Memória da resistência: histórico das lutas sociais em exposição

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Memória da resistência: histórico das lutas sociais em exposição

Quatro unidades do Museu da Cidade de São Paulo resgatam as origens das lutas das mulheres, de ambientalistas e da população negra, LGBTQIA+ e indígena; veja como acessar on-line
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Por Stephanie Kim Abe

Cis, trans. Aculturação, apropriação. Racismo, feminismo. Transfobia, homofobia. Esses termos estão muito em voga ultimamente, e são palavras-chave para aquelas populações que foram invisibilizadas ao longo dos anos, mas seguem lutando por direitos e reconhecimento. Estamos falando das mulheres, da população negra, da população LGBTQI+, dos povos originários e das(os) ambientalistas. 

É com foco nesses movimentos sociais que o Museu da Cidade de São Paulo (MCSP) organiza a exposição Memória da Resistência. Na verdade, ela é composta de cinco exposições independentes, mas interligadas: uma para cada uma das populações citadas acima.

A curadora da mostra, Alecsandra Matias, explica a importância de trazer o histórico dessas lutas para o público geral:

Foto: reprodução

Esses são termos que todo mundo fala, mas que é importante a gente ter consciência do que significam mesmo para que a gente possa estabelecer diálogos e reflexões sobre essas condições, e poder ter um exercício de empatia para que vozes plurais possam estar juntas, falando e dialogando juntas.”

Alecsandra Matias

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Lutas históricas

As exposições se pautaram em matérias publicadas entre 1970 e 1988 pela imprensa alternativa e grande mídia, assim como em registros fotográficos de manifestações, e acontecem em quatro unidades do Museu da Cidade de São Paulo. 

Imagem: Exposição “Memória da Resistência”

No Solar da Marquesa de Santos, que fica na Sé (região central da cidade), estão as exposições Tudo tem espírito, que discute a situação atual dos territórios indígenas, e Eu era carne, agora sou navalha, que traz as questões étnico-raciais por meio de exemplos da imprensa da capital paulista a partir do século 20. 

Na Casa da Imagem, também na Sé, resgatam-se os fatos históricos que levaram as mulheres às manifestações de rua, colocando-se como agentes de resistência. Nessa mostra, chamada Elas vão às ruas, é possível relembrar ainda casos de feminicídios que ganharam a mídia, como os de Eliane de Grammont e Leila Diniz.

Como o Cenpec aborda a questão étnico-racial? Confira.

Na Casa do Butantã, na zona oeste, as motivações e as políticas públicas por meio das quais a cidade interagiu com a pesquisa botânica são exploradas na exposição Alfred Usteri, a botânica do tempo. Ela ainda conta como foi mapeada a flora paulistana e como surgiram os projetos de jardins e parques na cidade.

Por fim, a luta da população LGBTQI+ é o foco da mostra Brenda Lee: a anja das travestis, que ocupa a Casa do Tatuapé, na zona leste. É a partir da história de defesa e amparo às travestis infectadas ou não pelo HIV de Brenda Lee que conhecemos mais a desinformação e o preconceito que sempre ameaçaram a existência dessa população historicamente marginalizada. 


Tour virtual

As exposições ficam em cartaz até o dia 24 de abril de 2022. Mas para aquelas pessoas que não podem visitar presencialmente as exposições, o Museu da Cidade disponibilizou um tour virtual de toda a exposição Memória da Resistência.  

É possível percorrer os cinco espaços expositivos e acessar textos das mostras e plantas em perspectiva 3D.

Acesse o tour virtual

Veja abaixo o vídeo de apresentação da exposição:

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