APC: avaliação e monitoramento do Programa em 2020

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APC: avaliação e monitoramento do Programa em 2020

Confira resultados do informe de monitoramento e avaliação (M&A) elaborado pelo Polo de Desenvolvimento Educacional para o Itaú Social

Num ano de imprevistos, pandemia e isolamento social, os resultados do informe de monitoramento e avaliação (M&A) elaborado pelo Polo de Desenvolvimento Educacional para o Itaú Social mostram que o Apoio Pedagógico Complementar (APC) conseguiu auxiliar os técnicos das secretarias de educação na busca pela melhoria da aprendizagem. A pesquisa levantou os resultados de curto prazo da tecnologia educacional integrante do Programa Melhoria da Educação, voltada para os anos iniciais do Ensino Fundamental, desenvolvida em parceria com o Consórcio Intermunicipal de Gestão Pública Integrada nos Municípios do Baixo Paraíba (Cogiva).

Gráfico do informe de monitoramento e avaliação (M&A) elaborado pelo Polo de Desenvolvimento Educacional para o Itaú Social, com os indicadores Acesso a saberes (87,9%), Mudança de Percepção (88,2%), e Criação de condições para aprendizagem de estudantes (86,3%).
Fonte: Informe de monitoramento e avaliação (M&A), Polo de Desenvolvimento Educacional do Itaú Social 2020

A análise avaliou os indicadores: Acesso a saberes; Mudança de Percepção; e Criação de Condições para aprendizagem de estudantes.

Os dados foram levantados a partir de uma pesquisa quantitativa com 21 técnicos e técnicas das Secretarias Municipais de Educação de 9 dos 13 municípios que compõem o Consórcio.

Eles mostram que o melhor desempenho apontado ocorreu no item Mudança de percepção, seguido por Acesso a saberes e Criação de condições, com discretas diferenças entre eles. O desempenho geral da tecnologia educacional foi elevado, de 87,4%. Confira no gráfico acima.

Imagem de Erica Catalani, coordenadora técnica do projeto Apoio Pedagógico Complementar (APC).
Érica Catalani. Foto: arquivo pessoal

O Apoio Pedagógico Complementar – uma tecnologia voltada para auxiliar as redes a enfrentarem suas dificuldades em garantir o direito de crianças, jovens e adolescentes à aprendizagem de qualidade –, no contexto da pandemia, alcançou uma relevância ainda maior no combate às desigualdades educacionais.

A pesquisa quantitativa contou ainda com a leitura e análise de todos os registros produzidos. Já o componente qualitativo do estudo foi realizado a partir de uma conversa reflexiva com a gestora de território, um ponto focal e uma reunião de aprendizagem com o CENPEC Educação e a equipe do Itaú Social.

Estamos muito confiantes quanto à perspectiva de implementação da formação a distância para as equipes gestoras das escolas e para o corpo docente em 2021. Temos o desafio de colaborar com as equipes dos municípios participantes na reflexão sobre as possibilidades de atendimento dos(das) estudantes com dificuldades no próximo ano, sempre atentos às normas definidas pelo poder público e aos imprescindíveis protocolos sanitários.”

Érica Catalani, coordenadora técnica do projeto Apoio Pedagógico Complementar (APC)

O estudo também buscou dados sobre a qualidade do APC, que foi avaliada em 93%, do engajamento, que foi de 93,2%, e da satisfação geral com o programa, que ficou em 89%.  De acordo com os dados, a tecnologia educacional foi reconhecida em seu potencial de propiciar saberes a respeito do planejamento e da elaboração de protocolos para a volta às aulas. Também foram destacadas as reflexões acerca do currículo escolar, do diagnóstico da rede municipal e de melhores práticas pedagógicas para os estudantes com dificuldades no processo de aprendizagem. A equidade social também foi citada como um importante fator considerado para criar condições para aprendizagem dos estudantes, além do engajamento das secretarias.


 Efeitos da pandemia

Todos os participantes da investigação apontaram a sobrecarga das equipes das Secretarias Municipais de Educação este ano, seja por excesso de atribuições, por equipes com número reduzido ou pelo aumento de tarefas no contexto de isolamento social e aulas remotas. Também houve percepções de que a implementação da tecnologia pode ter sido afetada pela falta de integração entre os municípios, sobretudo por conta da pandemia e das eleições municipais deste ano.

