Tô na Rede: inovação nas bibliotecas

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Tô na Rede: inovação nas bibliotecas

Daniela Greeb e Vanessa Labigalini
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Nosso objetivo é melhorar a vida de um bilhão de pessoas com pouco acesso à informação até 2030, criando 320 mil bibliotecas públicas no mundo, como espaços comunitários críticos, ativos e fornecedores de informação por meio de tecnologias relevantes.” (Programa Global Libraries)

O projeto Tô na Rede, parceria entre o Instituto de Políticas Relacionais (IPR), o Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP) e o Programa Global Libraries, da Fundação Bill e Melinda Gates, propõe aumentar o engajamento das bibliotecas públicas com a comunidade e o uso de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) pelos funcionários da biblioteca para melhor atender as necessidades de informação da comunidade. A metodologia do projeto é participativa, contando com o engajamento dos funcionários das bibliotecas e da comunidade na elaboração de um plano de atividades e de um Guia de Referência para que outras bibliotecas públicas do país repliquem a iniciativa.

A rede

O Instituto busca a percepção de valores, linguagens e ações, desenvolvendo a consistência entre eles no sentido da afirmação da vida, seja qual for a sua expressão.

O desenvolvimento do projeto se inicia com a formação das parcerias na criação de uma rede institucional com o objetivo de ampliar o engajamento de bibliotecas públicas do Brasil no atendimento e no diálogo com a população, sobretudo por meio de TIC. Um dos parceiros é o Instituto de Políticas Relacionais (IPR), Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) criada em março de 2004 que tem como objetivos fortalecer a organização da sociedade civil, considerando seus aspectos econômicos, sociais e suas diferentes culturas, e promover ações que gerem políticas públicas de inclusão Tendo como base a ideia de que a interação social é, inevitavelmente, mediada por conexões políticas, nem sempre conscientes ou desejadas pelos atores envolvidos, mas como resultados gerados por subjetividades dominantes, o Instituto busca a percepção de valores, linguagens e ações, desenvolvendo a consistência entre eles no sentido da afirmação da vida, seja qual for a sua expressão.

Nesse sentido, desde o início do século XXI, e na esteira de tempos voltados para o estreitamento das relações humanas, seja no âmbito da revolução tecnológica, seja no da compreensão do humano como ser repleto de diversidades, o IPR vem identificando necessidades de comunidades, órgãos públicos e empresas privadas e transformando-as em projetos e programas culturais e sociais que contemplam diferentes públicos em todo país. Sua atuação na difusão e democratização dos direitos humanos, com ênfase nos culturais, tornou o Instituto uma referência na garantia desses direitos e na promoção da emancipação dos povos. Para efetivar tais ações, estimula a criação de um espaço em que as diferenças apareçam e os conflitos sejam evidenciados, por meio de técnicas do psicodrama e de outras dinâmicas de grupo. O propósito de tais intervenções é provocar constante questionamento, propiciando movimentos de reflexão e flexibilidade entre os participantes e, em última instância, fortalecendo o exercício da cidadania e a formação de redes.

Oportunidades econômicas, educacionais, culturais e de saúde dependem cada vez mais do acesso à internet e da informatização. No entanto, mais da metade da população mundial não tem acesso ou conhecimento para navegar no mundo digital.

Outro parceiro é a Fundação Bill & Melinda Gates, cuja atuação está centrada, em nível global, nas áreas de saúde, desenvolvimento e políticas públicas, baseando-se na ideia de que todas as formas de vida têm o mesmo valor. Esse poderoso princípio orienta sua atuação em áreas nas quais pode ter maior impacto para reduzir a desigualdade, a fim de contribuir para um mundo onde cada pessoa tenha a oportunidade de viver de forma saudável e produtiva. O programa Global Libraries está vinculado à área de desenvolvimento global desta fundação. A ação deste programa começou nos Estados Unidos, há quase 20 anos, conectando mais de 10 mil bibliotecas públicas à internet, para facilitar o acesso à informação e às oportunidades que a conectividade e os recursos digitais tornam possíveis. A partir dos anos 2000, à medida que os trabalhos da Fundação se ampliaram, expandiu-se o Global Libraries, que passou a apoiar iniciativas de mais de 20 países em todo o mundo, com base na experiência implantada nos Estados Unidos.

