Desigualdades educacionais na aquisição da Língua Portuguesa

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Desigualdades educacionais na aquisição da Língua Portuguesa

Em artigo da revista Na Ponta do Lápis, a professora doutora Ana Lorena Bruel reflete sobre o entrecruzamento das diferentes desigualdades
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Por Stephanie Kim Abe

Quais as relações entre desigualdades educacionais e sociais? Como são produzidas essas desigualdades? Quais os impactos que as desigualdades educacionais têm sobre a vida das pessoas? 

Esses questionamentos servem de pontapé para as reflexões do artigo Desigualdades educacionais sob a perspectiva de aquisição da língua portuguesa: o que dizem os dados das avaliações externas?, de Ana Lorena Bruel, professora doutora do Programa de Pós-Graduação em Educação na Universidade Federal do Paraná (UFPR).

No artigo, publicado na edição de agosto de 2021 da revista Na Ponta do Lápis, produzida pela Programa Escrevendo o Futuro, ela escreve que:

… as desigualdades se entrecruzam, se multiplicam e são cumulativas, produzindo desvantagens que atravessam diferentes esferas da vida. Assim, as desigualdades educacionais não são monolíticas, imutáveis ou blindadas em relação a outras desigualdades, ao contrário, são permeáveis, dinâmicas, possuem uma face objetiva e outra subjetiva, estão em constante interação e podem ser ampliadas ou reduzidas diante de políticas e ações que atuem sobre sua produção.”

Ana Lorena Bruel

A autora parte para uma explicação das diferentes desigualdades educacionais que podemos constatar: de acesso à escola, de permanência, de fracasso escolar, de conclusão da escolaridade, de financiamento, de condições materiais e infraestrutura escolar, de formação e valorização de profissionais da educação etc. 

Para enfrentar essas múltiplas desigualdades, é preciso entender como elas se acumulam, saber mensurar seus impactos e refletir sobre as melhores formas de combate-las. No presente artigo, a professora Ana se utiliza da análise dos dados de Língua Portuguesa de estudantes do ensino médio do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) de 2019 para exemplificar possíveis formas de analisar os efeitos das desigualdades sobre o desempenho de estudantes em avaliações de larga escala.

Ressaltando a importância de contextualizar os dados dessas avaliações, ela mostra as desigualdades de rendimento de estudantes matriculados(as) em escolas de diferentes dependências administrativas, de estudantes de diferentes raças e de condições de acesso a equipamentos tecnológicos e conectividade. Ela mostra, assim, como as desigualdades educacionais se entrecruzam com as sociais e se acumulam.

Para a autora:

O enfrentamento e a superação das desigualdades educacionais exige o reconhecimento das desigualdades e dos processos de produção dessas desigualdades, exige a defesa intransigente de igualdade e equidade na oferta educacional, garantindo que os estudantes que apresentam maiores demandas, em condições de maior vulnerabilidade, tenham acesso a mais oportunidades e a estratégias de ensino adequadas às suas necessidades.”

Ana Lorena Bruel,

O artigo também traz referências bibliográficas e alguns outros materiais, como documentários, filmes e séries, que trazem reflexões sobre a temática das desigualdades educacionais.

Acesse a revista para ler o artigo na íntegra


Para explorar: Painel de desigualdades educacionais no Brasil

No Painel de desigualdades educacionais no Brasil, lançado pelo Cenpec no mês passado, é possível explorar mais o assunto por meio de dados e análises sobre a temática. Atualmente, o Painel interativo oferece dois tipos de dados: sobre permanência escolar em diferentes contextos (reprovação, distorção idade-série e abandono escolar), e sobre formação inicial docente no Brasil. 

Os dados sobre permanência escolar são apresentados em uma série histórica, de acordo com filtros de perfil do estudante (sexo e raça/cor declarados), contexto escolar (dependência administrativa, etapa de escolarização e série escolar) ou contexto do território (unidades da federação e localização rural ou urbana). Com base nesses marcadores, é possível ter uma dimensão do progresso no sistema de ensino e como esses fenômenos produzem e perpetuam as desigualdades educacionais.

O Painel é uma iniciativa do Cenpec para ajudar a tornar essas informações mais acessíveis às famílias, estudantes, professoras e professores, gestoras e gestores educacionais, pesquisadoras e pesquisadores e outras pessoas interessadas no tema.

Saiba mais sobre o Painel


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