Crenças dos professores sobre reprovação escolar

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Crenças dos professores sobre reprovação escolar

CENPEC. Boletim Educação&Equidade n. 3. São Paulo, dez. 2016. Reprovação escolar: adesão depende das crenças que o professor tem sobre avaliação e justiça e do acesso a pesquisas sobre o tema
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Os professores mais favoráveis à reprovação tendem a aderir de conceitos específicos sobre avaliação e justiça escolar. Em relação à justiça na distribuição do conhecimento, esses educadores geralmente consideram que os alunos devem receber o mesmo tratamento, independentemente da origem social, e ser reconhecidos segundo o talento ou mérito. Quando se trata de avaliação, em geral optam pela avaliação normativa, que compara o desempenho individual em relação ao grupo.

Essa é uma das conclusões da pesquisa Crença de professores sobre reprovação escolar, desenvolvida pelo CENPEC com professores de ensino fundamental e médio de todo o país. Participaram do estudo investigativo docentes que, em 2014, participaram de um programa de formação de professores de escolas públicas desenvolvida pela OSCIP. No caso dos anos finais dos ensinos fundamental e médio, a amostra apresenta apenas professores de língua portuguesa.

O estudo feito no Brasil é parte de um projeto internacional coordenado pelo pesquisador belga Marcel Crahay, da Universidade de Genebra, Suíça. O projeto buscou entender as concepções acerca de ensino-aprendizagem e princípios de justiça e avaliação associadas às crenças de professores sobre reprovação.

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CENPEC. Boletim Educação&Equidade n. 3. São Paulo, dez. 2016.


Esta publicação é um dos produtos da pesquisa Crenças dos professores sobre reprovação escolar
Período de realização: 2014 a 2017
Parceiros: Universidade de Genebra, Universidade de Liège e Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)

Ementa
A pesquisa teve como objetivo identificar vínculos entre as crenças de professores da Educação Básica a respeito da reprovação escolar. O projeto se inseriu em uma pesquisa liderada por Marcel Crahay, da Universidade de Genebra.

A metodologia consistiu na aplicação de questionário on-line com quase 5,5 mil professores que lecionam língua portuguesa em escolas públicas de todo o país. A partir dos dados, foram discutidas possíveis relações entre crenças sobre reprovação, crenças acerca de princípios de justiça e avaliação e o conhecimento de professores a respeito de resultados de pesquisas sobre efeitos da reprovação. Buscou-se, ainda, explicitar características do perfil dos professores que podem influenciar sua adesão à reprovação.

Concluiu-se que professores que aderem à reprovação tendem a seguir o princípio de justiça meritocrático e a avaliação normativa. Ter mais tempo de experiência docente, não lecionar nos anos iniciais do ensino fundamental, conhecer pesquisas sobre o tema, e ter mestrado e doutorado caracterizam os professores que discordam da reprovação ou a problematizam.