A comunidade que queremos

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A comunidade que queremos

Autoria da oficina: Educação&Participação
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O que é?

Representação da comunidade desejada por meio de diferentes linguagens.

Material
  • Folhas de papel pardo e de sulfite.
  • Lápis e canetas hidrocor.
  • Pastas com plásticos.
  • Máquinas fotográficas ou celulares com câmera e gravador.
  • Prancha de madeira de aproximadamente 40 cm.
  • Sucata (palitos de sorvete, potinhos de iogurte, pedaços de tecido, palha etc.).
  • Revistas.
  • Tesouras.
  • Baú com roupas e adereços.
Finalidade

Desenvolver o olhar crítico sobre o território; identificar demandas locais; mobilizar recursos para buscar soluções responsáveis e criativas; desenvolver o compromisso com o coletivo.

Expectativa

Aprender a observar o que está à sua volta e a registrar; saber expressar seus desejos e ouvir os desejos do outro; negociar e pactuar procedimentos para atuar em equipe.

Público

Crianças a partir de 9 anos e adolescentes

Espaço

Ambiente aberto ou sala da instituição

Duração

2 encontros de aproximadamente 1h30

Início de conversa

Conhecer o lugar onde onde vivemos, trabalhando, estudando, divertindo-nos ou nos comunicando, é fundamental para desenvolver nossa consciência social e nos situarmos no mundo, porque o território medeia a relação do indivíduo com a vida.

Para construir a representação de si mesmo e do mundo, é preciso considerar, problematizar e refletir sobre os conteúdos de suas vivências no contexto pessoal, interpessoal e social. É o estabelecimento de nexos entre as circunstâncias da vida pessoal e as do contexto mais amplo que permite a representação e a compreensão de si mesmo e do mundo, o que propicia um leque maior de possibilidades de escolha para o sujeito.

Propor às crianças e adolescentes apurar o olhar sobre o seu entorno contribui para que desenvolvam a sensibilidade e a crítica, promovendo reflexões sobre o que existe, o que não existe e o que pode vir a existir e desfazer, por meio dessas reflexões, preconceitos e discriminações.

Estimular que as novas gerações olhem para seu território também nos permite conhecê-las melhor, conhecer melhor os espaços onde vivem, as práticas culturais que são significativas para eles, as variáveis que nesse lugar participam de sua vida e a relação que têm com ele:

  • Como veem seu território?
  • Como se relacionam com ele?
  • O que mais valorizam?
  • Que sonhos e anseios têm de transformação?

O conhecimento do território onde vivemos ainda nos propicia conhecer o potencial educativo da comunidade, que pode ser acionado na elaboração de projetos socioeducativos conjuntos.

Na prática

Sugestão de encaminhamento

1º encontro: Percorrendo trajetos na comunidade real
Converse com o grupo sobre o trajeto que fazem diariamente para vir à ONG/ escola: o que veem no caminho; o que gostam de olhar quando estão caminhando e de que não gostam; os trajetos que fazem nos finais de semana. O que veem neles, as mesmas coisas ou coisas diferentes?

Distribua duas folhas de papel sulfite para cada um desenhar, respectivamente, os seus trajetos diários de casa à instituição e os de final de semana, utilizando pontos de referência como igrejas, escolas, parques, rios ou córregos. Guarde esses registros.

Proponha uma atividade para que, em grupos, percorram esses trajetos, para ver se descobrem neles mais coisas do que já conhecem. Faça os combinados para a saída.

Será interessante prepararem também algumas perguntas para entrevistarem, durante o percurso, alguns moradores e pessoas que encontrarem pelo caminho (de três a quatro), para saberem a sua opinião sobre o bairro:

  • Gostam dele?
  • De que gostam? 
  • De que não gostam?
  • De que acham falta?
  • O que mudariam? 
  • Como gostariam que ele fosse?

Para evitar atropelos, proponha que se revezem nas perguntas. Importante gravarem as entrevistas como documento. No dia programado, forme grupos de idades variadas para que, em 4 ou 5, acompanhados de um adulto, educador ou familiar, circulem pelos trajetos que fazem diariamente (vários trajetos ou partes do trajeto provavelmente coincidirão), e façam algumas paradas , duas ou três, para registrar o que veem pelo caminho.

A decisão sobre as paradas deve ser acordada com o grupo. Nesses momentos, os adultos acompanhantes distribuem folhas, lápis e canetas para que as crianças e adolescentes façam os seus registros, por meio de desenhos, de palavras ou de imagens captadas por câmeras ou celulares, anotando os nomes de quem faz aquele trajeto específico. Os registros em folha devem ser guardados numa pasta coletiva, que será o portfólio do grupo e ficará sob a responsabilidade de um deles, durante o trajeto.