Oportunidades econômicas, educacionais, culturais e de saúde dependem cada vez mais do acesso à internet e da informatização. No entanto, mais da metade da população mundial, a maioria de comunidades pobres, sobretudo rurais, não tem acesso ou conhecimento para navegar no mundo digital. Tendo isso em vista, a missão do programa Global Libraries é impulsionar a transformação das bibliotecas públicas em espaços que impulsionem o desenvolvimento das pessoas e de suas comunidades. Para isso, apoia instituições governamentais e outras organizações públicas ou privadas que busquem: expandir o acesso à informação por meio das tecnologias digitais em bibliotecas públicas; fomentar a inovação nesses espaços; capacitar e aumentar a liderança de profissionais de bibliotecas; e promover mudanças em políticas públicas que contribuam para desenvolver, fortalecer e modernizar esses dispositivos culturais.

Hoje, mais do que nunca, as bibliotecas públicas são agentes de mudança e constituem locais de acesso democrático à informação, ao conhecimento, à leitura e à cultura.

No Brasil, o programa conta com o apoio do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP) e patrocina organizações como o Instituto de Políticas Relacionais (IPR) no desenvolvimento das bibliotecas públicas. Fruto dessa parceria, o projeto Tô na Rede tem contribuído para a transformação de bibliotecas públicas em municípios como Arapiraca (AL), Belém (PA) e São Paulo (SP), aumentando e aprimorando a relação desses espaços com a comunidade e promovendo uma gestão participativa que permita a todo o seu quadro de pessoal conhecer as necessidades da comunidade para atendê-la da melhor maneira.

O uso das TIC disponíveis e as novas habilidades dos profissionais são atributos que não apenas melhoram a qualidade dos serviços oferecidos pelas bibliotecas, como também as transformam em espaços mais representativos de suas comunidades, acolhendo sua diversidade cultural e social. As bibliotecas públicas que participaram do projeto têm potencial para se tornar referenciais a outras bibliotecas do Brasil e da América Latina.

O papel das bibliotecas públicas e dos bibliotecários continua evoluindo, sobretudo com a tecnologia, tornando-se importantes espaços de aprendizagem, inovação e reunião, em vista de seu imenso potencial para responder às necessidades da comunidade. Hoje, mais do que nunca, as bibliotecas públicas são agentes de mudança e constituem locais de acesso democrático à informação, ao conhecimento, à leitura e à cultura. No Brasil, somos testemunhas do trabalho dessas bibliotecas no sentido de beneficiar milhares de pessoas com a oportunidade de viver de forma mais digna e plena.

O cenário

É inegável que estamos passando por mudanças em todas as áreas. O impacto das TIC é sentido sobre a sociedade em geral, seja no trabalho, seja no lazer e nas relações entre os indivíduos, principalmente na maneira como se comunicam. A utilização de tais tecnologias cria e recria modos de interação, identidades, hábitos sociais, enfim, formas de sociabilidade. As relações sociais já não ocorrem, necessariamente, pelo contato face a face entre os indivíduos. Elas passaram a ser mediadas pelo computador, independente de espaço e tempo definidos.

Tradicionalmente, as práticas dos bibliotecários se alicerçaram na organização e no tratamento técnico das informações em suportes impressos, localizados em centros de documentação e bibliotecas. Além disso, o lugar físico – a biblioteca – e os processos interativos desse profissional com os usuários da informação permitiram que se constituísse a identidade do bibliotecário, competências plenamente consolidadas e regulamentadas pelos estatutos da profissão.

O avanço das tecnologias de informação e comunicação e suas aplicações em diversas áreas, inclusive nas bibliotecas, possibilitou uma relação direta e interativa dos usuários da informação, tornando-os mais autônomos em relação aos serviços mediados pelos bibliotecários na busca da informação. A introdução das tecnologias altera as relações dos bibliotecários e suas práticas, trazendo mudanças na forma de sociabilidade e modificando o perfil desse profissional. Essas transformações fazem com que se reestruture ou se crie uma nova identidade coletiva do profissional. As mudanças tecnológicas e as novas sociabilidades acarretam uma nova forma de articulação, relação e apreensão do conhecimento por esses profissionais.

Entretanto, esse processo não é linear. Envolve uma complexidade de elementos e conflitos de diversas ordens. O redimensionamento dos papéis tradicionais no campo profissional e a desterritorialização do espaço físico na biblioteca no ciberespaço geram conflitos, desde a constituição da subjetividade desse especialista, até conflitos de competências com outras profissões. A percepção das formas interativas e a sociabilidade podem nortear o bibliotecário em direção a uma prática que o auxilie na construção da autoimagem e da sua imagem perante os outros, os cidadãos.

