A escola e famílias de territórios metropolitanos de alta vulnerabilidade social

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A escola e famílias de territórios metropolitanos de alta vulnerabilidade social

Artigo aborda práticas educativas de mães "protagonistas". Produto vinculado à pesquisa "Família, escola e território vulnerável"
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Este artigo faz parte de uma investigação mais ampla que buscou explorar as relações com a escola de famílias que vivem em territórios metropolitanos de alta vulnerabilidade social. O objetivo do texto é analisar os esforços educativos de um grupo de mães com características protagonistas na relação com a escola.

Estudos apontam a relação entre espaços marcados por desigualdades condicionadas pelo isolamento social, cultural e espacial de sua população a oportunidades educativas limitadas. Mas quais seriam os efeitos dessa relação sobre as famílias das crianças e jovens e suas expectativas escolares? Tendo em mente essa questão, a pesquisa que originou este artigo buscou explorar as complexas – e variadas – relações das famílias desses meios com a escola.

Para isso, os especialistas analisaram um grupo de 12 famílias moradoras de um território de alta vulnerabilidade social, situado na periferia da Zona Leste de São Paulo.

A análise apreendeu dois grupos de famílias, construídos de acordo com a
intensidade de seus esforços na escolarização dos filhos:
a) Famílias cujos esforços eram limitados pela precariedade das condições de vida e pela doença mental materna.
b) Famílias que realizavam esforços constantes e regulares, por meio da ação direta da mãe ou pela delegação a terceiros.

CARVALHO-SILVA, Hamilton; BATISTA, Antônio; ALVES, Luciana. A escola e famílias de territórios metropolitanos de alta vulnerabilidade social: práticas educativas de mães “protagonistas”. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, Anped, v. 19, n. 56, p. 123-253, jan./mar. 2014. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413-24782014000100007&script=sci_abstract&tlng=pt . Acesso em: 24 jul. 2019 (versões em português e inglês).


Este artigo é um dos produtos da pesquisa Família, escola e território vulnerável
Período de realização: 2011
Parceiro: Fundação Tide Setubal 

Ementa:
A pesquisa pretendeu trazer elementos para compreender como famílias residentes em territórios vulneráveis se relacionam com a escolarização de seus filhos. Para tanto realizou pesquisa de inspiração etnográfica junto a 12 famílias moradoras de um bairro de periferia da cidade de São Paulo. As mães foram as principais informantes. A metodologia de análise dos dados consistiu na construção de retratos sociológicos de cada uma das mães e numa análise transversal desses retratos.

Os resultados permitem concluir que as mães pesquisadas atribuem um grande valor à escolarização de seus filhos, embora o grau do envolvimento com essa escolarização seja dependente do grau de vulnerabilidade das famílias. Permitem também caracterizar esse tipo de envolvimento, os significados atribuídos à escola, e a natureza e os tipos de esforços realizados para assegurar a permanência na escola e uma escolarização mais longa, limitada, porém, em geral, pela conclusão do ensino médio.