Há espaço para o ensino religioso nas escolas?

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Há espaço para o ensino religioso nas escolas?

Para se aprofundar no tema, leia dois artigos, originalmente publicados na plataforma Educação&Participação, que discutem como abordar a religião na educação básica
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Por Stephanie Kim Abe

Em tempos de graves acusações de pastores tomando frente nas negociações com pequenas prefeituras para distribuição de recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) – que resultaram na exoneração do então ministro da Educação Milton Ribeiro do seu cargo – é espinhoso querer falar de religião na educação. 

Veja aqui posicionamento do Cenpec sobre o assunto

Mas não estamos falando de distribuição de bíblias em eventos oficiais do Ministério da Educação (MEC), como foi denunciado pelo jornal Estado de S. Paulo recentemente. Muito pelo contrário. É justamente para entender o lugar do ensino religioso na educação básica, garantindo o princípio da laicidade na educação, que o Portal Cenpec resgata dois artigos sobre a temática, originalmente publicados na plataforma Educação&Participação (Cenpec/Itaú Social).

No artigo Qual deve ser o lugar da religião na educação básica?, o cientista social Silas Fiorotti, pesquisador do CERNe­USP e coordenador do projeto de extensão Diversidade Religiosa em Sala de Aula, discorre sobre como abordar as religiões na escola, valorizando a diversidade religiosa e desconstruindo estereótipos, a partir de três questões básicas: 

Silas Fiorotti, autor em A Pátria
Foto: reprodução

Por que é fundamental abordar as religiões na educação básica?

– Por que é preciso definir de forma clara que tipo de ensino religioso será oferecido nas escolas?

Por que nem todo tipo de ensino religioso confessional fere o princípio da laicidade?

Silas Fiorotti

Ao respondê-las, o autor traz algumas bases legais que fundamentam o ensino religioso nas escolas brasileiras, alerta para o crescimento da intolerância religiosa no país, critica a falta de paradigma nacional para definir os conteúdos dessa disciplina e a(o) profissional habilitada(o) para ministrar essas aulas, e defende que o principal compromisso deve ser com a liberdade religiosa de estudantes e educadoras(es).

Leia na íntegra o artigo Qual deve ser o lugar da religião na educação básica?

Já o artigo Diversidade, religiosidade e reflexões em tempos de Covid-19, de 2019, foca nas possíveis implicações da lei que possibilita o ensino religioso na escola. Escrito por Regina Novaes, antropóloga e doutora em antropologia social, o texto retoma o histórico da expansão das religiões evangélicas pentecostais em território brasileiro e a queda no número de católicos, especialmente entre a juventude. 

A escola está diante de um campo religioso em movimento. Cada vez mais crianças, adolescentes e jovens vivem em famílias multirreligiosas. E, ao mesmo tempo, uma parte considerável dessa geração está em busca de sentido e de nova espiritualidade. Nada mais incoerente a escola só oferecer o que é conhecido e estabelecido no mundo das religiões”, escreve a autora.

Diante desse cenário, ela defende o papel da escola como espaço de diálogo e de valorização da diversidade. Para isso, é preciso envolver toda a comunidade escolar:

Diversidade, religiosidade e reflexões em tempos de Covid-19
Foto: reprodução

Discorrer teoricamente sobre diversidade cultural, diversidade ambiental, diversidade étnica ou linguística talvez seja mais fácil para um professor do que encarar a questão da diversidade religiosa. Assim sendo, a valorização da diversidade religiosa deve ser pensada como um desafio que exige um exercício cotidiano, constante e ininterrupto.

Portanto, uma postura desafiadora e vigilante em favor do reconhecimento da diversidade religiosa só pode ser proveniente de um pacto a ser feito no interior da comunidade escolar. Pacto esse que pode estar ancorado em uma simples e importante afirmação pedagógica: o encontro entre gente que pensa diferente é o que gera crescimento e introduz a possibilidade de desenvolvimento integral dos educandos.”

Regina Novaes

Leia na íntegra o artigo Diversidade, religiosidade e reflexões em tempos de Covid-19


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