Reunião entre a equipe do projeto, funcionários de biblioteca e comunidade.

Dada a velocidade do cotidiano nas cidades, nos distanciamos uns dos outros, perdendo a intensidade que afirma nossas relações. Essa intensidade nas relações, quando visível, é atravessada pela violência, reagindo à ação de outros, diminuindo a sua potência, afirmando a morte, em vez de se manifestar positivamente, recriando o real, aumentando a sua potência e afirmando a vida. É da articulação do meio ambiente, das relações sociais, da subjetividade e da produção das nossas relações que determinamos nossa cultura.

O momento presente pede outra ótica, uma ética da inclusão responsável, na qual cada cidadão deseje atuar na construção de outro modo de encarar a cidade onde moramos, nossa vida, ou seja, nosso mundo.

Nosso trabalho com os grupos teve como objetivo trazer à visibilidade as diferenças de cada um, com base nas experiências de vida, a fim de reconhecer a existência do outro no mesmo espaço. A dinâmica tem três grandes pilares que nos indagam:
ética − quais são os valores de cada um?
política − que ações cotidianas refletem esses valores?
estética − qual é a forma de expressão dessas ações?
O momento presente pede outra ótica, uma ética da inclusão responsável, na qual cada cidadão deseje atuar na construção de outro modo de encarar a cidade onde moramos, nossa vida, ou seja, nosso mundo. Portanto, o momento exige mudanças nessa geografia mental, buscando a afirmação da vida em cada ato.

Nosso trabalho foi fazer a intersecção da geopolítica e da geografia mental, num locus, nas relações, fortalecendo as diferenças como forma de inclusão e a singularidade de cada um, afirmando sua cidadania. E mais, trazendo à visibilidade o cidadão, como protagonista da sua história. O exercício da cidadania nos mostra que o grupo é sempre protagonista da sociedade. É a relação da micropolítica com a macropolítica.

Neste contexto social, o protagonismo é uma ação fundamental para responder a problemas reais em que o cidadão é sempre o ator principal. O protagonismo identifica o cidadão como ator principal em ações que não dizem respeito só à sua vida privada, familiar e afetiva, mas a questões relativas à sociedade de forma mais ampla. A formação cidadã se faz necessária não só para a população das áreas de maior índice de vulnerabilidade como para todos que habitam a cidade e se responsabilizam por ela e pela potência da vida.

Tô na Rede – pontos de informação e comunicação em bibliotecas públicas

O principal objetivo do projeto é transformar as bibliotecas públicas em espaços dinâmicos e modernos de interação, criação e disseminação da informação, especialmente local. Utilizando metodologia participativa e programa adequado de treinamento, buscamos aumentar a capacidade de interação entre os funcionários de bibliotecas e suas comunidades, para que os bibliotecários entendam melhor as necessidades de informação e comunicação, o contexto de suas comunidades, bem como seus conhecimentos tecnológicos e suas habilidades. A finalidade é identificar parceiros centrais, que possam colaborar com a missão da biblioteca.

Encontro de formação Tô na rede

Para isso, serão promovidos acesso e uso de TIC em pontos de informação e comunicação, com espaços físicos específicos para instalação de equipamentos tecnológicos, que consistirão em áreas novas ou mais bem dimensionadas. O projeto terá como foco atrair jovens para as bibliotecas e trabalhar com eles para que suas atividades e os serviços estejam integrados com a agenda programática da biblioteca e da comunidade.

O projeto foi desenvolvido em três fases:
– 1ª fase − aumentar a habilidade de os bibliotecários se engajarem com a comunidade, entendendo melhor o contexto social, e utilizarem a metodologia participativa para estabelecer parcerias (governos locais, universidades, ONGs e etc.);
– 2ª fase − treinamento de bibliotecários e usuários para emprego de TIC em serviços de biblioteca, a fim de integrar melhor essas ferramentas no cotidiano;
– 3ª fase − análise de indicadores de avaliação para a criação de um Guia para recomendações do uso de metodologia participativa para gerar uma real mudança nos funcionários para melhorar os serviços de acordo com a demanda da população. Este guia será uma referência para outras bibliotecas replicarem a iniciativa.

O projeto piloto já foi realizado em nove bibliotecas públicas de três municípios: Arapiraca, no estado de Alagoas, Belém, no estado do Pará, e Campo Limpo Paulista, na região metropolitana de São Paulo.

