portuguesa e Matemática e reorganização curricular para que os estudantes foquem e desenvolvam habilidades essenciais. Esses itens fazem parte hoje do protocolo de retorno às aulas. Nossa hipótese para essa maior adesão ao programa é de que as secretarias de educação do Baixo Paraíba perceberam que poderiam contar com a nossa metodologia para capacitar técnicos e gestores escolares nesse percurso.”

Érica Catalani

Com o objetivo de oferecer ações formativas para os cerca de 250 cursistas, o APC ampliou sua equipe neste ano. Assim, vai realizar encontros remotos município por município para apoiar as equipes técnicas das secretarias de educação na implementação de ações mais ajustadas às realidades locais. Além disso, vai implementar ações de acompanhamento mais efetivas para dar conta de um trabalho mais articulado.

Para a coordenadora, o propósito do programa é se constituir como uma política pública efetiva. Para isso, o APC deve refletir no território ações sistêmicas. Ou seja, ações coordenadas entre as secretarias de educação e seus técnicos, gestores escolares e escolas, até chegar a professores(as) e estudantes.


Mapa de foco para o ensino remoto de Matemática

Uma das principais dificuldades das secretarias de educação e das escolas, no atual contexto de ensino remoto, é avaliar as lacunas de aprendizagem dos estudantes. A partir disso, desenvolve atividades que incidam no ensino e melhorem o desempenho dos(das) estudantes. 

O APC já realizou encontros formativos com os(as) cursistas sobre  a importância do levantamento dos conhecimentos prévios por meio do diagnóstico. Também foi disponibilizada a prova diagnóstica como ferramenta que pode ser aplicada nas escolas junto a estudantes dos anos iniciais do ensino fundamental com objetivo de possibilitar a análise do desempenho em leitura e em resolução de problema, e com base nela, planejar as atividades e os materiais usados.

Outra ação formativa de destaque trata da elaboração do Mapa das habilidades essenciais, que deve ser desenvolvida com os(as) estudantes do APC. O segundo encontro formativo de Matemática, realizado no mês de maio, foi coordenado pela formadora Sandra Amorim e teve a presença de cerca de 50 técnicos das secretarias de educação. 

Para refletir sobre as principais habilidades a serem desenvolvidas na área de matemática, foi utilizado o Mapa de Foco em Matemática. Desenvolvido pelo Instituto Reúna, também em parceria com o Itaú Social, a ferramenta auxiliou na definição de metas para estudantes com dificuldades de aprendizagem. 

Outro aspecto abordado com os(as) técnicos(as) das secretarias de educação dos municípios participantes do consórcio do Baixo Paraíba no encontro foi a relação entre as habilidades descritas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e as atividades voltadas ao desenvolvimento dessas habilidades.

O Mapa de Foco é uma ferramenta que seleciona habilidades focais para cada ano do ensino fundamental de acordo com a BNCC. A proposta dos Mapas de Foco da Base é orientar a flexibilização curricular e a escolha de conteúdos por redes de ensino e organizações de educação em situações extremas, como a pandemia do coronavírus.

Sandra Amorim, formadora de Matemática do APC
Foto: arquivo pessoal

Sandra Amorim, formadora do módulo Matemática do APC, conta:

O ensino remoto nos anos iniciais do ensino fundamental, na maioria dos municípios do Cogiva, está amparado no material impresso. Ou seja, há pouca interação por meio virtual, visto a existência de grandes desafios na conectividade por parte dos(das) docentes e dos(das) estudantes. A partir disso, mostramos aos técnicos e gestores a relevância em se trabalhar com habilidades potentes para o letramento matemático, fortemente indicado na BNCC. Logo, a proposta passou para as habilidades essenciais em Matemática.”

Sandra Amorim

A formadora detalha:

No encontro com os técnicos, abordamos ainda os níveis de progressão de uma habilidade ao longo dos anos de escolaridade. Exemplifiquei com a habilidade de comparar e ordenar números naturais, que se apoia no desenvolvimento da compreensão de características do sistema de numeração decimal  e vai se tornando mais complexa ao avançar para o 4º e 5º anos. Como aspecto prático, detalhei uma forma de os(as) professores trabalharem com essa habilidade em sala de aula bem como os conhecimentos prévios necessários.”

Sandra Amorim

Para o técnico Francisco Diniz Júnior, a formação do módulo Matemática foi fundamental à equipe da Secretaria Municipal de Educação de São José dos Ramos (PB), já que mostrou as etapas de planejar, avaliar os dados educacionais externos e internos, traçar metas e dar suporte aos gestores pedagógicos.

Francisco Diniz Júnior, técnico da Secretaria Municipal de Educação de São José dos Ramos (PB)
Foto: arquivo pessoal

O APC nos permitiu ter esse olhar sobre o letramento matemático. A nossa equipe usou a metodologia da Avaliação Diagnóstica para identificar as principais dificuldades em matemática dos estudantes de São José dos Ramos. Em seguida, elaboramos um mapa das habilidades essenciais e uma série de atividades para cada ano do Fundamental I. Esse material foi entregue aos gestores escolares da rede pública para apoiar o processo de ensino dos professores em sala de aula.” 

Francisco Diniz Júnior

O município de São José dos Ramos prevê a aplicação de uma segunda prova diagnóstica em novembro de 2021, com foco na avaliação de aprendizagem em Língua Portuguesa e Matemática, tendo por base os indicadores do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb).

Pilar foi outro município do Cogiva que começou a utilizar a tecnologia educacional do APC para transformar o ensino-aprendizagem também em matemática. De acordo com a técnica Heloísa Helena Costa de Araújo Cavalcanti, a Secretaria Municipal de Educação aplicou a prova diagnóstica, e a ferramenta serviu para mostrar um outro problema: a dificuldade dos(das) próprios(as) professores(as) com os conteúdos de Matemática e em como abordá-los com os(as) estudantes.

Heloísa Helena Costa de Araújo Cavalcanti, técnica da Secretaria Municipal de Educação
Foto: arquivo pessoal

Com base nesse diagnóstico, a equipe técnica passou a trabalhar com os(as) gestores(as escolares(as e professores(as atividades para reverter essa barreira. O APC nos forneceu metodologia e nos ensinou a pensar hipóteses sobre a aprendizagem em matemática. E a partir disso conseguimos desenvolver atividades que focalizam essas deficiências.”

Heloísa Helena Costa de Araújo Cavalcanti

A formação do módulo Matemática também tem apoiado o trabalho de planejamento dos(das) gestores(as) escolares(as). É o que relata Maria Eloisa Borba Martins Campelo, gestora pedagógica de três escolas da rede pública do município de Salgado de São Félix.

Maria Eloisa Borba Martins Campelo,  gestora pedagógica de Salgado de São Félix
Foto: arquivo pessoal

Aprendemos com o APC a elaborar um planejamento que trace caminhos com o objetivo de avançar nas teias dos conhecimentos matemáticos, diagnosticando uma nova rota de aprendizagem, tendo como ponto de partida: O que os(as) estudantes já sabem? O que precisam saber que ainda não sabem? Como traçar caminhos para que adquiram, consolidem e aprimorem esses conhecimentos.” 

Maria Eloisa Borba Martins Campelo


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