De volta à instituição, distribua a cada um os desenhos que fizeram no início da atividade para compararem com os seus registros de agora e verificarem o que eventualmente não foi colocado. Em seguida, os grupos organizarão os registros para expor no próximo encontro da oficina: os desenhos, as anotações, as fotos e os depoimentos colhidos das pessoas durante os percursos.

Ajude-os na organização, orientando para que escolham, dentre todo o material, algumas fotos, desenhos, anotações e depoimentos que sejam mais ilustrativos e importantes para socializar. Não é necessário usar todo o material.

Chame a atenção para que observem o que é importante socializar, de acordo com objetivo da atividade, ou seja, o que existe nesses trajetos:

  • Há residências e/ou casas comerciais, prédios, unidades de saúde, escolas?
  • Há árvores, parques ou jardins com bancos para as pessoas sentarem?
  • Há coletores de lixo?
  • Há acessibilidade para a locomoção de deficientes?
  • E espaços para bicicletas e para jogos coletivos?
  • O que viram que não tinham percebido antes?

Chame a atenção também para os depoimentos dados pelos moradores: eles estão satisfeitos? Quais são seus desejos de melhoria para o território e para sua vida nele?

E se?
Se não houver a possibilidade de filmar, tire fotos do grupo durante a construção de suas representações para mostrar a eles depois e ser objeto de reflexão, além de documentar a história do grupo.

2º encontro: Representando a comunidade desejada
Neste momento, cada grupo vai expor o material selecionado para o coletivo, projetando as fotos, mostrando seus desenhos e apresentando os depoimentos que consideraram mais importantes.

Depois da apresentação, peça para todos se sentarem, fecharem os olhos e pensarem em tudo que foi exposto de sua comunidade real, como se estivessem vendo um filme. A seguir, irão fazer um contraponto, deixando correr a imaginação e visualizá-la como gostariam que ela fosse, colocando nela tudo aquilo de que sentiram falta.

De volta ao grupo inicial, devem socializar entre si, o que cada integrante sonhou para a comunidade e, com base nos sonhos de cada um, construir uma representação coletiva que contemple a todos do grupo, utilizando a linguagem de expressão que acharem mais apropriada: uma maquete, um painel com desenhos ou colagem de gravuras, um poema, uma música, um texto em prosa, uma dramatização, um vídeo ou uma figura com lego, quando a instituição dispuser desse recurso.

Se possível, filme os grupos, na construção da representação. Depois de aproximadamente 40 minutos, cada grupo fará sua apresentação, explicitando anteriormente qual a linguagem que escolheram para a sua representação e por quê.

Oriente para que sejam respeitosos e acolham os grupos como gostariam de ser acolhidos quando estiverem fazendo sua representação. Filme as produções em pequenos vídeos ou fotografe a exposição de cada grupo.Após a apresentação de todos, abra a roda para conversarem sobre o entendimento que tiveram das diferentes representações. De que elas tratavam? Falavam das mesmas coisas ou de coisas diferentes? O que propunham para a comunidade?

Hora de avaliar

Projete agora para eles algumas cenas filmadas ou fotografadas dos grupos, desde o início da construção da representação até a produção final de cada um. Peça para observarem que houve um processo que durou um certo tempo, desde  a discussão inicial para decidirem o que representariam até o produto final.

  • Como foi esse processo?
  • Houve alguma discordância?
  • Algum impasse?
  • Como resolveram?
  • O que foi mais gostoso e o que foi mais chato nesse processo?
  • O que aprenderam?

Registre as aprendizagens num cartaz e afixe na sala

Para ampliar

O que mais pode ser feito?

A realização de um evento para apresentar as diferentes produções da turma para a comunidade.

Nesse caso, seria oportuno utilizar a ocasião para transformá-la num momento formativo e de festa para todos: crianças, adolescentes, jovens, famílias e educadores.

Alguns grupos sociais que conhecem bem o território e que nele atuam há algum tempo, além de representantes de órgãos municipais locais, escolas e organizações não governamentais, podem ser convidados para vir conhecer os sonhos das crianças e dos adolescentes para o território onde vivem e discutir com elas como esses sonhos podem ser viabilizados.

Referências

Oficina com LEGO Bloco, a comunidade que queremos”, realizada pelo projeto TQT – Teclas que transformam, do Grupo de Apoio Nisfram, da cidade de Sumaré-SP, ONG finalista do Prêmio Itaú-Unicef de 2011. Contato: Rosa Maria Góes da Silva – (19) 3832-1748 –  nisfram@ig.com.br – www.nisfram.org.br.

GOUVEIA, Maria Júlia A. Cartografia como instrumento da pedagogia social. Congresso Internacional de Pedagogia Social, São Paulo, mar. 2006.

CENPEC; SMADS; FUNDAÇÃO ITAÚ SOCIAL. Parâmetros socioeducativos: proteção social para crianças, adolescentes e jovens. São Paulo, 2007.