O método: um modo de caminhar
Como diz Gandhi, “A paz é o caminho”. Ao adotar a metodologia do Psicodrama, o trabalho dá ao fato de que, num trabalho coletivo, o caminho não é uma linha reta e que há curvas tortuosas em seu desenvolvimento. O grupo é autor e ator da cena, como na vida. O objetivo mais amplo dessa metodologia é estimular que a comunidade assuma a responsabilidade por seus atos e socialize seus conhecimentos em rede, criando uma nova relação entre Estado, servidor público e cidadão. Com base numa perspectiva dialógica e crítica, os princípios metodológicos que adotamos são voltados à reflexão do aluno para o exercício de sua cidadania: problematização, discussão e não imposição de valores dos profissionais, estabelecimento do “contrato didático”, ou seja, das regras que permearam as relações nos grupos através das dramatizações, dinâmicas, discussões, vivências, planejamento de oficinas temáticas, palestras, depoimentos e diálogos com os alunos e movimentos organizados locais. Entre as atividades teóricas e práticas, estão: oficinas temáticas, palestras, vídeos, discussões em grupos depoimentos e visitas vivenciadas e planejadas por meio de dinâmicas de grupos, referenciadas em cada um dos bloco definidos abaixo, para desenvolver uma continuidade e apreensão dos conteúdos.

Planejamento a caminhada

Programa de atividades
Diagnóstico local
Bloco I – Autoconhecimento, O outro e a biblioteca
Bloco II – Workshop – Tecnologia da Informação e Comunicação − TIC 1
Bloco III − Ética e cidadania
Bloco IV – Reconhecimento de talentos
Bloco V – Conhecer para transformar
Bloco VI – Tecnologia da informação e comunicação – TIC 2
Bloco VII – Educomunicação
Encontro de parceiros da biblioteca − funcionários da biblioteca e associados se reunirão para dialogar sobre as propostas de sustentabilidade com parceiros a fim de realizar o Plano de atividades para a comunidade local.
Eventos temáticos no Tô na Rede de cada biblioteca − o conteúdo deste evento será organizado pela comunidade e pelos funcionários conforme temática local para o lançamento do Plano de Atividades que a biblioteca pública realizará.

Lançamento do Guia de metodologia participativa para replicar em bibliotecas públicas brasileiras
Os temas abordados tiveram como eixo condutor a metodologia do Psicodrama, que garantiu a participação de todos os envolvidos. Entendemos o Psicodrama como parte integrante do projeto socionômico de Jacob Levy Moreno.

Jacob Levy Moreno formou-se em medicina em 1917. Interessou-se pelo teatro, pois, segundo ele, “existiam possibilidades ilimitadas para a investigação da espontaneidade no plano experimental”. Fundou, em 1921, o Teatro Vienense da Espontaneidade, experiência que constituiu a base de suas ideias da Psicoterapia de Grupo e do Psicodrama.
A Socionomia é a ciência das leis sociais e das relações: “caracterizada fundamentalmente por seu foco na intersecção do mundo subjetivo, psicológico e do mundo objetivo, social, contextualizando o indivíduo em relação às suas circunstâncias.”
Disponível em: <febrap.org.br>. Acesso em: fev. 2016.

O método consiste em entrar dramaticamente em contato com as situações e extrair delas aquilo que sua natureza permite e que ainda não foi explorado. Isso ocorre por meio de exercícios e jogos, nos quais se descobrem tendências de mudança latentes na situação e que as pessoas envolvidas não estão percebendo. Trabalham-se essas tendências colocando o grupo em contato com o inusitado, para que conquistem um movimento relacional espontâneo com a nova situação.

O grupo: um processo pedagógico
Como afirma a sociopsicodramatista Marisa Greeb, o grupo é sempre visto da ótica caleidoscópica:

O mundo olhado desta ótica consiste em movimento, deslocamento, surpresa, beleza. De suspense e de riso. De medo, insegurança, ansiedade, angústia… O trabalho acontece em grupos, num constante movimento de ação-reflexão, visando a pesquisa, a compreensão e a intervenção espontânea e criativa nessas dinâmicas, para se desenvolverem das tramas que podem dificultar as novas ações, e mais especificamente, facilitar a percepção – dos jogos que não percebemos, das cenas que nos são negadas e dos papéis que nos atribuem… ,– recriando o real através do psicodrama. O próprio envolvimento e proximidade necessários na comunidade, contraditoriamente, impedem que a população tenha distanciamento suficiente para captar pela dinâmica consciente, dados subjacentes, levando a uma visão parcial e tomada como se fosse completa. Há peças nesse quebra cabeças que não se mostram tão facilmente a olho nu… Esses dados, quando percebidos e rearticulados, deverão dar aos problemas uma nova configuração que, provavelmente, apontará para soluções que não podiam ser vistas anteriormente.”

