5º SIEI: oficinas reúnem educadores de diferentes estados

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5º SIEI: oficinas reúnem educadores de diferentes estados

Atividades do segundo dia aconteceram em diversos locais na cidade de São Paulo
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Idealizado pela Fundação SM Brasil, o 5º Seminário Internacional de Educação Integral (SIEI) aconteceu entre os dias 24 e 25 de setembro em São Paulo (SP) – e, no segundo dia, proveu uma série de oficinas em diferentes locais da cidade, propiciando aos participantes, além de debates e conteúdos sobre educação integral, a vivência de percorrer o território.

Com o objetivo principal de demonstrar que a educação integral transcende a ampliação do tempo escolar e a oferta de atividades dentro e fora da escola, a oficina “Educação integral e currículo escolar” foi realizada das 10h às 12h pelo CENPEC Educação em seu auditório, em conjunto com o Sesc São Paulo.

Conduzida por Lilian L’Abbate Kelian, técnica do Núcleo de Juventude do CENPEC Educação, e por Maria Augusta Araújo, assistente técnica da Gerência de Estudos de Programas Sociais do Sesc, a oficina trouxe a discussão sobre um projeto de escola que expresse a intenção de realizar uma proposta pedagógica não fragmentada e a construção de um currículo integrado, de modo a relacionar os conhecimentos escolares com o universo cultural dos estudantes e a vivência deles com a comunidade em que residem, sem perder conexão com o mundo contemporâneo.

Leia a entrevista com Lilian L’Abbate Kelian e Rodrigo Travitzki sobre currículo escolar para o Portal CENPEC Educação

Currículo, articulação de saberes e troca de experiências

No encontro, diferentes experiências foram relatadas pelos participantes e, em comum, todos destacaram como desafios a articulação entre turno e contraturno, o “currículo oculto” e a dificuldade dos pais de alunos em entenderem a diferença entre educação integral e turno integral nas escolas. 

Além disso, os participantes fizeram questionamentos sobre o sistema de avaliação adotado pelas secretarias – e apontaram que o currículo, na maior parte das vezes, não leva em conta o meio social dos alunos e a realidade de suas comunidades.

Embasando informações acerca do tema da oficina, Lilian Kelian apresentou trechos do livro Educação integral e currículo escolar: análises e proposições baseadas no debate teórico e em experiências em redes públicas de ensino, do CENPEC Educação. Os participantes foram presenteados com a publicação.

Saiba mais e baixe a publicação Educação integral e currículo escolar

“Viemos exatamente para aprender com os palestrantes e outras pessoas que trabalham com educação integral há mais tempo como garantir, na nossa rede, que a educação integral não se confunda com jornada integral”, diz Justina Iva de Araújo, secretária de Educação de Parnamirim (RN).

Para José Rodrigo Martins da Silva, diretor de escola em Manaus, no Amazonas, a discussão sobre o currículo na educação integral é de extrema importância.

José Rodrigo Martins da Silva
Foto: Helder Lima.

Estamos num momento de luta e resistência sobre o que é escola e quem faz parte dela. Quando se discute currículo, é preciso pensar em para quem é a escola: pensar no aluno, na comunidade, no professor, nos gestores…

Esse currículo deve abraçar todos esses elementos e caminhar na construção de um projeto que considere também a saúde mental, física e intelectual dos alunos.

Para nós, é importante ter tido a oportunidade de ver ideias, propostas e resultados positivos, o que nos dá esperança e nos faz pensar que, sim, dá certo.”

José Rodrigo Martins da Silva

Cerca de 30 pessoas participaram da oficina sobre currículo e educação integral no CENPEC Educação
Cerca de 30 pessoas participaram da oficina sobre currículo e educação integral no CENPEC Educação. Foto: Helder Lima.

Também do Amazonas, mas de Boa Vista do Ramos, 24 horas de barco distante de Manaus, a professora Elaine Raquel de Oliveira Martins, gestora na Escola Municipal de Educação Infantil Casa Menino Jesus, não mediu esforços para participar da oficina e das demais atividades do 5º SIEI.

“Nosso maior objetivo ao chegarmos a São Paulo e participarmos das mesas de debate do SIEI e das oficinas é renovar a educação do Amazonas, porque se fala tanto em educação de qualidade e democracia, inclusão – mas nós, que vivemos numa área de difícil acesso, não nos sentimos incluídos”.

Martins disse que ela e os educadores de Boa Vista do Ramos alimentam a expectativa de terem, no Amazonas, conteúdos formativos como os que tiveram durante o SIEI – e que eles se estendam a todas as comunidades ribeirinhas.

A luta pela educação e pelo saber é muito importante para nós, e o que recebi de conteúdo no SIEI me deixou realizada.”

