Painel de desigualdades educacionais no Brasil: conheça os novos dados

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Painel de desigualdades educacionais no Brasil: conheça os novos dados

Em recente atualização, o Painel interativo criado pelo Cenpec recebeu novos dados sobre municípios e escolas; entenda as possibilidades de utilização

Por Stephanie Kim Abe

Apesar de serem fundamentais para a elaboração e o planejamento de ações e políticas públicas, dados nem sempre são fáceis de se interpretar. Não só isso: às vezes é difícil até encontrar, ou visualizar essas informações de maneira de fácil compreensão. 

Foi pensando nisso que o Cenpec lançou, em 2021, o Painel de desigualdades educacionais no Brasil.

O Painel compila dados de fontes oficiais como o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e o Censo Escolar e os apresenta num formato amigável e interativo, de forma a ajudar redes de ensino, gestoras(es) educacionais e escolares, e docentes a interpretar esses dados para pensar como enfrentar as desigualdades educacionais.

Para isso, uma das entradas possíveis de visualização dos dados é por meio do item Resultados de permanência escolar em diferentes contextos, que disponibiliza dados sobre três barreiras educacionais: reprovação; distorção idade-série e abandono escolar.

Recentemente, o Painel recebeu uma atualização, que permite a navegação agora em nível de municípios e escolas públicas (não contempla as escolas federais nem privadas). Isso significa que agora é possível analisar esses resultados a partir do contexto local, além do contexto da(o) estudante (sexo e raça/cor declarados); educacional (dependência administrativa, etapa de escolarização e série escolar) e geográfico (unidades da federação e localização rural ou urbana) que já existiam antes. 

📍 Clique aqui para acessar o Painel de Desigualdades


Como o Cenpec ajuda a identificar e analisar os dados

Romualdo Portela de Oliveira, diretor de pesquisa e avaliação do Cenpec, explica a importância de ter esses dados e de saber interpretá-los:

Foto: acervo pessoal

Quando você disponibiliza dados nesse nível de detalhamento, é possível formular políticas públicas em cada nível correspondente: escola, município, estado. Sabendo qual a taxa de distorção idade-série ou de abandono escolar da sua unidade, a(o) gestora(or) pode comparar com os dados do município, entender a posição relativa da sua escola e interceder nos problemas mais flagrantes que ela apresenta. A mesma coisa em relação à(ao) gestora(or) municipal, que pode olhar para os seus dados em comparação à rede estadual, outros municípios vizinhos similares etc. Temos aí diversas contribuições para o planejamento”.

Romualdo Portela de Oliveira

Essas dicas de como olhar para os dados apresentados no Painel estão distribuídas e identificadas por toda a plataforma, por meio do ícone Cenpec comenta.

No caso dos dados de abandono escolar, por exemplo, ao clicar nesse ícone, lemos que:

O abandono escolar resulta de um conjunto de fatores que enfraquecem o vínculo das(os) estudantes com a escola. Por isso, são tão importantes as ações de acompanhamento e prevenção que envolvam a aprendizagem e a manutenção de um bom clima escolar. Nesse sentido, os dados sobre abandono podem ser um ponto de partida para diagnóstico e desenvolvimento de ações nesse campo.

Uma escola pode avaliar como está em relação ao abandono escolar comparando sua taxa com a do município. E os municípios podem usar como parâmetro a taxa estadual.”

A preocupação do Cenpec em contextualizar as informações vem da própria experiência da instituição com as equipes técnicas e diferentes profissionais de educação durante a execução de projetos e assessorias, que revelam a dificuldade que muitas redes ainda têm de trabalhar com dados e estatísticas.

📍 A distorção idade-série ocorre quando o(a) estudante está pelo menos dois anos acima da idade considerada ideal em relação ao ano ou à série escolar. 

📍 O abandono ocorre quando o(a) estudante deixa de frequentar a escola durante o ano letivo.

📍 A reprovação é a situação em que se encontram as(os) estudantes que, na compreensão da equipe escolar, não teriam condições de prosseguir na escolarização sem repetir o ano/série já realizado.

Mais do que uma simples contextualização, buscamos trazer uma análise da informação para que a(o) gestora(or) saiba como trabalhar aquilo ou o que pode ser identificado naquele dado como fator de desigualdade – o que se alinha com o nosso propósito de enfrentar as desigualdades educacionais. Esse é o maior diferencial do nosso Painel, que permite que pessoas não especializadas também possam acompanhar a educação de sua escola, município ou estado”, explica.

Marcia Coutinho, consultora do Cenpec

Os dados incorporados ao Painel de desigualdades educacionais vão de 2015 a 2021. Para pensar novas atualizações, o Cenpec aguarda as definições do Inep sobre como serão disponibilizados os dados coletados nos próximos anos, já que houve uma mudança recente nessa divulgação que retirou os detalhamentos no nível de estudantes por uma interpretação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD – Lei nº 12.965/14).

Saiba mais sobre as diferentes ações que o Cenpec realiza pela equidade e qualidade na educação


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