Oficina: Passeios letrados

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Oficina: Passeios letrados

Oficina publicada originalmente em 2013 na Plataforma do Letramento (Cenpec). Autoria: Paula Baracat De Grande, doutora em Linguística Aplicada pelo Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
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O que é?

Passeio com as crianças pela escola e arredores observando cartazes, letreiros, placas e outros objetos em que a escrita esteja presente.

Materiais

Cadernos e lápis, celulares com câmera, cartolinas ou papel kraft, canetinhas coloridas.

Finalidade
  • Perceber funções da escrita e outros sistemas simbólicos em ambientes públicos.
  • Diferenciar símbolo, desenho e escrita.
  • Analisar cores, formas e sentidos na escrita ambiente.
  • Produzir placas e avisos multimodais.
Expectativa

Contribuir para a percepção das crianças sobre a presença e a função da escrita no seu dia a dia. Ajudá-las a diferenciar a escrita de outras linguagens gráficas, como números e desenhos.


Público

crianças da educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental.

Espaço

Sala de aula, sala de atividades, biblioteca, centro cultural, ou ambiente on-line.

Duração

4 encontros de 1h30 cada


Início de conversa

Vivemos numa sociedade letrada, em que a escrita está por todos os lados: em anúncios e letreiros comerciais, placas e avisos no trânsito, livros e jornais, panfletos que recebemos em casa, no computador no
celular… Desde cedo, as crianças percebem algumas das funções sociais dos escritos. Para levar as(os) estudantes a prestarem atenção na escrita que os rodeia, ajudar a perceber suas funções e refletir sobre estas, além de diferenciar a escrita de outras linguagens gráficas, propomos passeios letrados!

Começamos pela escola, depois vamos para seus arredores. Além de perceber a escrita já presente nesses ambientes, as crianças poderão refletir sobre lugares que se beneficiariam com placas ou avisos escritos e multimodais (em que linguagens não verbais e linguagem verbal são combinadas para construir sentidos).

Alta Pare Sinal De Alerta Ícone - Imagens grátis no Pixabay

A atividade também mostra que um texto não pode ser medido pela quantidade de palavras escritas. Por exemplo, o sinal PARE, registrado em placas de trânsito, é considerado um texto, porque, naquela situação específica, comunica. Já imaginou como seria ter que ler enquanto dirige: “Pare seu carro porque na referencial pode estar passando outro veículo ou pedestre. Siga quando nenhum outro veículo ou pedestre estiver na preferencial”? O sinal nos comunica tudo isso quando vemos a placa. A palavra PARE, nessa situação, é um texto. Procure dar um tom lúdico a essa reflexão com as crianças.


Na prática

Primeiro encontro: Conversa na sala e passeio na escola

Converse com a turma sobre usos da escrita no ambiente da sala de aula. Pergunte onde identificam a escrita: nas paredes da sala, na lousa, nos materiais, nos corredores da escola. As respostas podem variar e incluir desenhos e símbolos.

Após a conversa, convide as crianças para um passeio pela escola, direcionando os olhares aos usos da escrita no ambiente: avisos em cartazes nos corredores, listas de produtos da cantina ou o cardápio da merenda, calendários, placas ou letreiros com o nome da escola ou identificando salas da administração. Questione o que são e para que servem esses materiais no ambiente.


Segundo encontro: Passeio pela rua e registro fotográfico

Num segundo momento, organize um passeio pela rua da escola ou por algumas ruas dos arredores. Prepare a câmera fotográfica. Peça que as crianças identifiquem as escritas no ambiente. Leia com elas e eles placas, avisos, outdoors e discutam suas funções e significados naquele contexto.

Fotografe o que identificarem. Mesmo que apontem placas de trânsito compostas de símbolos e desenhos, é interessante registrar para uma conversa posterior. O passeio também pode ser acompanhado de registro
no caderno: os alunos anotam, a sua maneira, o que encontraram de escrita nas ruas próximas da escola.

Na volta para a sala de aula, reveja as fotos com os alunos (se possível, projete-as) ou reveja as anotações do grupo. A ideia é diferenciar a escrita de símbolos e desenhos em anúncios e placas e discutir os sentidos
expressos por eles. Você pode levar exemplos selecionados previamente, identificando com a turma as palavras, as letras, os símbolos, as cores e os formatos utilizados, assim como seus sentidos e funções no contexto em que foram encontrados, por exemplo:

Caso o entorno da escola tenha pouca escrita pública, vocês podem discutir como os arredores poderiam ser beneficiados com alguns textos escritos (avisos de perigo, de proibição de jogar lixo, de cuidado com
crianças etc.).


Terceiro encontro: Registro de escritas no caminho escola-casa

Peça às crianças que prestem atenção nas escritas presentes em seu caminho da escola para casa. Peça que registrem o que viram (podem reproduzir com desenhos ou pedir a uma pessoa adulta que as ajude a registrar).

No dia seguinte, converse sobre o que identificaram como escrita e anote na lousa. Depois, discuta e mostre as diferenças entre símbolos, fotos, desenhos e escrita nos exemplos trazidos. É importante mostrar como, em alguns casos, esses diferentes sistemas gráficos se complementam para atingir seus objetivos.

Você pode levar exemplos e discutir como a escrita se combina com desenhos, cores e símbolos.


Quarto encontro: Produção de placas, avisos e letreiros

Proponha a criação de placas, avisos e letreiros para a sala de aula e para a escola usando cartolinas ou papel kraft e canetinhas coloridas. As crianças podem escolher um nome para a turma e fazer um letreiro para colocar sobre a porta de entrada da sala. Caso várias sugestões de nomes surjam,
organize uma votação!

As placas e os avisos podem trazer o universo lúdico da criança, com mensagens bem-humoradas:

  • “Cantinho da Alegria” (para espaço de brinquedos e brincadeiras);
  • “Dê asas à imaginação” (em local onde ficam livros ou mesmo na biblioteca);
  • “Proibido mau humor na sala” etc.

As crianças podem criar desenhos e símbolos para as mensagens. As placas e os avisos também podem registrar algumas regras de comportamento e convivência na escola.



Hora de avaliar 

Ao final dos encontros, monte uma roda de conversa com as crianças para que contem o que acharam das atividades:

  • Gostaram de passear pela escola? E pela rua?
  • O que acharam mais legal nos passeios?
  • Sabiam que tinha tantas coisas escritas e desenhadas nesses locais?
  • Pra que acham que servem todas essas coisas?

Também é interessante planejar atividades para verificar como os conhecimentos das crianças sobre a escrita se modificaram após essa oficina. Você pode pensar algumas brincadeiras e perguntas para avaliar se já conseguem distinguir melhor o que são palavras e o que são desenhos e se já têm uma ideia mais definida das funções da escrita em determinadas situações do cotidiano.


Para saber mais

Para saber mais sobre o trabalho da perspectiva do letramento na inserção das crianças no mundo da escrita, conheça o fascículo “Preciso ensinar o letramento? Não basta ensinar a ler e a escrever?”, de Angela Kleiman.

Acesse o fascículo na íntegra.


Veja também

Um pensamento em “Oficina: Passeios letrados

  1. Excelente. Planejei vídeo aula com essa ideia: com um bloquinho de anotação, registrar do momento que acordar até o final do dia, todos os episódios do dia que demandaram leitura. Adoro isso!!!

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