O que é que a cidade tem?

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O que é que a cidade tem?

Autoria: Educação&Participação
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O que é?

Investigação sobre os serviços de educação, saúde, esporte e cultura oferecidos pela administração municipal para a população da cidade, especialmente crianças, adolescentes e jovens.

Material
  • Site da prefeitura do município.
  • Guia da cidade ou jornais locais.
  • Catálogos, revistas ou agendas com fotos de logradouros públicos da cidade.
  • Folhas de papel jornal.
Finalidade

Conhecer os investimentos feitos pelo poder público, em sua cidade, para o bem-estar da população que nela vive.

Expectativa

Saber onde e como encontrar informações sobre os serviços públicos de interesse; engajar-se em movimentos para a conquista de outros serviços importantes.

Público-alvo

Crianças e adolescentes

Espaço

Sala de aula, de atividades ou outro espaço com acesso a internet

Duração

1 encontro de aproximadamente 90 min.


Início de conversa

A cidade guarda potenciais educativos como espaços de cultura, de serviços, órgãos públicos, instituições, iniciativas dos moradores, ONGs, associações, cooperativas, ruas, praças e gente de todas as idades, crenças, ideologias, hábitos, identidades. Integrar esses diversos potenciais em uma rede é uma forma importante de garantir condições para o desenvolvimento integral dos sujeitos do território, especialmente crianças e jovens.

Biblioteca Comunitária do CIRANDAR, em Ilha Grande (RJ)
Biblioteca Comunitária do CIRANDAR, em Ilha Grande (RJ). Foto: Acervo CENPEC

Democratizar o acesso dos cidadãos aos recursos que a cidade lhes oferece exige, em primeiro lugar, conhecê-los. Com base em um mapeamento desses espaços e sujeitos, pode-se pensar em estratégias de uso da cidade como aprendizado e promoção da cidadania, especialmente para crianças e adolescentes, integrando serviços da educação, saúde, cultura e esporte.

Há um enorme potencial de realização em elementos que já estão presentes na própria comunidade, com suas vocações e suas possibilidades de interação. A cidade pode e deve ser compreendida como fonte de saber e espaço de intervenção cidadã, de exercício democrático e de equidade.

Cabe a nós, educadores, corresponsáveis pela educação dos jovens cidadãos, descortinar esse horizonte e ajudar a construir a cidade que atende, acolhe e educa, melhorando a relação entre os cidadãos e a cidade e, consequentemente, a qualidade de vida no bairro, na cidade e no mundo.


Como desenvolver?

Para esta oficina, peça que tragam revistas, agendas, catálogos ou jornais com fotos e notícias sobre a cidade.

Na conversa inicial, pergunte há quanto tempo moram na cidade e se acham que a conhecem bem.  Desafie-os a levantar o que existe de serviço público na cidade em relação à educação, saúde, esporte e cultura, fazendo um levantamento por vez.

Organize um cartaz para cada setor e vá registrando, conforme eles forem falando. Por exemplo:

  • educação: que escolas conhecem do ensino fundamental, médio, faculdades, universidades?
  • saúde: quantos e quais postos e hospitais conhecem?
  • esporte: quais são as praças, parques, piscinas e centros desportivos disponíveis para a população?
  • cultura: há cinema, teatro, grupos musicais, museus, centros culturais, apresentações artísticas?

Depois de feita a relação, forme duplas e oriente-os a entrar no site da prefeitura; cada dupla localizará uma das secretarias; poderá haver várias duplas com a mesma secretaria. Eles tentarão identificar as ofertas de serviços, a programação existente e registrarão em uma folha de sulfite para apresentar ao coletivo, posteriormente.

E se?
Se não houver disponibilidade de uso de computadores na organização, entre em contato com uma lan house ou outra instituição local, com a qual você pode fazer uma parceria, para uso do espaço e material, por aproximadamente uma hora e meia.

