Metodologias ativas: como inovar na sala de aula e envolver mais os(as) alunos(as)

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Metodologias ativas: como inovar na sala de aula e envolver mais os(as) alunos(as)

Entenda o que são, como funcionam e como implementar as metodologias ativas na sua prática pedagógica
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Por Stephanie Kim Abe

Pensamento científico, crítico e criativo, comunicação, cultura digital, argumentação, autoconhecimento, cooperação, empatia, responsabilidade e cidadania. Essas são algumas das dez competências gerais que todos(as) alunos(as) devem desenvolver durante a Educação Básica, de acordo com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Mas de que forma podemos realizar processos de aprendizagem que contemplem esse desenvolvimento?

No texto “Mudando a educação com metodologias ativas”, o professor doutor da Universidade de São Paulo José Moran defende que:

“As metodologias precisam acompanhar os objetivos pretendidos. Se queremos que os alunos sejam proativos, precisamos adotar metodologias em que os alunos se envolvam em atividades cada vez mais complexas, em que tenham que tomar decisões e avaliar os resultados, com apoio de materiais relevantes. Se queremos que sejam criativos, eles precisam experimentar inúmeras novas possibilidades de mostrar sua iniciativa”.

São as chamadas metodologias ativas que melhor se encaixam nesse movimento. Elas são estratégias que colocam o aluno no centro do processo de aprendizagem, e que utilizam uma diversidade de recursos (principalmente tecnológicos), em uma tentativa de experimentar diferentes formas de se aprender.


Centralidade no aluno

Beatriz Cortese, gerente de Tecnologias Educacionais do CENPEC Educação, ressalta que o conceito de aluno ativo no processo de aprendizagem não é novo:

Imagem de Beatriz Cortese, gerente de Tecnologias Educacionais do CENPEC Educação,
Imagem: Reprodução.

O próprio conceito de aprendizagem pressupõe que quem está aprendendo tem que ter uma atividade intelectual. Se ele não é ativo nesse processo, ele não aprende, a aprendizagem não acontece. A diferença da metodologia ativa é que você não fala para o aluno como ele deve proceder para, mas deixa que ele perceba e vivencie as etapas para chegar em determinada conclusão ou desafio. As metodologias ativas explicitam o processo de aprendizagem do aluno para o aluno

Beatriz Cortese, gerente de Tecnologias Educacionais do CENPEC Educação

As metodologias ativas buscam dar conta dos estilos de aprendizagem de cada um, criando envolvimento e participação ativa.

Neste vídeo do Desafio Inova Escola, a especialista Adriana Martinelli explica o que são as metodologias ativas e como implementá-las na prática docente:


Exemplos de metodologias ativas

Na chamada sala de aula invertida, em vez de os(as) professores(as) explicarem os conceitos básicos em classe, em uma aula expositiva, para depois os(as) alunos(as) se aprofundarem no tema em casa, este processo é invertido.

O(a) professor(a) faz uma curadoria de textos, vídeos, artigos que são explorados em casa pelos(as) alunos(as) – e que são encorajados(as) também a pesquisar sobre o tema da aula, trazendo suas contribuições. O tempo em sala de aula é utilizado então em atividades de debate e reflexões sobre as informações coletadas. O(a) professor(a) pode propor questões mais complexas, ou até desafios.

Propor desafios que tragam aspectos lúdicos ao processo didático, tornando o aprender uma espécie de jogo, é conhecido como gamificação. Essas atividades costumam engajar os(as) estudantes, por trazerem uma dinâmica mais prazerosa à aprendizagem.

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Para contemplar as diferentes maneiras que cada estudante aprende e a diversidade de materiais disponíveis, a rotação por estações pode ser uma boa saída. Nela, os(as) alunos(as) são separados(as) em grupos (estações) que vão realizando, concomitantemente, diferentes atividades sobre o mesmo tema: enquanto uns assistem um vídeo, outros realizam entrevistas ou escrevem um artigo.

A aprendizagem baseada em projetos parte da identificação de um problema real (pessoal, da sala de aula, da escola, da comunidade), a partir do qual os(as) estudantes realizam pesquisas e investigações para buscar soluções. Para isso, trabalham em grupo e precisam pensar de forma interdisciplinar para aliar teoria com prática na procura de respostas criativas.


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Outra maneira de estimular a relação teoria e prática é na aprendizagem mão na massa, com atividades de experimentação tecnológica ou de linguagens. É o caso de desconstruir objetos tecnológicos, por exemplo. Nessa estratégia, o erro é central para o processo de aprendizagem.

