Parceria entre OSCs e poder público

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Parceria entre OSCs e poder público

Solenidade na Câmara Municipal de São Paulo premia quatro entidades que desenvolveram trabalhos voltados à sociedade civil em São Paulo
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Por Suzana Camargo

Inclusão social, promoção da cidadania, combate à fome e às discriminações foram os temas dos 29 trabalhos de organizações da sociedade civil que concorreram ao Prêmio Betinho de Cidadania e Democracia de 2019. A sessão solene aconteceu na segunda (5) e foi presidida pela vereadora Soninha Francine.

A vencedora foi a UNAS (União de Núcleos, Associações dos Moradores de Heliópolis e Região), que recebeu a Salva de Prata da Câmara, pelo projeto MovimentAÇÃO, com o qual levam à várias comunidades uma campanha de combate à discriminação racial.

As outras três finalistas que receberam Menção Honrosa foram: Associação Franciscana de Solidariedade (Sefras) que desenvolveu o projeto Acolhimento, Inclusão e Participação de Adultos em Situação de Rua; Instituto de Defesa do Direito de Defesa ( Iddd) realizado junto a mulheres que cumprem pena em presídios e Roda de Conversa LGBT, com projeto homônimo.

Comissão julgadora

A comissão julgadora foi composta por representantes da Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais (ABONG), Comissão de Igualdade Racial da Ordem dos Advogados do Brasil/Seção São Paulo; Associação Juízes para a Democracia; Ação da Cidadania Contra a Miséria e pela Vida; e Instituto Terra – Trabalho e Cidadania (ITTC). Ao todo foram 29 trabalhos avaliados.

Alexandre Isaac, assessor das relações institucionais do CENPEC Educação e
membro da Abong, destacou a atualidade da produção do sociólogo Herbert de Souza, desenvolvido durante os anos 1990 que colaborou com o crescimento e fortalecimento da sociedade civil e das organizações sociais no Brasil.

Neste momento de nosso país em que ocorre a fragilização e até a criminalização dos movimentos e organizações sociais, a memória e o pensamento de Betinho se faz importante. Um prêmio oferecido pela Câmara de Vereadores  joga luz e reconhecimento na atuação das organizações”, afirmou Isaac.

Os critérios de avaliação dos projetos levaram em conta o estímulo à participação da comunidade, as soluções inovadoras e os resultados alcançados para a melhoria da qualidade de vida.

Sobre Prêmio Betinho

A premiação que homenageia o sociólogo mineiro Herbert José de Souza, o Betinho, foi criada pela Câmara Municipal paulistana por meio de aprovação da Resolução nº 13/1997, no mesmo ano de seu falecimento, em 9 de agosto de 1997.

Famoso por defender a democracia e a igualdade de direitos, além de sua luta contra a Aids, Betinho foi um dos principais articuladores da maior campanha contra a fome já realizada no Brasil. O movimento Ação da Cidadania Contra a Fome, a Miséria e pela Vida, que se transformou em uma organização sem fins lucrativos atua até hoje.

Trabalho de formiguinha

Ao Portal do CENPEC Educação, Alexandre Issac afirmou que a premiação homenageia Betinho e sua luta contra a fome e pela cidadania, uma vez que valoriza ações de organizações sociais feitas, na maior parte das vezes, de forma silenciosa e invisível.

Neste contexto, o assessor citou o Prêmio Itaú-Unicef, iniciativa da Fundação Telefônica com coordenação técnica do CENPEC Educação, que tem como público-alvo organizações da sociedade civil. “O Prêmio Itaú-Unicef busca jogar holofotes nesse trabalho de formiguinha realizado pelas OSCs em territórios vulneráveis, sempre acreditando na potência destes”, complementou.

Maria Antônia Fugêncio

A coordenadora geral da UNAS, Maria Antônia Fugêncio afirmou que a Salva de Prata que a instituição conquistou como vencedora do Prêmio Betinho deste ano vai trazer mais credibilidade e novas possibilidades de ampliar o trabalho junto à instituição.

“Vamos levar as discussões sobre gênero e raça que já fazemos para mais comunidades”, disse.

A importância da atuação das organizações da sociedade civil foi destacada pela presidente da sessão, Soninha Francine. “Precisamos reconhecer o trabalho que elas realizam junto a suas comunidades e apoiá-lo. O poder público precisa ser parceiro dessas iniciativas”, comentou.

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