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    Como apoiar a escola na transição entre etapas do Ensino Fundamental

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    A passagem dos anos iniciais para os anos finais do Ensino Fundamental é um momento importante na trajetória escolar. Nesse período, estudantes passam a lidar com novas dinâmicas na escola: mais professoras(es), diferentes componentes curriculares e rotinas mais complexas. Ao mesmo tempo, elas(es) também vivenciam mudanças próprias da transição da infância para a adolescência.

    Foi olhando para esse momento que o Cenpec lança a publicação Rito de Passagem – Diretrizes para a gestão escolar no atendimento ao período de transição entre os anos iniciais e finais do Ensino Fundamental. O material reúne reflexões, evidências e sugestões de práticas, construídas a partir da vivência no projeto Rito de Passagem, e visa apoiar diretoras(es) e coordenadoras(es) pedagógicas(os) na organização dos tempos e espaços da escola para uma transição mais acolhedora e que favoreça a continuidade das aprendizagens.

    🔗Acesse aqui a publicação

    Na publicação, será possível encontrar análises sobre os principais desafios educacionais que caracterizam esse período, articulada a dados da realidade brasileira e a conceitos que ajudam a compreender as transformações vividas pelos estudantes, dentro e fora da escola

    O documento também aprofunda uma reflexão sobre o papel da gestão escolar nesse período de transição e apresenta orientações práticas para apoiar as equipes gestoras, com propostas como: ações de acolhimento, análise da situação educacional das turmas, formação de professoras(es) e estratégias de fortalecimento do diálogo com famílias e com a comunidade escolar. 

    A experiência de implementação do projeto Rito de Passagem agrega aprendizados sobre como essas ações podem contribuir para reorganizar práticas na escola e apoiar gestoras(es) no acompanhamento desse momento de mudança na trajetória das(os) estudantes.


    Desafios da transição dos anos iniciais para os finais do Ensino Fundamental

    Os anos finais do Ensino Fundamental têm sido apontados por pesquisas e indicadores educacionais como uma etapa que exige atenção especial das políticas públicas. É nesse período que muitas(os) estudantes passam a enfrentar maiores dificuldades de aprendizagem, além de desafios relacionados à permanência e ao engajamento escolar.

    Segundo o Censo Escolar de 2024, na rede pública brasileira, a taxa de distorção idade-série passa de 12,6% no 5º ano para 17% no 6º ano, indicando um aumento significativo logo no início dessa etapa.

    Isso reforça a importância de políticas públicas que garantam continuidade no percurso formativo das(os) estudantes e apoiem as escolas na construção de práticas pedagógicas e de gestão capazes de responder às especificidades dos anos finais.

    Documentos orientadores da educação básica, como a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e as Diretrizes Curriculares Nacionais, também destacam a necessidade de promover maior articulação entre as etapas do Ensino Fundamental e de considerar o desenvolvimento integral das(os) estudantes, em suas dimensões cognitivas, sociais e culturais.


    Rito de Passagem: um projeto que fortalece a gestão escolar para enfrentar as desigualdades na transição entre etapas

    Entre julho e dezembro de 2025, o Cenpec desenvolveu o projeto Rito de Passagem em Pradópolis, interior de São Paulo, em parceria com o Instituto Phi. O objetivo do projeto foi, justamente, apoiar escolas dessa rede no planejamento e implementação de práticas que pudessem aprimorar a transição entre os anos iniciais e os anos finais do Ensino Fundamental

    Na prática, a iniciativa contribuiu para a implementação de um dos principais programas do Ministério da Educação (MEC) para enfrentar os desafios dessa etapa de ensino – o Programa Escola das Adolescências. Além disso, o projeto apresenta um ineditismo ao focalizar suas ações para a gestão escolar – isto é, diretoras(es) e coordenadoras(es) pedagógicas(os).

    Depoimento

    O investimento da escola no cuidado ao período de transição não está somente localizado no trabalho do professor. As mudanças necessárias para minimizar a ruptura entre os anos iniciais e os anos finais compreendem tanto questões pedagógicas, como aquelas relacionadas ao clima escolar e à organização institucional. Se queremos contribuir no desenvolvimento de processos mais participativos, acolhedores e inclusivos, com atenção à diversidade e singularidade dos estudantes, precisamos investir no exercício democrático da gestão escolar”, explica Luciana Franceschini, coordenadora de programas e projetos do Cenpec.

    O projeto Rito de Passagem foi estruturado em dois eixos de atuação. O primeiro consistiu em formações para as equipes gestoras da escola, com o intuito de fortalecer as capacidades das equipes para lidar com os desafios da transição. O segundo, por sua vez, dedicou-se à sistematização das experiências da rede, culminando na publicação de um material orientador, com referências e sugestões de práticas para apoiar escolas nesse processo de transição. 

    Em 2026, o projeto pretende avançar na análise e sistematização das escutas realizadas com estudantes da rede de ensino, a fim de construir com as equipes escolares, novas estratégias e planos de trabalho voltados à transição entre as etapas. 

    Para o Instituto Phi, o Rito de Passagem é um exemplo real de como a articulação entre a sociedade civil e o investimento social pode contribuir para a melhoria do ensino e da aprendizagem em escolas públicas do país.

    Depoimento

    No Phi, acreditamos que apoiar a educação é também fortalecer as pessoas e as redes que a sustentam no dia a dia. Por isso, foi especialmente relevante acompanhar o projeto Rito de Passagem, executado pelo Cenpec em Pradópolis (SP), voltado ao fortalecimento da atuação de gestores escolares na transição entre o Ensino Fundamental I e II. Os resultados evidenciam avanços consistentes na prática da gestão, no trabalho colaborativo em rede, na formação de professores e no uso de dados para apoiar a aprendizagem. Também se destacam ganhos importantes em inclusão e diversidade.
    Mais do que acompanhar um projeto, o Phi esteve ao lado de uma iniciativa que contribui para construir bases mais sólidas para a permanência e o desenvolvimento dos estudantes”,
    compartilha Luiza Serpa, Fundadora e Diretora Executiva do Instituto Phi.