O trabalho, o dinheiro e o sustento da vida

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O trabalho, o dinheiro e o sustento da vida

Autoria: Educação&Participação
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O que é?

Atividade de reflexão sobre a relação trabalho e dinheiro.

Material

Para encontros presenciais ou remotos*:
Folhas de papel jornal ou papel pardo, pincéis atômicos, sprays coloridos (para encontros presenciais).
Computador com acesso à internet, dicionários impressos ou on-line.

Finalidade

Compreender que o dinheiro é fruto do trabalho para a maior parte da população do mundo, por isso deve ser bem cuidado, tanto na esfera pessoal quanto na social.

Expectativa

Valorizar o trabalho como produtor de riqueza para a sociedade e de bem-estar pessoal e social; encarar o dinheiro como resultado do esforço pessoal e identificar as diferentes fontes de renda.

Público

Adolescentes e jovens

Espaço

Para encontros presenciais:  sala de atividades e/ou informática e território

Duração

3 encontros de 1h30


Início de conversa

A renda das pessoas, ou seja, o dinheiro com que contam para seu sustento (alimentação, moradia, saúde, educação, transporte, lazer), pode ter diferentes origens: do trabalho, do aluguel de bens e equipamentos móveis e imóveis, rurais ou urbanos, ou da aplicação financeira de dinheiro excedente (nos bancos, nas ações das bolsas de valores, por exemplo).

Há também fontes ilícitas, criminosas, como a sonegação de impostos que enriquecem a alguns poucos, em detrimento dos benefícios que os impostos trariam à população em geral, com o investimento nas políticas públicas. O tráfico de drogas, de pessoas, de órgãos e de influência são outras fontes de renda ilícita que denigrem a dignidade e o direito de todos.

Felizmente, a maioria das pessoas vive do rendimento de seu trabalho, dedicando a ele muitas horas diárias, e colocando em risco, muitas vezes, a própria saúde. Ganhar o sustento custa esforço. Por isso, o rendimento que o trabalho produz tem de ser utilizado com cuidado, devidamente planejado, com definição de prioridades, tanto na esfera pessoal, na familiar, quanto na social.

Dessa forma, questões como o que é imprescindível para a sobrevivência, o que não é imprescindível, o que pode esperar para ser adquirido depois ou o que não pode esperar, têm de ser discutidas pelas famílias, constantemente, para garantir o básico e fundamental a todos e o acesso, cuidadoso e seguro, a outros bens desejados. Envolver cada um, inclusive crianças e adolescentes, na definição de prioridades contribui para educá-los no uso consciente do dinheiro, que “não nasce em árvore” nem “é capim”.

Além da preocupação com a estabilidade financeira das famílias, garantindo o acesso aos bens básicos, a questão social e a ecológica precisam ser consideradas. No primeiro caso, cuidar do dinheiro público, participando de decisões coletivas e acompanhando os gastos das administrações municipal, estadual e federal é responsabilidade de todos e todas. Da mesma forma, é responsabilidade de todos e todas o cuidado com o planeta, cujos recursos não são inesgotáveis e cuja exploração para o consumo tem produzido consequências desastrosas que influenciam no clima, na água e na vegetação da Terra.


Na prática

*Em razão do cenário atual de ensino remoto para o combate à pandemia, fizemos observações para apoiar os(as) educadores a desenvolver esta proposta também em ambiente virtual, não apenas presencialmente.

Primeiro encontro: conversando sobre dinheiro

Receba os estudantes na roda inicial com dicionários dispostos no centro dela. No caso de oficina remota, selecione alguns dicionários on-line gratuitos e disponibilize aos(às) estudantes. (Confira sugestões ao final desta oficina). Se possível, crie uma lista permanente com fontes de pesquisa no ambiente virtual utilizado por vocês, como um documento no Google Drive, por exemplo.

Comece a oficina, propondo as seguintes questões para os estudantes:

Já escutaram, de seus pais ou de outros adultos, as expressões idiomáticas “dinheiro não nasce em árvore” ou “dinheiro não é capim”?

Em que situações ouviram tais expressões?”

Dê um tempo para que contem as histórias, se quiserem.

Provavelmente, irão se referir a situações em que eles próprios ou outras pessoas solicitaram a alguém a aquisição de algum objeto considerado por esse alguém caro, desnecessário ou dispensável. Discutam, então, que mensagens tais sentenças transmitem.

Por que a pessoa a quem era feita a solicitação responderia com essas expressões?

Seria essa uma pessoa sovina ou será que teria outras razões para responder assim?

Quais seriam essas razões? Vamos pensar?”

