O território, as profissões e o mundo de hoje

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O território, as profissões e o mundo de hoje

Autoria da oficina: Educação&Participação
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O que é?

Experiência de aproximação das profissões existentes no território.

Material
  • Computador com acesso à internet.
  • Celulares com câmera fotográfica.
Finalidade

Entrar em contato com diferentes opções profissionais do mundo contemporâneo para ir formando, gradativamente, um repertório de informações que subsidiem suas futuras escolhas.

Expectativa

Conhecer características de algumas profissões e o que é necessário para exercê-las. Aprender a procurar essas informações em fontes adequadas e confiáveis.

Público

Adolescentes e jovens

Espaço

Sala de aula, de atividades, de informática e no território

Duração

3 encontros de aproximadamente 1h30 

Início de conversa

Escolher uma profissão na adolescência não é fácil. É um passo fundamental para se ingressar no mundo adulto, no qual se terá acesso a uma série de coisas interessantes. Em contrapartida, essa escolha envolve novas responsabilidades.

É uma situação que gera ansiedade, angústia e medo, pois coloca o jovem numa situação que exige, ao mesmo tempo, autonomia e responsabilidade. Envolve também uma jornada de autoconhecimento e de conhecimento de mundo, pois exige identificar, simultaneamente, o que gostaria de ser e fazer em sociedade. Assim, é preciso voltar-se para dentro de si mesmo, assim como buscar fora de si, no mundo do mercado, informações sobre as profissões existentes.

A escolha profissional representa um desafio que envolve diversos fatores: expectativas da família; custo da formação e local dos estudos; gostos, desejos, habilidades; oportunidades do mercado e características das profissões (por exemplo, conhecimentos, atividades e local onde são realizadas). Além disso, valores veiculados na mídia, dando destaque a profissões “da moda”, influenciam os adolescentes.

Esses fatores, associados à quantidade de informações veiculadas a respeito do mundo do trabalho, às vezes levam o jovem a adotar critérios de escolha mais voltados para fatores externos, como prestígio e dinheiro, do que para seus interesses, anseios e aspirações. Afinal, é mais fácil para ele desenvolver um conhecimento razoável sobre as profissões do que sobre si próprio. A questão, portanto, envolve ter autoconhecimento, para fazer um bom uso das informações obtidas, a seu favor.

Por isso é importante criar espaços de reflexão nas escolas e nas ONGs, e de debate entre os colegas, uma vez que o grupo é referência importante para o adolescente. É necessário oferecer aos jovens oportunidades de se conhecerem melhor e refletirem sobre as possibilidades profissionais que têm em mente, planejando seu futuro junto com ele. É reconfortante saber que, apesar da escolha ser pessoal, existem pessoas ao seu redor dispostas a apoiá-lo e a incentivá-lo, para que a faça de forma consciente.

É preciso considerar ainda que o contexto onde vive o adolescente influencia fortemente a sua escolha. Segundo Dulce Whitaker (1997, p. 62), adolescentes que têm alto poder aquisitivo têm uma preocupação maior com a realização pessoal que adolescentes de famílias economicamente desfavorecidas e de classe média, os quais demonstram maior preocupação com o padrão financeiro, embora direcionado à satisfação pessoal.

Na prática

Sugestão de encaminhamento

1º encontro: As profissões do nosso território

Proponha uma conversa inicial sobre as profissões que os jovens conhecem. Peça que pensem nos percursos que fazem durante a semana, pelo território, para irem à escola, à ONG, ao dentista, ao futebol. Por onde passam, com que profissionais entram em contato direto ou indireto?

Peça que relacionem as profissões das pessoas com quem interagem nesses percursos ou mesmo aquelas profissões que veem em placas ou cartazes de casas comerciais, construções, consultórios.  Conforme forem falando, registre na lousa ou num cartaz. Depois, peça que relacionem outras profissões das quais tiveram conhecimento por revistas, filmes, internet ou simplesmente por terem ouvido falar e que gostariam de conhecer melhor.

Após o registro, peça que observem bem o cartaz/lousa, lerem as profissões relacionadas e tentarem, coletivamente, separar aquelas que exigem certificação de conclusão de estudo das que não exigem. Depois, solicite que tentem identificar se os certificados exigidos são de nível médio de ensino ou de nível superior.

Em seguida, peça que escolham quatro dentre as profissões relacionadas que exigem diploma e sobre as quais têm mais interesse e curiosidade em conhecer. Ao pesquisar melhor essas quatro, eles aprenderão a procurar informações sobre as outras e adquirirão mais autonomia para fazer outras pesquisas por si próprios.

Para a pesquisa inicial, forme duplas para pesquisar, na internet, as profissões escolhidas pelo grupo. Apresente os sites abaixo para que investiguem o que caracteriza as 4 profissões, quais as exigências de estudo para ingressar no exercício das mesmas, a remuneração média dos profissionais e sua atual demanda pelo mercado.

Guia do Estudante
Pesquisa salarial – Empregos
Blog do Enem – Guia de Profissões: como escolher o curso superior

E se?
Se tiverem dificuldades em identificar as profissões que exigem certificação de estudos, oriente que consultem, nesse momento, na internet e socializem com o grupo.

