A escrita através de vivências cotidianas

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A escrita através de vivências cotidianas

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O portal Escrevendo o Futuro entrevista a primeira homenageada da Olimpíada de Língua Portuguesa, a escritora mineira Conceição Evaristo. Em sua 6ª edição, o tema do concurso, “O lugar onde vivo”, dialoga com o conceito da autora de escrevivência.

Conceição Evaristo tem seis obras publicadas, entre contos e romances.

Consagrada por obras como Becos da memória e Olhos d’água, a escritora será a Personalidade Literária do Ano na 53ª edição do Prêmio Jabuti, em novembro/2019, segundo o jornal O Globo.

Evaristo recebeu, em 2018, o Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura; além de ter conquistado o Prêmio Jabuti de Literatura 2015, o Prêmio Faz a Diferença 2017 e o Prêmio Cláudia 2017.

De Minas Gerais para o mundo

Escrita pela jornalista Suzana Camargo, a reportagem conta a história de Conceição Evaristo do nascimento até o prestígio que ganhou pelo País. O Escrevendo o Futuro também disponibiliza, para leitura on-line, o conto Olhos d’água (2014), além de materiais sobre a autora.

É a própria Conceição que costuma enfatizar: ‘Não nasci rodeada de livros, do tempo/espaço aprendi desde criança a colher palavras’, diz ela. A autora resume em uma breve narrativa como entrou no universo dos livros e da leitura, ainda menina. ‘Nossa casa vazia de bens materiais era habitada por palavras. Mamãe contava, minha tia contava, meu tio velhinho contava, os vizinhos e amigos contavam. Tudo era narrado, tudo era motivo de prosa-poesia, afirmo sempre (…)

Tínhamos sempre em casa livros velhos, revistas, jornais. Lembro-me de nossos serões de leitura. Minha mãe ou minha tia a folhear conosco o material impresso e a traduzir as mensagens. E eu, na medida em que crescia e ganhava a competência da leitura, invertia os papeis, passei a ler para todos. Ali pelos meus onze anos, ganhei uma biblioteca inteira, a pública, quando uma das minhas tias se tornou servente daquela casa-tesouro, na Praça da Liberdade. Fiz dali a minha morada, o lugar onde eu buscava respostas para tudo. Escrevíamos também bilhetes, anotações familiares, orações…”

Nascida em 29 de novembro de 1946, Evaristo aborda em suas obras toda a complexidade de ser uma mulher negra, resgatando ainda a humanidade dessas pessoas – e a sua própria.

Com uma linguagem simples e familiar, a autora começou a escrever em 1990, logo após seu contato, nos anos 1980, com o coletivo cultural Quilombhoje.

Sua primeira obra, Ponciá Vicêncio, lançada em 2003, narra a trajetória de uma mulher negra camponesa que migra para a cidade em busca de uma vida melhor e descobre a saudade da pessoas que deixou para trás.

As escritora mineira publicou também Becos da Memória (2006), Poemas da recordação e outros movimentos (2017) e os contos Insubmissas lágrimas de mulheres (2011) e Histórias de leves enganos e parecenças (2016).

Confira a reportagem