Olimpíada de Língua Portuguesa celebra jovens poetas

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Olimpíada de Língua Portuguesa celebra jovens poetas

Encontro de semifinalistas contou com atividades culturais no Museu Catavento, em São Paulo (SP), e presença do poeta e músico Ricardo Aleixo
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Por José Alves

A poesia concreta que molda as esquinas de São Paulo, cidade eternizada pelo cantor e compositor baiano Caetano Veloso, vê surgir novos poetas de campos e espaços, vindos de todas as regiões brasileiras – e, com eles, chegaram os seus professores e professoras. Todos se reuniram no encontro de semifinalistas da Olimpíada de Língua Portuguesa entre os dias 4 e 6/11, na capital paulista.

Ao longo dos três dias, professores e estudantes participaram de ações culturais e pedagógicas: oficinas em sala de aula, palestra, passeio, sarau e eventos de premiação.

No primeiro dia, todos receberam a medalha de bronze, que simbolizam a conquista deles como semifinalistas da Olimpíada – e a conquista é relevante: foram 65 poemas classificados em um universo de 12 mil enviados de todo o Brasil.

Muito além de um concurso de textos, a Olimpíada de Língua Portuguesa, cujo tema é “O lugar onde vivo”, é um programa de formação de professores por meio do trabalho com gêneros textuais em sala de aula, a partir de uma sequência didática proposta no portal Escrevendo o Futuro.

Os poemas que concorrem, elaborados por estudantes de escolas públicas brasileiras ao longo do ano de 2019 com a orientação dos professores, representam o resultado desse processo formativo com os docentes.

A palavra ganha voz e voa no vento

Os professores semifinalistas participaram de uma palestra com o poeta, músico, artista visual, pesquisador e educador Ricardo Aleixo, laureado pelo Prêmio Jabuti, em 2011, com a obra Modelos Vivos.

Com a presença, muito festejada pelos educadores, Aleixo conversou sobre a poesia na escola, direito à palavra, oralidade e raça/etnia. Defendeu a descoberta do poema como um objeto aberto a diferentes abordagens e também que é necessário escutar a voz do poema:

A primeira leitura será sempre em voz alta. Sem a escuta dessa voz, que séculos de predomínio da palavra escrita não conseguiram silenciar, torna-se praticamente impossível incorporar o poema como algo prazeroso e vivenciá-lo plenamente”.

Ricardo Aleixo

Sobre a impressão do encontro com os educadores, o poeta constata: “Ainda vou precisar de um tempo mais longo para processar o impacto sobre mim, sobre a minha sensibilidade, da receptividade dos professores e professoras com quem eu pude me encontrar”.

Nesse sentido, Aleixo complementa: “Isso valeu para mim como um sinal verde para compartilhar sentimentos e pensamentos que, de outra forma, talvez não aflorassem”.

Foi uma experiência muito enriquecedora, que eu vou levar comigo e que vai ter impacto sobre o que eu vou fazer como poeta, como escritor, como artista”.

Ricardo Aleixo

Um mergulho interativo pelo universo científico

A atividade educativa e cultural oferecida aos professores e estudantes semifinalistas em Poema foi uma visita ao Museu Catavento, onde os participantes puderam constatar que a ciência, assim como a poesia, pode ser bastante inspiradora.

Ao longo de uma tarde, todos visitaram instalações científicas e interativas, divididas pelas seções Universo, Vida, Engenho e Sociedade. Por lá, entraram em contato com questões como História da Astronomia, Arte Rupestre, Evolução cultural, Nanoaventura e Evolução do cérebro, entre outras.      

As histórias das pessoas que contaram a história dos seus lugares

A Etapa Regional (Semifinal) da Olimpíada de Língua Portuguesa, na categoria Poema, reuniu aproximadamente 130 professores e estudantes em São Paulo, todos com histórias interessantíssimas para contar sobre o lugar onde vivem.

O estudante Davi Lima, de Bom Jesus, no Rio Grande do Norte, diz carregar a rima em seu peito. O pequeno poeta começou a declamar aos cinco anos de idade, por influência dos seus pais, que também são cordelistas. Segundo Davi, a história da sua família com manifestações artísticas perpassa gerações: há muitos anos, seu bisavô organizava rodas de cantoria na cidade. Confira.

Fonte: Olimpíada de Língua Portuguesa.

Já o professor Éricles da Silva Santos, de Japaratuba (SE), relatou que a história da sua vida se entrelaça à da Olimpíada de Língua Portuguesa. Em 2008, 2010 e 2012, participou como estudante nos gêneros Poema, Crônica e Artigo de Opinião, respectivamente. Em 2019, Éricles volta à Olimpíada em uma condição diferente.

O suprassumo da felicidade foi voltar para a Olimpíada de Língua Portuguesa como professor.”

Éricles da Silva Santos
Assista à entrevista com o professor Éricles Santos. Fonte: Olimpíada de Língua Portuguesa.

No último dia, o anúncio dos finalistas

A Olimpíada de Língua Portuguesa encerrou a etapa com a celebração dos 20 professores e estudantes finalistas da categoria Poema, que receberam a medalha de prata. Todos eles se encontrarão novamente em São Paulo, em dezembro, para a final da 6ª edição.

Outro prêmio simbólico oferecido para todos os estudantes foi a gravação, pela voz deles, dos poemas que produziram. No local do evento, foi montado um estúdio profissional para captar as interpretações e sonorizá-las com trilha exclusiva. Os estudantes ouviram as gravações e se emocionaram muito. Além disso, levaram os arquivos sonoros para casa, gravados em um pendrive.

Por fim, quatro professores também foram premiados pelos Relatos de Prática produzidos, que contaram o processo pedagógico do trabalho com os estudantes ao longo de 2019.

Assista à cerimônia de premiação na íntegra

Confira o blog Poema no portal Escrevendo o Futuro

Veja como foram os encontros de semifinalistas dos gêneros Crônica e Memórias Literárias