Desperdício não pode pôr em xeque papel dos livros didáticos

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Desperdício não pode pôr em xeque papel dos livros didáticos

Em entrevista ao Jornal Nacional, Anna Helena Altenfelder comenta notícia de que 2,9 milhões de livros devem ser descartados – e alerta que erros de gestão não comprometam políticas públicas
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Quase 3 milhões de livros didáticos, nunca entregues a alunos de escolas públicas do País, devem ser descartados pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), órgão filiado ao Ministério da Educação (MEC).

Desperdício e destinação

A notícia foi publicada no último sábado pelo jornal O Estado de S. Paulo. No texto assinado por Isabela Palhares, o Estadão informa que o processo de “desfazimento dos livros inservíveis” começou no fim de 2019, quando a área de logística e distribuição do FNDE alertou para a necessidade de reduzir o estoque em Cajamar (SP), em um depósito alugado dos Correios.

O total de livros nunca usados chega a 2,9 milhões nesse estoque, mas, segundo a reportagem, o total de exemplares do Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD) sem utilidade pode chegar a três vezes esse número.

Os livros, comprados em gestões anteriores, são reportados como desatualizados, de maneira que o desafio é dar um destino para eles, já que não podem ser entregues aos alunos.

Confira aqui a reportagem do Estadão (para assinantes)

A importância do PNLD

A notícia repercutiu na imprensa nacional ao longo do último final de semana e foi tema de especial do Jornal Nacional, da Rede Globo, no último sábado (11).

O material lembrou uma reportagem exibida pelo Fantástico em dezembro/2019 também demonstrando o desperdício de livros didáticos, alguns até mesmo utilizados para a produção de papel higiênico.

O Jornal Nacional também destaca que o programa do livro didático do Brasil é o maior do mundo, com 150 milhões de exemplares destinos a aproximadamente 50 milhões de alunos.

Dentro dessa realidade, é preciso combater erros de gestão que gerem desperdício. “É importante lembrar que é um desperdício não somente financeiro – mas um bom uso poderia ser dado ao longo dos anos para esses livros (…) e mais importante ainda é evitar que isso aconteça de novo”, comenta Claudia Costin, da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Também convidada a comentar o assunto, a presidente do Conselho de Administração do CENPEC Educação, Anna Helena Altenfelder, chama a atenção para o destino dos livros estocadas e para a importância do PNLD.

Anna Helena Altenfelder

Que essa análise seja feita com muito critério, com muita consistência e com muita transparência. Que fiquem claros quais critérios serão utilizados para decidir se o livro deve ou não ser descartado. É bem importante não deixarmos que essa discussão ponha (…) em xeque a importância e a validade do livro didático.”

Anna Helena Altenfelder

Clique aqui para ler a reportagem e assistir ao vídeo do Jornal Nacional