Tecendo a rede

Os facilitadores: características fundamentais
O facilitador deve estar atento e se identificar com as pessoas do grupo. Deve ter clareza de seu papel, ou seja, que é um cidadão, que sua função naquele grupo é profissional e social. Deve saber identificar os diferentes papéis que pode exercer para o desenvolvimento do grupo. O facilitador é um intercessor social, atuando como coordenador de grupo. Ao mesmo tempo que se envolve inteiramente com as questões do grupo, é necessário que ele se desenvolva possibilitando sua intervenção adequada, caso contrário pode se misturar e se ver como mais um integrante do grupo, perdendo a função de coordenador. Nessa metodologia, quanto mais invisível for a atuação do facilitador, maior será a possibilidade de o grupo se tornar visível.

Monitoramento e avaliação de redes
Para o monitoramento de redes, é necessário definir alguém ou um grupo que acompanhe a dinâmica da rede. Existem ferramentas apropriadas que mensuram de forma objetiva os movimentos dos participantes. Mesmo assim, é importante o diagnóstico humano, sensível às subjetividades. Os participantes possuem valores e objetivos comuns, porém, dinâmicas diferenciadas de trabalho. O todo e os pontos da rede devem ser igual e paralelamente considerados. É o movimento entrecruzado e de diversos pontos que constitui e legitima a rede.

Consolidar a Rede significa avançar em produção, disponibilização de informações e ampliação do de atores e beneficiários reunidos com uma iniciativa, para que os conhecimentos produzidos e apropriados possam ir além dos contornos institucionais já estabelecidos. A Rede ganha expressão e legitimidade na medida em que suscita o interesse dos integrantes originais e de novos atores em participar e contribuir para o seu desenvolvimento. Alguns indicadores básicos para o monitoramento das redes:
– participação − indica a consolidação do ambiente de rede – o reconhecimento, a utilidade e a legitimidade da rede, levando em conta as interações e a colaboração entre os atores;
– geração e troca de conteúdos − indica a intensidade da produção e da troca de informações e conhecimentos;
– interatividade e conectividade − indica se os fluxos de informação convergem entre si e para o objetivo apontado, levando-se em conta a intencionalidade da rede e os interesses dos integrantes;
– adesão − ampliação da rede (novos atores).

As ferramentas que facilitaram nosso trabalho em rede foram as TICs disponíveis: WhatsApp, Facebook, Google, entre outros.Implantamos pontos de informação e comunicação nas bibliotecas públicas para a continuidade da rede com fácil acesso a internet, wi-fi, equipamentos e programas e aplicativos de última geração. Esses pontos se concretizaram em áreas de encontro da rede.

Vozes na rede
Como no psicodrama acreditamos que o palco é o lugar por excelência de quem é protagonista deste trabalho, vamos destacar dois depoimentos de quem vivenciou o Tô na Rede:

Wilma Maria Nóbrega Lima, Arapiraca (AL)
O Tô na Rede veio para mexer conosco, com nossas condutas diante dos nossos “agentes culturais”, “leitores, leitoras”, qualquer que seja a denominação. Como nos portamos como bibliotecários, regentes de bibliotecas públicas, coordenadores pedagógicos, diante do nosso público e sociedade? Um novo olhar sobre nossa atuação enquanto profissionais da In(formação). Onde estava a comunidade? Vimos atentos às suas demandas? Seus encantos e saberes foram convidados para dentro de nossas bibliotecas? Somos onze unidades com suas equipes participando das formações; portanto, temos que focar no principal objetivo de todo esse esforço. Seja Arapiraquinha, seja Biblioteca Central, seja a Indústria do Conhecimento, já entendemos que nossas bibliotecas precisam estar ABERTAS e nós, mais ABERTOS ainda, ao novo, às demandas de todos os gêneros e idades. Somos modelo em rede de bibliotecas públicas. Mas, somos mesmo uma rede? Para uma Arapiraca mais leitora, por uma política pública municipal de livro, leitura, literatura e bibliotecas, falta muito!
Falta nossa união, compartilhar saberes e experiências, reconhecer que nossas fachadas são lindas, mas nosso interior precisa ser revisto, com pessoal qualificado, com manutenção garantida, com uma política de coleções, com equipamentos funcionando de fato… enfim, isso não se consegue num passe de mágica, mas a médio prazo, e se depender da nossa força e empenho, como vimos nas formações, a um prazo bem menor podemos mudar essa realidade. Gente, esse curso é participativo. Todos têm o direito de falar, expressar sua opinião, desenvolver seus talentos, compartilhar e reconhecer a realidade e condições de trabalho. Só assim poderemos detectar problemas e buscar alternativas para soluções que estejam – ou não – ao nosso alcance. Trabalhar em rede é isso aí!

