Brasil tem mais de 540 obras de educação paralisadas

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Brasil tem mais de 540 obras de educação paralisadas

Falta de atendimento interfere em desenvolvimento de crianças, adolescentes e jovens e afeta principalmente populações vulneráveis, dizem especialistas
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Cerca de R$ 2 bilhões gastos em mais de 540 obras de educação paradas em todo o Brasil. Na última terça-feira (15), os jornais Edição das 10h, das 16h e das 18h, da GloboNews, destacaram a informação, obtida mediante levantamento realizado pela Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon). A cobertura contou com a participação de Anna Helena Altenfelder, presidente do Conselho de Administração do CENPEC Educação. Confira os vídeos.

Creches em falta

As 543 obras paradas do levantamento obtido pela Globo News compõem um recorte que leva em conta construções acima de R$ 1,5 milhão de reais e iniciadas a partir de 2009. No entanto, segundo a reportagem de Isabela Leite, as obras consumiram R$ 1,6 bilhão com manutenção mesmo assim.

A Região Sudeste é a mais afetada, com 174 obras paralisadas, sendo o estado de São Paulo o que tem o maior número de construções nessa situação: 94. Em segundo e terceiro lugares, estão o Maranhão e o Mato Grosso, com 38 cada.

Segundo Olavo Nogueira Filho, diretor de políticas educacionais do movimento Todos pela Educação, muitos dos problemas estão relacionados à execução de projetos de creches, que é atribuição dos municípios.

“Muitos desses municípios, por conta de uma capacidade instalada ainda muito frágil do ponto de vista dos conhecimentos para execução de política pública, não conseguem acessar os recursos, e aqueles que conseguem acessar muitas vezes têm problemas durante o processo de execução”, diz Nogueira Filho.

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Impactos no desenvolvimento

Já segundo Anna Helena Altenfelder, a primeira infância é um momento importantíssimo no desenvolvimento do indivíduo, o que torna a necessidade de creches fundamental.

Anna Helena Altenfelder. Foto: Acerco CENPEC Educação.
Foto: Acervo CENPEC Educação.

Quando falamos de obras paradas no setor da educação, falamos de falta de oportunidade de crianças, adolescentes e jovens de aprender e se desenvolver (…). O espaço é extremamente importante – a qualidade do prédio e a oferta de recursos são cruciais. O espaço também educa.”

Anna Helena Altenfelder

A presidente do Conselho de Administração do CENPEC Educação também comenta que a falta de atendimento na educação e o atraso nas obras têm um recorte importante em relação a nível socioeconômico, raça e região geográfica.

Como exemplo, Altenfelder cita a estatística de que, entre crianças de famílias ricas, 50% têm atendimento em creche garantido, contra 20% da população mais pobre. “Não basta recurso sem gestão efetiva, mas também não basta gestão efetiva sem recurso”, conclui a especialista.

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