Portal do Bicentenário: a Independência em plurais comemorações

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Portal do Bicentenário: a Independência em plurais comemorações

Dicas de planos de aulas, podcasts, vídeos, artigos, trilhas formativas, visitas técnicas, kits didáticos e muito mais para explorar os diferentes olhares para essa efeméride com a turma; saiba mais
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Por Stephanie Kim Abe

Para escolas de todo o Brasil, o aniversário de 200 anos da nossa independência não deve mudar muito a programação curricular de 2022. Afinal, o 7 de setembro costuma sempre ser celebrado e estudado. Mas o importante marco pode servir para repensarmos as abordagens e os sentidos que temos dado a esse episódio histórico. 

Foi com a intenção de trazer interdisciplinaridade e pluralidade ao tema que nasceu o Portal do Bicentenário, uma iniciativa constituída em rede que envolve diferentes instituições educacionais, movimentos sociais e grupos de pesquisas de universidades de todo o país. Entre elas, a Associação Nacional de Pós Graduação e Pesquisa em Educação (ANPEd), responsável pela instituição do Portal.

De forma colaborativa, essa rede tem produzido, feito curadoria e publicado no Portal um vasto e rico conteúdo sobre o bicentenário da independência brasileira e os seus desdobramentos. Há planos de aulas, kits didáticos, podcasts, vídeos, artigos, trilhas formativas, visitas técnicas, ensaios e muito mais.


Diversidade de olhares

Os conteúdos trazem múltiplas narrativas e olhares sobre a temática e compõem as quatro áreas do Portal: Independências, Trajetórias, Comemorações e Améfrica – essa última fazendo uma referência e homenagem direta aos estudos da pesquisadora negra Lélia Gonzalez.

A área Trajetórias, por exemplo, agrega os materiais que ressaltam agentes históricos que muitas vezes foram negligenciados desse processo, como as mulheres, a população negra e indígena e a comunidade LGBTQI+.

Em um dos textos publicados, intitulado Disputar os sentidos do bicentenário, os autores Luciano Mendes, Marcelo Silva e Maria Beatriz Porto refletem:

Ao longo de nossa história, as nossas festas cívicas foram apropriadas para que nossas elites pudessem educar o povo segundo os desígnios e os interesses dos sujeitos deste grupo social. Assim como a própria Independência foi um processo pelo alto, feita, em boa parte, contra a população mais pobre e, sobretudo, escravizada; também as festas que a celebraram tiveram, ao longo do tempo, de um modo geral, a intenção de eternizar e atualizar aquele momento fundador sem problematizá-lo.

Assim, as comemorações da Independência, em boa parte, foram espetáculos cívicos ofertados pelo Estado ao povo e, ainda, não raramente, contra o povo.

Não resta dúvida de que, se queremos fazer deste um país democrático, solidário e igualitário, é preciso que disputemos as festas cívicas e lhe emprestemos mais a cara da diversidade da população brasileira e dos projetos de país Brasil que acalentamos. Neste sentido, 2022 pode ser um importante marco na retomada de uma consciência adormecida e de algumas práticas cívicas coletivas e democráticas que, aqui e acolá, insistem em irromper, resistem, persistem, ainda que em gritos isolados e vozes abafadas, por todos os Brasis.”

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