CENPEC Educação apoia movimentos pelo adiamento do Enem 2020

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CENPEC Educação apoia movimentos pelo adiamento do Enem 2020

Manter o calendário da maior prova do país é ignorar a realidade de milhares de estudantes e aprofundar as desigualdades educacionais
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Por Stephanie Kim Abe

Em carta enviada no dia 18 de maio a representantes do legislativo, judiciário e outras autoridades do setor educacional, 57 entidades educacionais, entre elas grêmios de diversas escolas privadas e públicas, movimentos estudantis, cursos populares e instituições de educação, manifestaram seu apoio aos movimentos estudantis que pedem o adiamento do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), marcado para ocorrer nos dias primeiro e oito de novembro.

Na carta, também assinada pelo CENPEC Educação, as entidades apontam a desigualdade de acesso ao ensino remoto, atualmente a solução encontrada por escolas públicas e privadas para manter a continuidade dos cursos em meio ao isolamento social imposto pelas medidas de contenção da pandemia da Covid-19.

“Quanto às escolas públicas, vemos uma realidade de alunos e professores desatendidos, sem suporte para dar continuidade ao ensino nesse novo formato. Muitos jovens carecem de acesso à internet, livros didáticos ou ambientes apropriados para o estudo em suas residências”, explicam as entidades na carta.

Anna Helena Altenfelder, presidente do Conselho de Administração do CENPEC Educação, chama atenção, por exemplo, para o número significativo de alunos que não têm acesso à internet ou equipamentos para se inscrever na prova. “Sabemos que os professores e as escolas têm um papel muito importante no processo de informação, incentivo e viabilização da inscrição desses alunos no Enem”, explica.

A realização do Enem reforça e amplia a desigualdade educacional já existente – que nós sabemos que é marcada por território, por região geográfica onde o aluno mora, por nível socioeconômico, por capital cultural da família, por raça etc

Anna Helena Altenfelder

Clique aqui para acessar a carta


Mobilização estudantil

Desde que o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) e o Ministério da Educação anunciaram, no dia 31 de março, a manutenção do calendário de realização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), as entidades estudantis União Nacional dos Estudantes (UNE) e União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) se mobilizaram pedindo a suspensão do edital e o adiamento das provas.

A campanha #AdiaEnem tem gerado muita mobilização, não só entre estudantes, mas também com o apoio de universidades públicas e privadas, organizações da sociedade civil, políticos e celebridades, que se manifestaram nas redes sociais.

Para Anna Helena, é fundamental apoiar essa iniciativa que evidencia o protagonismo juvenil. “Observar os jovens que têm o privilégio garantido de estudar demonstrarem esse pensamento cidadão de solidariedade aos colegas que não têm essa oportunidade é um sopro de esperança nessa situação tão difícil que nós estamos vivendo”, diz.

Em consonância com as mobilizações, a Defensoria Pública da União (DPU) entrou, no dia 18 de maio, com um recurso no Tribunal Regional Federal (TRF) da 3ª região, pedindo a revisão da decisão do desembargador Antônio Cedenho, que derrubou a liminar favorável à revisão do calendário do Enem que já tinha sido obtida pela DPU em abril.


Possível mudança

Em nota também publicada no dia 18 de maio, o INEP disse que a divulgação das datas atuais “baseou-se na importância (…) de possibilitar a superação de diversas fases preparatórias à efetiva aplicação do exame”. O órgão também afirma que a nota não é “imutável”, sinalizando uma possível resposta favorável aos pedidos de adiamento.

O Senado deve votar o PL 1277/2020, apresentado pela senadora Daniella Ribeiro (PP-PB), que pede a prorrogação automática da aplicação de provas de acesso ao ensino superior, como o Enem, em casos de calamidade pública.


Arte: Karine Oliveira


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