Sobre sua interação com o Programa, os entrevistados apontaram que ela foi afetada pela falta de familiaridade com o modelo de formação remota e problemas com conectividade (10%), por aspectos emocionais devido a problemas de saúde de familiares e do contexto de incerteza (10%) e pelo excesso de atribuições nas Secretarias com a chegada da pandemia (47%).

Por outro lado, a qualidade da formação foi reconhecida, assim como a competência dos profissionais e a pertinência da temática. Também recebeu destaque o apoio no contexto de pandemia e a flexibilidade e adaptabilidade da tecnologia aos diferentes contextos municipais. 

Sandra Maria Santos da Silva, Coordenadora Pedagógica dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental de Itabaiana (PB), reflete sobre os muitos desafios do próximo ano deixados pela pandemia:

Imagem de Sandra Maria Santos da Silva, Coordenadora Pedagógica dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental de Itabaiana (PB).
Foto: arquivo pessoal

Muitas foram as lacunas deixadas no âmbito da educação como um todo, a exemplo da redução na aprendizagem e da falta de formação dos professores no enfrentamento ao novo jeito de ensinar. O ensino remoto, de maneira improvisada, nos apresentou a desigualdade social diante das tecnologias, entre outros aspectos.

Diante de tal realidade, para mim, o grande desafio será desenvolver ações que promovam a qualificação dos professores frente ao ensino híbrido, a proximidade das famílias no acompanhamento dos estudos de seus filhos, a organização de instrumentos para avaliação diagnóstica e a reorganização dos novos currículos para que tenham como foco amenizar as perdas na aprendizagem dos estudantes.”

Sandra Maria Santos da Silva, Coordenadora Pedagógica dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental de Itabaiana (PB)

A técnica ainda ressalta que diante dos desafios apresentados, o APC tem muito a contribuir nas orientações e no oferecimento de materiais essenciais para o aprofundamento teórico-prático na formação dos técnicos da Secretaria de Educação.


 Conteúdos temáticos

Salésia Alves Cassiano, professora e técnica da Secretaria de Educação no município de Mari (PB).
Foto: arquivo pessoal

Salésia Alves Cassiano, de Mari (PB), destaca os conteúdos sobre avaliação a partir de planilhas elaboradas para cada aluno e sobre como montar os planos de ação. Em relação à Língua Portuguesa, destacou os temas relacionados à alfabetização, produção de texto e oralidade. Ela cita ainda os conteúdos sobre álgebra e operações com números naturais para as aulas de Matemática.

Os desafios acredito que irão ser muitos, pois é desafiador despertar o aluno para dar continuidade na sua aprendizagem. Porém, aprendemos meios de motivá-los, nos fóruns cada coordenador deu muitas dicas.”

Salésia Alves Cassiano, professora e técnica da Secretaria de Educação no município de Mari (PB)

A professora leciona há quase 23 anos na área de Ciências, com especialização em Educação Ambiental Geográfica do semiárido, mas atualmente atua na secretaria com o Programa.

Sua colega de formação Sandra também aponta a relevância dos temas apontados nos módulos do APC e destaca os conteúdos da área. 

Cada questionamento levantado nas videoconferências me fez refletir sobre os problemas e as causas em relação ao ensino e a aprendizagem promovida pelas escolas municipais de Itabaiana (PB). Destaco o módulo de Matemática como principal contribuição no que diz respeito ao aprofundamento dos meus conhecimentos em relação às temáticas levantadas e sua forma de levá-las ao chão da sala de aula. Com eles, minha atuação como formadora tomou outros direcionamentos, como refletir com os professores sobre seus conhecimentos em cada temática apresentada e, a partir daí, promover a formação com base nas necessidades reais dos mesmos para, dessa forma, criarem estratégias de aprendizagem que cheguem efetivamente aos nossos alunos.”

Sandra Maria Santos da Silva, Coordenadora Pedagógica dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental de Itabaiana (PB)

Com os resultados da pesquisa e os relatos das equipes técnicas que já iniciaram o trabalho com essa tecnologia, é possível perceber o quanto o Apoio Pedagógico Complementar pode contribuir para apoiar as Secretarias de Educação no atendimento ao direito de crianças, adolescentes e jovens à educação de qualidade, colaborando para reduzir as desigualdades educacionais.


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