Dê aproximadamente 50 min. para a consulta e depois abra a roda para socializarem e complementarem o que encontraram de informação, a respeito de cada uma das quatro profissões selecionadas, para terem um panorama dos principais aspectos de cada uma. Aproveite o momento e projete o vídeo abaixo que dá algumas dicas importantes sobre a escolha de profissão.

Assista com os jovens ao vídeo “A difícil fase dos adolescentes de escolher uma profissão”:

Chame a atenção para a diferença entre cursos técnicos, cursos tecnológicos, cursos de bacharelado e os de licenciatura.

Como continuidade da pesquisa, sugira que façam outras pesquisas em casa, na sala de informática, no telecentro ou numa lan house.

2º encontro: Preparando a mesa redonda com profissionais do território

No segundo encontro, proponha aos jovens a realização de uma mesa-redonda, com a duração aproximada de 40 min., com a presença de profissionais do território. O objetivo é conhecer os ofícios que exercem, para além das características conhecidas e das exigências de ingresso, mas para saber sobre as dificuldades mais frequentes que apresentam, assim como as gratificações e o leque de possibilidades de atuação que oferecem.

O grupo poderá definir, por exemplo, quatro profissionais a serem convidados para o evento, podendo ser das mesmas profissões que pesquisaram ou de outras.

Além disso, definirão a data do evento e quem fará o convite aos profissionais (dois ou três jovens). Ajude o grupo a executar essa tarefa, começando pela escrita do convite, como localizar os convidados (telefone, e-mail), como abordá-los (identificando a instituição, marcando um horário possível para entregar a carta, combinando a data, local e horário).

Para preparar a turma para a mesa-redonda, use a técnica do remador. Forme quatro grupos e distribua uma folha de papel pardo para cada grupo.

Cada folha terá o nome de uma das quatro profissões que serão objeto de discussão na mesa-redonda.  Os grupos relacionarão nessas folhas as perguntas que gostariam de fazer ao respectivo profissional.

Dê 10 min. para discutirem e selecionarem as perguntas e reme as folhas pelos grupos para que adicionem as suas perguntas, sem repetir as que já foram apontadas. Faça isso três vezes, de forma que cada grupo preencha as quatro folhas.

Exponha as quatro folhas e, em conjunto, façam uma triagem das perguntas para selecionar algumas (quatro ou cinco), fundindo ou eliminando outras, sempre em consenso.

Reescrevam as perguntas selecionadas num cartaz que ficará exposto no decorrer da mesa-redonda, para direcionar a discussão.

Sugira que o grupo que entrou em contato com os convidados os recebam e combine com os adolescentes ou jovens quem fará as perguntas selecionadas e registradas nos cartazes, a cada profissional, quem tirará fotos ou filmará e quem agradecerá em nome da turma. Sugira que durante as falas, anotem o que considerarem importante para não esquecer.

3º encontro:  Mesa-redonda

No dia marcado, a mesa-redonda seguirá os combinados. Cada convidado terá 10 min. para responder as questões apresentadas. Após a sua realização e a saída dos convidados, organize, no coletivo, as informações mais importantes das respostas dadas às questões formuladas e faça a avaliação da oficina.

Hora de avaliar

Cada jovem avaliará a oficina, desde o seu início, identificando as aprendizagens que teve com ela e explicitando de que sentiu falta, dando assim elementos para futuras oficinas que deem continuidade ao tratamento do tema, tão importante nessa faixa etária.

Para ampliar

Uma proposta interessante é criar um guia de profissões escolhidas do grupo, escrito, ilustrado e digitalizado pelos jovens para divulgarem na escola, na ONG, na comunidade ou nas redes sociais.

Os educadores e gestores da instituição também podem organizar algumas visitas a universidades publicas, a cursinhos gratuitos, a locais de trabalho para que os adolescentes e jovens possam ver os profissionais atuando.

Outra visita interessante é ao Centro de Integração Empresa e Escola (CIEE), para saberem como funciona a oferta e a adesão a estágios.

Além disso, junto com o professor de língua portuguesa e de outros que se engajem, podem ler cadernos de empregos de grandes jornais, para analisarem as principais ofertas de trabalho no mercado de hoje: a que profissões elas estão relacionadas, que formação exigem.

Essas informações devem ser discutidas, considerando-se os desejos e sonhos de cada jovem.

Referências

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica. Educação profissional técnica de nível médio integrada ao Ensino Médio. Documento base. Brasília, dez. 2007. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/setec/arquivos/pdf/documento_base.pdf. Acesso em: 11 jun. 2019.

FUNDAÇÃO TIDE SETUBAL. Guia de auxílio à escolha profissional para adolescentes e jovens. São Paulo, 2011. Disponível em: https://fundacaotidesetubal.org.br/midia/publicacao_338.pdf. Acesso em: 11 jun. 2019.

LARA, Luciane D.; ARAÚJO, Maria Carolina S. O adolescente e a escolha profissional: compreendendo o processo de decisão. Arquivos de Ciências da Saúde da Unipar, Umuarama, v.9(1), jan./mar., 2005. Disponível em: http://revistas.unipar.br/index.php/saude/article/view/1356/1207. Acesso em: 11 jun. 2019.

WHITAKER, Dulce. Escolha da carreira e globalização. São Paulo: Moderna, 1997.