Poupança para projeto coletivo

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Poupança para projeto coletivo

Autoria da oficina: Educação&Participação
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O que é?

Planejamento de uma poupança coletiva para realizar um passeio pela cidade.

Material
  • Folhas de papel sulfite, papel pardo ou cartolina.
  • Giz colorido e pincéis atômicos.
  • Uma caixa de plástico transparente ou de papel com tampa transparente.
Finalidade

Aprender a compartilhar sonhos e unir esforços para concretizá-los.

Expectativa

Aprender a elaborar metas e planejar coletivamente ações para a vida em comum.

Público

Crianças e adolescentes

Espaço

Sala de aula, de artes ou outra

Duração

2 encontros de 1h30

Início de conversa

Elaborar projetos coletivos com crianças e adolescentes contribui para a sua formação cidadã. Os projetos podem ter finalidades diversas, como uma tarde de convivência fora da escola, uma visita a um parque ou a aquisição de livros de poesias ou de histórias. Para realizar sonhos coletivos, é importante planejar e organizar ações em conjunto.

Entre as aprendizagens envolvidas em projetos coletivos está a de fazer escolhas entre o que é significativo e o que é supérfluo, escolher o mento e esperar para realizar algo importante para os envolvidos e compreender o valor e a finalidade real do dinheiro: atender às necessidades humanas.

Trabalhos assim também contribuem ainda para desenvolver vínculos afetivos e solidários, refletir sobre os valores que norteiam nossa vida e a planejar ações em que se compartilham esforços, responsabilidades e conquistas.

Na prática

Sugestão de encaminhamento

Primeiro encontro: planejando um passeio da turma

Para a realização desta oficina, você pode aproveitar a ocasião de uma data festiva, como o Dia das Crianças, o aniversário da instituição ou a proximidade do Natal. Assim haverá estímulo para pensarem em um projeto de lazer coletivo e organizarem uma poupança coletiva.

Receba a turma ao som de uma música suave. Disponha folhas de papel sulfite, giz colorido e pincéis atômicos espalhados pela roda inicial.

Quando já estiverem sentados no chão, convide-os a pensar em seus desejos de diversão e lazer pela cidade (um parque, um jardim, um cinema, um show ou teatro infantil ou infantojuvenil, um circo, uma cachoeira etc.). Em seguida, peça que desenhem ou escrevam algo sobre eles nas folhas disponíveis. Você também deve fazer o seu desenho. Depois de um tempo, faça uma rodada para que falem sobre o que pensaram e mostrem os desenhos ou as frases que criaram.

Em seguida, lance o desafio para apenas pensarem, não verbalizarem:

  • Quais desses desejos podem envolver toda a turma?
  • O que seria bem legal fazerem juntos pela cidade?
  • O que a maioria gostaria de fazer?
Meninas, Sussurrando, Melhores Amigos, Jovem
Olichel/Pixabay

Para aquecer, peça que cochichem sobre o assunto com os colegas do lado. A seguir, oriente que formem grupos de quatro ou cinco componentes a fim de expor o que cochicharam e escolher uma das propostas.

Selecionada a proposta, eles deverão discutir como poderão realizá-la, para levar a proposta para o coletivo, depois. Distribua folhas de papel pardo para registrarem qual é a proposta que o grupo elegeu e como os integrantes propõem desenvolvê-la.

Dê um tempo e abra a roda para que cada grupo exponha a proposta escolhida. Oriente-os para que observem as propostas que mais se aproximam. Provavelmente, entre as sugestões estarão visitas a lugares da cidade; idas ao cinema para assistir a um filme de sucesso; piqueniques num parque ou num jardim…

Ajude-os a avaliar, coletivamente, a viabilidade de cada proposta e a estimar as de custo mais baixo e as de custo mais alto. Eles deverão eleger uma, de preferência a que mobiliza a maior parte da turma e que seja viável de se realizar.

Moedas, Calculadora, Orçamento, Orçamento Familiar
Stevepb/Pixabay

Pondere que alguns desejos que são mais fáceis de se realizar e a exigência de esforços mais compatíveis com suas possibilidades deverá contar no momento da escolha. Essa é uma excelente oportunidade para que desenvolvam o senso crítico, aprendendo a pesar na balança as condições de contexto favoráveis e as desfavoráveis para a realização de alguma ação, além de aprenderem a se solidarizar com o grupo, a negociar com outras posições, em busca do consenso ou a aceitar as decisões majoritárias, postergando a realização de seu desejo para outra oportunidade.

