A base da Base

-

A base da Base

CENPEC. Boletim Educação&Equidade n. 7. São Paulo, jun. 2018.
Imprimir

A pesquisa “Currículos para os anos finais do ensino fundamental: concepções, modos de implantação e usos”, realizada pelo do CENPEC Educação em 2015, constatou a mobilização nos sistemas estaduais para renovar ou criar os próprios documentos curriculares. Esse movimento ocorria antes mesmo de a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) ser homologada, em dezembro de 2017.

A pesquisa analisou currículos do ensino fundamental II de 22 estados e do Distrito Federal produzidos entre 2009 e 2014, usando como marco comparativo o estudo realizado em 2010 no âmbito do Programa Currículo em Movimento, do Ministério da Educação (MEC).

A investigação apreendeu quatro modelos de currículo: matriz, currículo, proposta e diretriz, sendo o primeiro o modelo mais recorrente (15 entre 23 documentos). Entre suas conclusões, a pesquisa apontou que a quase totalidade dos documentos analisados busca organizar a prática dos professores, mais do que transmitir concepções que orientariam a ação docente, como acontecia com os documentos anteriores ao período analisado.

ACESSE O BOLETIM EDUCAÇÃO&EQUIDADE

CENPEC. Boletim Educação&Equidade n. 7. São Paulo, jun.. 2018.


Esta publicação é um dos produtos da pesquisa Ensino Fundamental 2 e currículos no Brasil: concepções, modos de implantação e usos. 
Período de realização: 2015
Parceira: Fundação Victor Civita

Ementa:
O objetivo da pesquisa foi apreender como são concebidos, estruturados, elaborados e implantados os documentos curriculares para os anos finais do ensino fundamental dos estados brasileiros e do Distrito Federal. Optou-se pela realização de sucessivas aproximações, ordenadas em torno de três estudos. Embora independentes, as investigações dialogam entre si na medida em que examinam documentos curriculares e sua implantação por meio de distintos pontos de vista e procedimentos metodológicos. 

O estudo 1 compara o levantamento de documentos curriculares de estados e municípios feito por Maria das Mercês Sampaio e colaboradores (Sampaio, 2010a) com o levantamento da pesquisa em 2014. Buscou apreender se, de fato, observa-se renovação curricular nesse período, bem como descrever características gerais desse processo. O estudo 2 analisa os documentos curriculares à luz de chaves interpretativas e à abordagem dos componentes curriculares. O estudo 3 descreve e analisa os casos de implantação da política curricular de três estados: Acre, Pernambuco e São Paulo, procurando apreender o modelo de regulação no qual essa política se insere.

Entre as principais conclusões, está a verificação de uma progressiva especificação de metas e objetivos, o detalhamento da progressão e do compassamento dos conteúdos, e mais clara intervenção no processo didático. Outra conclusão importante é que a maior parte dos documentos: privilegia conteúdos considerados universais em detrimento da parte diversificada que trataria das questões locais ou regionais; não explicita a especificidade do que deve ser aprendido e ensinado no ensino fundamental 2; menciona de algum modo a questão da diversidade, conforme apregoam os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) e as Diretrizes Curriculares Nacionais (DNC), mas há fraca presença de conteúdos que promovam a construção de identidades plurais nas várias disciplinas; e demonstra forte influência das avaliações externas sobre as disciplinas de língua portuguesa e matemática.


Veja também:

Cadernos CENPEC: Currículo, território e diversidade cultural

Currículo e educação integral

Currículo escolar: outros olhares e caminhos