Em seguida, organize grupos com as duplas que visitaram os mesmos sites para que chequem as suas coletas e as complementem com nova pesquisa no guia da cidade ou nos jornais diários. Talvez eles precisem de sua ajuda para manusear esses recursos como localizar a página da programação cultural e esportiva, procurar por ordem alfabética etc.

Oficina de Grafitti com Lee 27, Mostra Hip Hop em Movimento, Salvador (BA), 2010
Oficina de grafitti com Lee 27. Mostra Hip Hop em Movimento, Salvador (BA), 2010. Foto: Wendell Wagner/Labfoto

Nesse momento, disponibilize para eles o material impresso que trouxeram sobre a cidade, com fotos trazidas dos locais de lazer, cultura, saúde e educação.

Dê um bom tempo para que consultem suas anotações e identifiquem as convergências, as complementações e mesmo as contradições entre as informações colhidas nas diferentes fontes. Eles também deverão escolher, dentre todas elas, as que socializarão com o grupo, em função dos interesses da idade.

Com as informações selecionadas e as fotos correspondentes, montarão um painel sobre o setor pesquisado para apresentar ao coletivo. Abra, então, a roda e peça para cada grupo apresentar o que encontrou. Registre as dúvidas que levantaram em relação a cada setor para, posteriormente, buscar esclarecimentos.

Avalie com eles onde há mais interesse em se aprofundarem e organizem uma lista, em ordem decrescente, para futuras visitas aos locais que mais despertaram curiosidade.

E se?
Se restarem com muitas dúvidas ou não conseguirem levantar as informações necessárias para entender como funcionam os serviços e como usufruir deles, marque visitas nas próprias secretarias, se o município for pequeno, ou nos órgãos regionais de representação do poder público.

Terminado esse momento, se o grupo for formado de crianças, convide-os a ouvir e cantar a música “A cidade ideal”, de Chico Buarque de Holanda. Se o grupo for de adolescentes, a música “A cidade”, de Chico Science, com o grupo musical Nação Zumbi.

Peça para, em pequenos grupos, desenharem, criarem quadrinhas poéticas, uma música ou encenarem como seria a cidade ideal para eles, crianças e adolescentes. Termine a oficina com a apresentação das produções.


Hora de avaliar

Sentados na roda, peça para se manifestarem a respeito do que descobriram nessa oficina: afinal, o que é que a sua cidade tem?

  • Tem escolas, universidades?
  • Tem hospitais, tratamento dentário?
  • Tem locais diversificados de cultura e esporte?
  • O que falta na cidade para atender aos cidadãos e, principalmente, o que falta para eles, crianças, adolescentes e jovens?
  • De que sentem falta?

Peça para darem uma nota de 0 a 10 à cidade.


Para ampliar

As crianças e os adolescentes poderão organizar entrevistas sobre alguns locais descobertos na pesquisa inicial e que despertaram interesse, com professores da escola que frequentam,  para aprofundarem o assunto e conhecerem melhor o que a cidade oferece para seus habitantes.

Que tal fazer essa parceria com a escola? Os estudantes ainda podem levar as produções realizadas na oficina para compor um grande painel na praça próxima, enviar à Câmara Municipal ou levar para divulgar num programa da rádio local.

Poderão também fazer um guia com os serviços e equipamentos pesquisados e, quem sabe, reproduzi-lo para que cada família receba um exemplar.

A circulação pela cidade é uma importante forma de se apropriar dos seus espaços. Como ampliação do repertório cultural do grupo, programem uma agenda de visitação por todos os locais considerados interessantes.


Referência

ALDEROQUI, S. (org). Ciudad e ciudadanos: aportes para la enseñanza del mundo urbano. Buenos Aires: Paidós, 2003.

ALVES, R. Aprendiz de mim: um bairro que virou escola. Campinas: Papirus, 2004.

CABEZUDO, A.; PADILHA, P.; GADOTI, M. Cidade educadora: princípios e experiências. São Paulo: Cortez, 2004.

GOULART, B. Centro SP: uma sala de aula. São Paulo: Peirópolis/Casa Redonda Produções Culturais. 2008.


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