Internet sem qualidade, ensino sem equidade

-

Internet sem qualidade, ensino sem equidade

Pesquisa mostra a baixa qualidade de conexão de internet nas escolas públicas do Brasil; professores buscam formação paralela sobre tecnologia
Imprimir

As escolas públicas brasileiras ainda não tem pleno acesso à internet de qualidade. A conclusão é do Comitê Gestor de Internet no Brasil (CGI.br) na pesquisa TIC Educação e constatou que apenas 12% dos instituições educacionais usam uma conexão com velocidade de 11 Mbps.

A maioria das escolas tem velocidade de conexão abaixo do recomendado pelo programa Educação Conectada, criado pelo MEC em 2017. A indicação do governo é de pelo menos 16 Mbps para que se promova equidade tecnológica na educação e formação de professores em práticas pedagógicas com uso da tecnologia.

O governador do Estado de São Paulo, participa de ato de recebimento em doação de 91 mil computadores para a rede estadual de ensino e anúncio da inovação tecnológica das escolas do Estado de São Paulo. Participa também do evento, o secretário de Estado da Educação, José Renato Nalini. Local: São Paulo/SP Data: 28/09/2017 Foto: Gilberto Marques/A2img
Alunos secundaristas utilizam os computadores doados para a rede estadual de ensino, em São Paulo.
Foto: Gilberto Marques/A2img

O estudo do TIC Educação mostra que, das escolas públicas pesquisadas, 5% tem conexão com velocidade de até 999 kbps; 26% contam com conexão de 1 a 2 Mbps; 33% trabalham com velocidade de 3 a 10 Mbps e 24% não sabiam responder.

Tecnologia e docência

Outro dado relevante mostra que 76% dos docentes pesquisados buscam alternativas para trabalhar com tecnologia nos processos de ensino e de aprendizagem.

O estudo também apurou que 58% dos professores de escolas públicas urbanas usam o celular em atividades com os alunos, mas 51% destes docentes usam a própria rede 3G e 4G para realizar as atividades.

Enem 2020

No início de julho, o ministro Abraham Weintraub anunciou que o Enem será totalmente digital em 2020. A categoria de aplicação da prova ganha o formato digital e vai atingir cerca de 50 mil candidatos (1%) em 15 capitais brasileiras em 2020. O MEC projeta a ampliação deste número até 2026, quando a prova impressa deverá ser extinta.

Alunos em aulão do ENEM, no Paraná.
Foto: Assembleia Legislativa do Paraná/Divulgação

A mudança foi questionada pelos profissionais de educação. Em entrevista ao Estadão, Mônica Gardelli Franco, diretora-executiva do CENPEC Educação, argumentou que o governo terá de garantir a igualdade de condições para a efetivação do Enem digital, uma vez que a maioria das escolas brasileiras não disponibiliza computador ou internet para os alunos.

Confira a pesquisa

Saiba mais: