Premiação inspira aprendizado e norteia carreiras

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Premiação inspira aprendizado e norteia carreiras

Prêmio Respostas para o Amanhã, que mantém inscrições abertas para sua 6ª edição, transforma vida da docente Ívina Langsdorff e de alunos, vencedores em 2017
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Por Suzana Camargo


Existe uma professora Ívina e uma escola Almirante Barroso, antes e depois do Prêmio Respostas para o Amanhã. Esse prêmio foi um divisor de água na minha vida e também agregou qualidade de ensino a essa unidade escolar”.

É dessa forma que a docente Ívina Langsdorff resume o que significou ter participado da 4a edição do Prêmio Respostas para o Amanhã, em 2017, com suas turmas da EEEFM Almirante Barroso, em Vitória do Espírito Santo, ano em que conquistou com uma delas, a premiação nacional.

Histórias como essa vêm se repetindo na trajetória de realização do prêmio, que é uma iniciativa da Samsung, com coordenação geral do CENPEC Educação e objetiva divulgar e estimular o desenvolvimento de projetos científicos e/ou tecnológicos por estudantes de escolas públicas do Ensino Médio. 

Inscrições abertas

Em 2019, o Respostas para o Amanhã, que tem abrangência nacional, enfatiza a abordagem STEM (sigla em inglês para Science, Technology, Engineering and Mathematics – Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) para o ensino de ciência e tecnologia, que é uma tendência em vários países do mundo, por despertar o interesse de estudantes para essas áreas do conhecimento. Inscreva-se aqui.

Escola engajada

“Em 2017 eu tinha duas turmas muito apáticas, já tinha pensado em mudar o estilo de dar aula, feito cursos on-line e aprimorar meus métodos de ensino. Aí resolvi inscrever essas turmas no prêmio Respostas para o Amanhã. Escolhemos em cada turma um problema inerente à nossa cidade e procuramos resolvê-lo aplicando a ciência”, relata a professora Ívina.

Uma das turmas da professora se envolveu com uma atividade bem tradicional de Vitória, a fabricação de panelas de barro pela cooperativa de mulheres artesãs. Desenvolveram uma técnica sustentável para extrair da árvore Rhizophora Mangle, a tintura de cor vermelho utilizada pelas artesãs na confecção das panelas. Mas foi o projeto da outra turma, chamado DesPÓluir, que foi vencedor nacional.

Professora e alunos elaboraram uma solução inteligente para acabar com a poluição atmosférica gerada pelo pó preto liberado no transporte de matérias-primas e beneficiamento da produção do aço, que é a principal atividade industrial de Vitória. “Fizemos um supressor de poeira [à base de polímeros sustentáveis], que ao ser aplicado no minério de ferro sob um vagão [ferroviário, que faz o transporte do aço], o empacota, reduzindo a emissão de material particulado. Com isso o pó preto deixou de ser espalhado”, detalha Ívina.

Redução da evasão escolar

A empolgação e dedicação das turmas com os projetos se traduziu num benefício importante pois reduziu a evasão dos estudantes nas aulas, sobretudo, de física e química, que segundo Ívina, são as disciplinas consideras como os maiores “gargalos” do Ensino Médio. “Foi interessante ver o engajamento deles, muitos tinham dificuldades de aprendizado e conseguiram superar ao longo do processo. Com isso, a defasagem nas aulas, que antes era muito grande, diminuiu drasticamente”, afirma a professora.

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O resultado foi uma elevação no índice de aprovação. “No último trimestre os alunos estavam com notas que os tornavam aptos a passar de ano e graças aos projetos desenvolvidos para o Respostas para o Amanhã, deram um upgrade na nota das turmas e a maioria não ficou em recuperação, como geralmente ocorria, acarretando reprovação”, conta.

Protagonismo

A professora ainda relata que a possibilidade de participação no prêmio foi uma grande motivação para os estudantes, que ganharam tablets da Sansung. ”Dividi as turmas em equipes, e cada uma cuidava de uma parte, de um aspecto. Para tanto, cada grupo se encaixou em uma tarefa que mais apreciava. Por exemplo, registro do que estava sendo feito, contabilidade, pesquisa, e etc. Isso os incentivou e os ajudou a descobrir seus talentos e potencialidades”, diz..

“O Respostas para o Amanhã inspirou não só a mim, mas a outros professores. Fomos finalistas em concursos estaduais, minha colega professora Maria Amélia foi premiada com um projeto sobre abelhas, enfim, causou um estímulo geral”, garante. O ganho se estendeu a toda escola, melhorou a qualidade e consequentemente fixou a frequência, antes com alta rotatividade de alunos.

Aluna Beatriz Martins

O despertar de Beatriz como repórter

Assim como os professores, a participação no Prêmio despertou competências nos estudantes, que nortearam suas carreiras profissionais. É o caso de Beatriz Martins.

“Era uma menina conversadeira, com alguns problemas de desempenho escolar e na realidade, antes do envolvimento com o projeto, estava prestes a ser reprovada no curso”, revela a professora Ívina.

A empolgação de Beatriz com o projeto, entretanto, reverteu totalmente esse quadro. Ela se tornou a repórter da turma e passou a registrar todas as etapas de desenvolvimento do projeto, assim como “uma repórter para jornal televisivo”, conta, orgulhosa. E o melhor de tudo é que o prêmio fez Beatriz descobrir sua profissão, resolveu cursar jornalismo.

Hoje a garota está na Universidade Estácio de Sá de Vitória e com bolsa de 100% conquistada por meio de seu bom desempenho no Enem. “Ter feito o projeto me ajudou muito na pontuação do Enem e me ajudou a conquistar a bolsa de estudos”, afirma a aluna, que projeta se tornar uma grande repórter televisiva.

Citando Paulo Freire, a professora Ívina Langsdorff conclui sobre o benefício que o Respostas para o Amanhã trouxe para o universo da escola “A educação transforma as pessoas e elas é que transformam o mundo”.