Provavelmente, farão referências à proporção entre o que a pessoa recebe de salário e quanto e como pode gastar. Afinal, para a maioria das pessoas, o trabalho é a única fonte de renda e exige esforços; às vezes, o salário é conseguido com muito suor e risco e nem sempre atende às necessidades básicas das pessoas.

Pergunte:

Sabem de onde vem a palavra salário?

Já ouviram falar ou leram alguma coisa a respeito dessa palavra/ verbete?”

Deixe que levantem suas hipóteses. Sugira que consultem os dicionários (dispostos na roda ou na web – confira lista de sugestões ao final da oficina) para buscar o significado da palavra.

Em seguida, explique a origem desse vocábulo.

História da moeda/Moeda na Idade Antiga - Wikilivros


O dinheiro, como o conhecemos hoje, é resultado de uma longa evolução na história da humanidade. No início, não havia a moeda (dinheiro): praticava-se o escambo, ou seja, a simples troca de uma mercadoria por outra, sem se pensar na equivalência de valor.
Com o tempo, algumas mercadorias, pela sua utilidade, passaram a ser mais procuradas do que outras, assumindo a função de moeda (dinheiro), circulando como elemento trocado por outros produtos e servindo para avaliar-lhes o valor. Eram as moedas–mercadorias.
O gado, principalmente o bovino, foi um dos itens mais utilizados para esse fim; apresentava a vantagem da locomoção própria, reprodução e prestação de serviços, embora corresse o risco de doenças e de morte.
Os cauris (búzios ou conchas) foram utilizados como moedas por um longo período da história (por volta do séc. XI a.C. até o séc. XIX) em algumas regiões da África, em razão de sua abundância nesses locais.
O sal foi outra moeda-mercadoria. Era de difícil obtenção, principalmente, no interior dos continentes e muito utilizado na conservação de alimentos. É daí que tem origem a palavra salário, que se refere à remuneração paga ao empregado pelo empregador em troca de seu trabalho.

Explique que há também outras fontes de renda, porém, que elas não advêm do trabalho, mas do aluguel de terras, de equipamentos móveis e imóveis, assim como de aplicações financeiras (em bancos, em ações etc.).

Para entender melhor a relação entre trabalho e dinheiro e valorizar o dinheiro que é fruto do trabalho, proponha que façam um pequeno levantamento sobre a origem do dinheiro da família dos(das) estudantes.

Organize com eles um roteiro com perguntas para entrevistar os adultos de cada família, como:

  • profissões exercidas;
  • horas trabalhadas por semana;
  • existência de outra fonte de renda além do trabalho;
  • recebimento de benefícios sociais como bolsa-família;
  • seguro desemprego (ver ficha no Anexo 1).

Combine uma data para eles(as) entregarem as fichas preenchidas. Oriente para que deixem claro às famílias de que se trata apenas de um estudo para a turma.

E se?
Se houver dificuldade ou resistência de algumas famílias para fornecerem os dados, os(as) estudantes não devem insistir, pois podem procurar mais informações na internet, em pesquisas sobre profissões realizadas por órgãos como o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) ou Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo encontro: conhecendo quanto tempo se trabalha em média

Na data marcada, com as fichas preenchidas, organize a turma em grupos e peça que compartilharem as informações coletadas item por item. Dê um tempo (cerca de 30 min) para isso.

Chat forum, communication, live chat, online consultant, online meeting  icon - Download on Iconfinder

Em ambiente virtual, você pode criar previamente links de reuniões on-line para cada grupo. (Há diversos ambientes gratuitos para isso, como o Zoom, o Google Meet e o Google Hangouts).

Quantidade de horas que a maior parte das pessoas entrevistadas gasta trabalhando:
Por dia: ——————
Por semana: ———–

Quantas famílias têm outra fonte de renda, além do trabalho?——————————————————————————
Quais são essas fontes?——————————————————————————
Quantas famílias recebem bolsa-família?—————————————————————————–

Faça o registro sistematizando as informações trazidas pelo grupo. (Em encontros presenciais, você pode fazer um cartaz para publicizar esses dados. Em encontros remotos, pode fazer uma apresentação em PowerPoint e compartilhar para todos os participantes no ambiente virtual.)

A partir desse registro, proponha que os grupos se reúnam de novo para identificar e discutir de onde vem o sustento da maioria das famílias, observando quantas horas as pessoas precisam trabalhar por mês para receber o salário. Dê 15 minutos para essa conversa.

Após as discussões entre os grupos, peça que voltem ao encontro com todos os participantes para que socializem suas ideias e conclusões, desta vez, no coletivo. Enquanto eles falam, anote as principais ideias em outro cartaz ou outra apresentação em PowerPoint, que será a síntese da pesquisa. Encerrada a explanação, confira com eles se o registro que você fez corresponde ao que verbalizaram ou se há necessidade de reformulações ou inclusões. Guarde esse registro das ideias do coletivo sobre a pesquisa.

