Consciência negra: celebração de lutas e conquistas de muitas pessoas

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Consciência negra: celebração de lutas e conquistas de muitas pessoas

Confira artigo do educador social Washington Góes, especialista em relações étnico-raciais
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A primeira celebração do Dia da Consciência, em 20 de novembro, ocorreu durante a Marcha de 300 anos da morte de Zumbi dos Palmares contra o racismo, pela cidadania e a vida. A manifestação, que aconteceu em 1995, reuniu movimentos negros, sindicatos e outras organizações para exigir políticas públicas e ações concretas de combate ao racismo e outras formas de discriminação racial.

O movimento negro exigia também que o dia 20 de novembro fosse reconhecido como a verdadeira data de luta e emancipação da população negra, tornando-se feriado nacional. Em 2003, a data foi incluída no calendário escolar nacional e, em 2011, instituída oficialmente pela lei federal 12.519.

Washington Góes
Washington Góes. Foto: arquivo pessoal

Em artigo publicado no dia 17/11 no Portal Escrevendo o Futuro,  o educador e ativista negro Washington Góes afirma:

Em linhas gerais, o dia 20 de novembro, como o dia da Consciência Negra, veio para contribuir com a problematização e rompimento de padrões estéticos, morais e culturais na sociedade brasileira. Tem como ponto central pensar em estratégias para construir e reconstruir, a todo momento, a humanidade da população negra.”

Para Esdras Soares, do Escrevendo o Futuro, “a data foi pensada pelos movimentos negros como um momento de reflexão e reivindicação. E não há como não falar de uma das lutas históricas da população negra: o direito à educação de qualidade. Então podemos entender a Lei 10.639/03 e todas as documentações e orientações relacionadas como um acúmulo dessa trajetória.”

Nesse sentido, a literatura é um caminho muito potente para o fortalecimento identitário dos afrodescendentes e a construção de práticas educativas que valorizem a diversidade étnico-racial, como reflete Esdras:

Esdras Soares, do Escrevendo o Futuro
Foto: reprodução

Acredito que uma das maneiras de se fazer isso na escola é justamente por meio da literatura, que atua na construção e reconstrução de imaginários, caminhando na perspectiva de uma educação antirracista.

Gosto muito do ponto de vista de Antonio Candido, que coloca a literatura como um direito humano, assim como o direito à alimentação e à moradia. Eu diria que também é um direito que a população negra tenha sua humanidade reconhecida também nos textos literários.”

Esdras Soares

A valorização da identidade afro-brasileira através da literatura é uma postura afirmativa e antirracista a ser desenvolvida de forma consciente e sistemática nas escolas e em outros espaços educativos, já que essas populações foram destituídas historicamente desse direito.

É comum nas literaturas, sobretudo romances, o descendente de africanos aparecer como um sujeito passivo, desprovido de inteligência, pessoa com mau caráter, boçal etc. Essa representação reforça uma ideologia escravagista que, em alguma medida, ainda está em voga na sociedade. […]
Os estudos e pesquisas recentes estão postos para desconstruir essa ideologia e demonstrar que não é de hoje que homens e mulheres negras estão produzindo literatura brasileira.”

Washington Góes

Quer saber mais sobre essa história de lutas e conquistas e refletir sobre possibilidades da educação e da literatura na valorização da diversidade étnico-racial?

Confira na íntegra o artigo de Washington no Portal Escrevendo o Futuro


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