Elaine Raquel de Oliveira Martins

Sabrina Viana Bulcão e Elaine Martins, de Boa Vista do Ramos (AM)
Sabrina Viana Bulcão e Elaine Martins, de Boa Vista do Ramos (AM). Foto: Helder Lima.

Lilian Keilan avaliou, ao final, que “foi poderoso entrar em contato com a experiência de diretores, professores e gestores de políticas municipais de educação de diferentes estados brasileiros e perceber suas preocupações, interesses e paixões”.

A especialista considerou que a diversidade de nosso País é inspiradora para refletir sobre o currículo escolar e o compromisso dos profissionais com a causa da educação integral e da promoção da equidade.

Lilian Kelian
Foto: Acervo CENPEC Educação.

A oficina foi uma oportunidade para percebermos como a concepção de currículo sempre se relaciona à função que atribuímos à escola e como cada profissional, de acordo com seu espaço de atuação, pode exercer influência em relação ao currículo escolar e à promoção da equidade.”

Lilian L’Abbate Kelian

 Saiba mais sobre currículo e educação integral

Outras oficinas e atividades do 5º SIEI

Materiais pedagógicos acessíveis

(FabLab – Centro Histórico de São Paulo)

Oficina de materiais pedagógicos acessíveis
Foto: Reprodução.

Realizada pelo Instituto Rodrigo Mendes, a oficina proporcionou aos participantes conhecer a proposta dos FabLabs Livres da Prefeitura de São Paulo, que são uma rede de laboratórios públicos onde existem espaços de criatividade, aprendizagem colaborativa e inovação, disponíveis a qualquer educador.

A oficina também possibilitou experimentar os equipamentos disponíveis no FabLab, como cortadora a laser, impressora 3-D, fresadora e Arduinos, além de discutir sobre desenho universal para aprendizagem e conhecer projetos de materiais pedagógicos acessíveis desenvolvidos por educadores formados pelo Instituto Rodrigo Mendes.

Educação integral: o papel do diálogo e das interações na formação de leitores

(Biblioteca Monteiro Lobato)

Oficina na Biblioteca Monteiro Lobato.
Foto: Reprodução

A oficina abordou a importância do vínculo, do diálogo e da construção coletiva de significados para a compreensão leitora a partir da vivência de uma tertúlia dialógica.

Foram apresentados alguns resultados do Programa Myra, que promove mediação de leitura com voluntários na escola como possibilidade para alcançar a equidade na aprendizagem de estudantes das escolas públicas brasileiras.

Território educativo e educação integral

(Instituto Tomie Ohtake)

Oficina sobre território educativo.
Foto: Reprodução.

Com realização do Cidade Escola Aprendiz, o encontro proporcionou aos participantes a oportunidade de experimentar e discutir os princípios e práticas da educação integral no reconhecimento do potencial educativo dos territórios.

Educação e mobilidade. O caminho até a escola

(Instituto Tomie Ohtake)

A oficina teve como pano de fundo o trabalho pioneiro dentro da temática da mobilidade e infância, desenvolvido pelo Carona a Pé.

O encontro objetivou guiar os passos e os olhares dos participantes sobre a lógica do pedestre e gerar reflexões sobre o quanto os estudantes crescem, aprendem, socializam e acessam a cidade e seus territórios nos deslocamentos diários.

Olhar integral para as infâncias pelas lentes do cinema

(Unibes Cultural)

Oficina sobre cinema.
Foto: Reprodução.

Organizada pelo Instituto Alana, a oficina debateu a perspectiva integral das infâncias a partir da experiência audiovisual e da pesquisa sobre o ser criança em diferentes contextos culturais.

O que a escola pode aprender com a cidade e o que a cidade pode aprender com a escola?

(Instituto Tomie Ohtake)

Oficina no Instituto Tomie Ohtake
Foto: Reprodução.

O encontro explorou as diversas relações pedagógicas construídas a partir da colaboração entre instituições culturais e escola, fomentando a discussão acerca dos conceitos de educação integral e território educativo.

Foram apresentados vídeos sobre alguns projetos selecionados pelo Prêmio Territórios, iniciativa do Instituto Tomie Ohtake em parceria com a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, e realizados exercícios de observação para imaginar ações pedagógicas coletivas dentro e fora da escola. Os educadores Bruno Ferrari, Natame Diniz e Priscila Menegasso conduziram a atividade realizada pelo Tomie Ohtake.

Aulas eletivas

(EE Yervant Kissajikian)

Aula eletiva, com jovens, na EE Yervant Kissajikian
Foto: Reprodução.

A escola situada no Conjunto Residencial José Bonifácio realiza aulas de disciplinas eletivas, que, no currículo do ensino integral, ocupam lugar central no que se refere à diversificação das experiências escolares, oferecendo um espaço privilegiado para a experimentação, a interdisciplinaridade e o aprofundamento dos estudos.