Escolhida a proposta de lazer, oriente-os a pesquisarem na internet, nos jornais e com as famílias, os custos reais dela:

  • ingressos (se for o caso) –  individual  ………….; total ………
  • transporte –  individual ………….; total ………
  • lanche –  individual ………….; total ………

Observação: Lembre-os de atentar  para possíveis descontos oferecidos para estudantes. No caso do transporte e da alimentação, talvez possam contar com alguma ajuda da instituição e da família.

Segundo encontro: dimensionando os custos

Neste encontro, vão dimensionar os custos pelo levantamento que fizeram. Coloque na lousa a relação dos itens que vão custar dinheiro e os diferentes preços levantados para cada um. Tendo um panorama diversificado dos preços, poderão escolher o mais viável e definir, de fato, de quanto precisam para bancar os custos.

Questione, então, como poderiam, juntos, conseguir os recursos necessários para realizar o projeto de lazer coletivo, de forma a nenhum contribuir nem mais nem menos que o outro. Eles podem sugerir a venda de doces e bolos feitos em casa para a turma ou para a instituição, a preços baixos, por algum tempo; rifar algum objeto de que a família possa dispor; trazer moedas que receberam de troco.

Todas essas estratégias podem ajudar a construir uma poupança coletiva, que deverá ser guardada em alguma caixa acessível, para que possam observar o valor aumentando.

Mas, quem tomará conta do dinheiro? Deverá ficar sob a responsabilidade do educador, mas proponha a organização de uma comissão para acompanhar as entradas do dinheiro. Registrem as entradas de cada quantia arrecadada num caderninho ou num arquivo do computador, acessível a todos. A prestação de contas à turma, pela comissão, sob sua supervisão, poderá ser feita semanalmente.

Para animar a turma, é interessante organizar um cartaz, com papel pardo ou cartolina, com cortes para colocar tarjetas móveis, em que se registram: o projeto de lazer da turma, o valor que precisam arrecadar, o que conseguiram na semana e o total até a data (ver sugestão no anexo 1), para que  visualizem a quanto já chegaram e o quanto ainda falta.

E se?
Se perceber desconfiança em alguém, esclareça sempre e tire as dúvidas. Proponha um rodízio da comissão para dar chance a todos de acompanharem de perto.

Quando observarem que o que arrecadaram é suficiente para realizar o que se propuseram, organize um momento para avaliarem todo o processo vivido.

Hora de avaliar

É importante que os participantes manifestem seus sentimentos em relação a terem alcançado o que se propuseram com a turma toda:

  • Foi bom ter um projeto em comum e trabalhar junto por ele?
  • Em algum momento, sentiram-se desconfortáveis por terem de esperar para alcançar a meta estipulada ou aceitar uma proposta que não fosse a sua?
  • Como foi lidar com as diferenças?
  • O que aprenderam com a atividade?

Registre num cartaz as aprendizagens relacionadas por eles e afixe na parede da sala para voltar a elas em ocasiões que julgar oportunas.

Para ampliar

O que mais poderá ser feito?

Depois dessa experiência, as crianças e os adolescentes poderão retomar outras propostas de lazer relacionadas no início da atividade, reavaliar a sua posição na escala crescente de dificuldades que organizaram, na ocasião, e eleger uma delas como o próximo empreendimento da turma.

Essa é uma oportunidade para pesquisarem os sites de financiamento coletivo disponíveis na web, os quais ajudam a levar adiante projetos sociais e culturais que não aconteceriam sem eles, por não contarem com quem os financie. É o caso do Catarse, plataforma brasileira, que tem mais de 130 mil usuários e já arrecadou quase R$ 7 milhões em financiamento coletivo nos dois  primeiros anos de existência. Há também o Kickante , o Startando e o Começaki, entre vários outros.

Referência

DOMINGOS, Reinaldo. Terapia financeira: Realize seus sonhos com educação financeira. São Paulo: DSOP Educação Financeira, 2011.