“O erro é o maior canal para essa comunicação acontecer. O erro pode promover muitos avanços para o processo de aprendizagem. E depende de você, professor, fazer as perguntas, e as provocações certas ao seu aluno, no momento que o erro acontece, para tornar esse momento, de ainda mais aprendizado e reflexão”, diz a especialista Juliana Ragusa, em vídeo do Desafio Inova Escola sobre o tema.

Entenda mais sobre os princípios da educação mão na massa e como educadores(as) podem desenvolvê-la em sua prática pedagógica neste vídeo:


Boas iniciativas Brasil afora

Ainda que não sejam tão conhecidas ou difundidas nas escolas brasileiras, existem professores e professoras realizando boas iniciativas de uso das metodologias ativas em diferentes regiões do Brasil.

No Mapa de Experiências Inovadoras, do Desafio Inova Escola, é possível conhecer experiências de inovação educacional desenvolvidas em diversos estados. O projeto, da Fundação Telefônica Vivo com coordenação técnica do CENPEC Educação, busca subsidiar a construção de um plano de inovação da escola, com o objetivo de solucionar um desafio real, vivenciado pela própria equipe e/ou pela comunidade escolar.

O Prêmio Respostas para o Amanhã desafia estudantes do Ensino Médio e professores(as) das redes públicas a desenvolverem soluções sustentáveis e criativas para problemas locais por meio da experimentação científica tecnológica desenvolvida em grupo.

Iniciativa global da área de Cidadania Corporativa da Samsung, com a coordenação técnica do CENPEC Educação, ele utiliza a abordagem STEM (sigla em inglês para ciência, tecnologia, engenharia e matemática) para despertar o interesse de estudantes por essas áreas do conhecimento, de modo que as carreiras científicas e tecnológicas sejam alguns de seus possíveis projetos de vida.

“Uma característica muito importante das metodologias ativas é que elas fazem os jovens ressignificarem o papel da escola, a partir do momento que eles entendem que precisam aprender certos conteúdos para criar soluções para problemas da comunidade ou da escola. Eles enxergam uma possibilidade de mudança efetiva, a partir do aprendizado”, diz Beatriz Cortese.

Ao trazer mais participação por parte dos(as) estudantes, e contextualizar o conteúdo para a realidade, as metodologias ativas têm muito potencial para trazer mais atratividade e engajamento ao Ensino Médio.

“Eu acho que é possível sim construir um currículo bem diferenciado para o Ensino Médio. As metodologias ativas devem estar presentes de uma forma bem grande, com um potencial muito grande para promover esse aluno mais protagonista, que está à beira de entrar no processo de um ensino mais formal, o ensino superior ou o mercado de trabalho”, diz Adriana Martinelli, consultora em Educação, em vídeo sobre aprendizagem criativa do Desafio Inova Escola.


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Desafios de implementação

Por trazer um processo de aprendizagem mais aberto e menos controlado, as metodologias ativas se mostram um desafio para muitos(as) docentes. Além de não terem tido experiências de aprendizado nesse sentido, eles(as) precisam organizar tempo e currículo de maneira diferente.

“É mais fácil para o professor ter o controle sobre a aprendizagem dos alunos quando ele determina as etapas e os processos. Quando isso fica mais na mão do aluno – que é a proposta da metodologia ativa -, ele tem que ter muita clareza do objetivo de ensino, para garantir que pode deixar uma parte desse processo na mão do aluno, e que, de fato, até o final do ano ele aprenda tudo o que precisava aprender”, explica Beatriz Cortese, gerente de Tecnologias Educacionais do CENPEC Educação.

Outro entrave é a questão da formação de professores(as). Para Ana Cecília Chaves Arruda, coordenadora do Prêmio Respostas para o Amanhã e do Prêmio Desafio Inova Escola pelo CENPEC Educação, mais do que saber o que são e como funcionam, os(as) docentes precisam se apropriar dessas metodologias.

Imagem de Ana Cecília Chaves Arruda, coordenadora do Prêmio Respostas para o Amanhã e do Prêmio Desafio Inova Escola pelo CENPEC Educação.
Imagem: Arquivo Pessoal.

É uma equação, do ‘o que’, ‘quando’ e ‘como’. Os professores precisam escolher qual metodologia ativa usar para uma determinada situação, que seja melhor para aquele grupo, naquele momento, para atingir aquele resultado. Mais do que um trabalho que acontece individualmente em sala de aula, as metodologias ativas deveriam ser incorporadas dentro do currículo da escola, para terem resultados mais efetivos

Ana Cecília Chaves Arruda, coordenadora do Prêmio Respostas para o Amanhã e do Prêmio Desafio Inova Escola pelo CENPEC Educação

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