Érica Fernanda dos S. Souza, Belém (PA)
Eu trabalho na Fundação Cultural do Pará, na catalogação. Eu entrei no Tô na Rede em 2014, meados de novembro para dezembro, e comecei fazendo o bloco referente ao mapeamento. Então, logo no começo eu já estava conhecendo um pouco mais sobre o objetivo do projeto, que é, justamente, o de promover um melhor acesso à informação – fazer com que a biblioteca possa ir mais longe e facilitar o acesso à informação para a comunidade de fora da biblioteca. Para mim, o Tô na Rede foi um divisor de águas na minha vida. Eu acredito que, além de promover um melhor acesso à informação, o projeto também teve o sentido de tornar a comunidade mais próxima. Você só precisa estender a mão, dar um voto de incentivo às pessoas da comunidade, que você vai descobrir e conseguir muitas coisas, não só na questão profissional, mas também no desenvolvimento pessoal – vai conseguir ir além daquilo que pretendia. Com o projeto Tô na Rede, eu aprendi que estender a mão é um fator muito importante, e se torna algo muito forte quando você quer ajudar. Pode ser uma coisa muito simples… Pode ser ensinar alguém a ler, ou, na biblioteca, incentivar a pessoa a abrir um livro, mostrar esta possibilidade para ela.Basta você dar uma oportunidade para as pessoas que você vai acabar se encantando com elas. E eu quero que esse projeto permaneça, e vá muito além.

Rosinalva Farias, Arapiraca (AL)
Quando comecei a fazer esse projeto me sentir como um passarinho voando sem saber onde pousar. Mas vi que não era do jeito que eu estava pensando eu me sentir a entender depois do mapeamento foi um trabalho muito importante onde eu consegui a entender o trabalho Tô na Rede, onde saímos pesquisando a cada pessoa e vi a importância desse trabalho as pessoas maravilhosas onde também vi o olhar de cada um a alegria que eles tinham em nos receber e falar de seus trabalhos isso é insignificante. Depois de tudo pronto me sentir uma pessoa com conhecimentos e saber trabalhar e levar tudo que aprendi para meus alunos. Tô na Rede foi o melhor curso que fiz e saber que os nossos profissionais se preocupavam com o nosso trabalho e deixou todos nós com o olhar diferente. Pra mim foi o melhor curso que fiz.

Encontro de dois.
Olho no olho.
Cara a cara.
E quando estiveres perto,
eu arrancarei os teus olhos,
e os colocarei no lugar dos meus.
E tu arrancarás os meus olhos,
e os colocarás no lugar dos teus.
Então, eu te olharei com teus olhos,
e tu me olharás com os meus”
Moreno, criador do psicodrama

Informações gerais
Global Libraries − Fundação Bill & Melinda Gates
http://www.gatesfoundation.org/What-We-Do/Global-Development/Global-Libraries https://www.facebook.com/billmelindagatesfoundation
Instituto Políticas Relacionais
www.relacionais.org.br
Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas
www.snbp.bn.br
Coordenação − Instituto de Políticas Relacionais
Daniela Greeb (Coordenadora Geral) e Vanessa Labigalini (Coordenadora Pedagógica)
– tel.: 11 3063-2464

Convidamos você a participar desta rede. Acompanhe o projeto e suas diferentes vozes pelas mídias sociais. Acesse https://www.facebook.com/tonaredeorg/ ou www.tonarede.org.br.


Daniela Greeb

Bacharel em Serviço Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Especialista em Sociopsicodrama pela Role Playing − Pesquisa e Aplicação e Gestora Social – Comunidade Solidária. Especialista em mobilização e elaboração e gestão de projetos culturais e sociais.

Vanessa Labigalini

Bacharel em Serviço Social pela PUC-SP. Radialista/psicodramatista pela Role Playing – Pesquisa e Aplicação. Diretora de TV/Produção de vídeo e rádio. Apresentadora e Diretora de programas de rádio. Editora de texto, coordenadora e diretora de externas e switcher.