E se?
Se houver opiniões divergentes no grupo, não há problema. O objetivo é promover a reflexão sobre o assunto. As diferentes opiniões serão registradas, pois é uma maneira de enriquecer o tema abordado.

3º encontro: quanto custa ganhar o sustento?

Divida o grupo em duplas e oriente para que naveguem nos sites abaixo, da OIT (Organização Internacional do Trabalho) e do IBGE, para  conhecer qual é a jornada de trabalho dos brasileiros.

Primeiro peça que acessem e leiam o texto “Jornada de trabalho no Brasil“, com base em dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e outros.

Depois da leitura, oriente para que preencham o quadro a seguir com os dados solicitados:

Jornada de trabalho estabelecida Convenção da OIT em 1919……………………………………………….
Jornada pela Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) em 1943……………………………………………….
Jornada de trabalho pela Constituição brasileira de 1998………………………………………………..
Jornada diária e semanal máxima após a reforma trabalhista de 2017………………………………………………
Jornada diária média do(a) brasileiro(a) em 1996 segundo o IBGE/OIT………………………………………………
Jornada diária média do(a) brasileiro(a) em 2008 segundo o IBGE/OIT………………………………………………
Jornada diária média do(a) brasileiro(a) em 2019 segundo o IBGE/OIT…………………………………………….
Porcentagem de pessoas que trabalham mais que 44 horas semanais segundo a OIT…………………………………………….
Porcentagem de pessoas que trabalham menos que 44 horas semanais segundo a OIT…………………………………………….

Em seguida, oriente que entrem no site do IBGE para investigar as horas trabalhadas nas regiões metropolitanas do país em levantamento feito de 2002 a 2016 e preencham o quadro abaixo com apenas os dados do primeiro e do último mês pesquisado.

REGIÕES METROPOLITANAS             Março de 2002Fev de 2016
     Recife (PE)……………………..……………………..
     Salvador (BA)……………………..……………………..
     Belo Horizonte (MG)……………………..……………………..
    Rio de Janeiro (RJ)……………………..……………………..
    São Paulo (SP)……………………..……………………..
    Porto Alegre (RS)……………………..……………………..
  TODAS AS REGIÕES……………………..……………………..

Após, aproximadamente, 45 minutos, abra a roda para a socialização dos dados. Peça que comparem, no coletivo, os dados sistematizados nos dois quadros acima com os da pesquisa realizada com a família.

Quais são os pontos comuns?

Quais são os pontos diferentes?

Que conclusões podem tirar dessa comparação?”

Oriente a discussão. É importante que compreendam que a maior parte das pessoas, ao redor do mundo, obtém o sustento trabalhando e para isso trabalham. Por isso é que qualquer atividade profissional tem de ser valorizada e o dinheiro para o seu sustento é fruto dela.

O número de horas trabalhadas por dia e por semana, nas cidades da sociedade democrática contemporânea, é controlado por lei, fruto de muita luta dos trabalhadores. Pois, no início da industrialização, quando as cidades se desenvolveram, com a vinda dos trabalhadores do campo para o trabalho em fábricas, não havia sequer descanso semanal e até crianças trabalhavam.  Mesmo, atualmente, que a lei limite o número de horas de trabalho, ainda há muita gente que trabalha além do permitido.

Registrem as conclusões, como síntese da oficina.


Hora de avaliar

Peça que as duplas elaborem uma frase que expresse o que ficou de mais significativo da oficina do dia e escrevam em tiras de papel, dispondo-as no meio da roda. Convide todos a circular pela roda, para apreciar as frases das outras duplas. Em encontros virtuais, eles podem escrever as frases no chat.


O que mais pode ser feito?

Para aprofundar o assunto, os(as) estudantes podem organizar com os(as) educadores(as) um evento para discussão sobre a jornada de trabalho em outros países. Para isso, podem convidar professores da escola/ONG com experiência e estudo sobre o assunto e/ou especialistas (da universidade local, de alguma ONG que desenvolve projetos sociais ou de sindicatos, por exemplo). Esse evento, presencial ou on-line, pode ser aberta à participação da comunidade.

Outra ideia é, com base nas reflexões e conclusões desenvolvidas na oficina, propor aos(às) participantes que criem campanhas nas redes discutindo a importância de se valorizar o trabalho e os(as) trabalhadores(as) e respeitar a legislação que busca garantir condições dignas a todos e todas. Essas campanhas podem ser feitas em formato de vídeo, imagens e textos.


Fontes de referência


Dicionários on-line gratuitos


Veja também