Apoio Pedagógico Complementar em videoconferência

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Apoio Pedagógico Complementar em videoconferência

Resolução de problemas, alfabetização e multiletramentos foram alguns dos tópicos discutidos nas formações a distância com técnicos de secretarias municipais da região do Baixo Paraíba
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A fim de atender às recomendações contra a pandemia de Covid-19, nos dias 13 e 14 de abril,  foram realizados, de forma remota, os primeiros encontros de formação dos módulos de Língua Portuguesa e Matemática do Programa Melhoria da Educação: Apoio Pedagógico Complementar, uma parceria entre o Itaú Social, o CENPEC Educação e o Consórcio Intermunicipal de Gestão Pública Integrada nos Municípios do Baixo Paraíba (Cogiva).

“Conseguimos garantir em tempo a substituição das reuniões presenciais previstas para o mês de abril por videoconferências e atividades a distância”, informa a coordenadora do programa no CENPEC Educação, Erica Catalani. Os encontros aconteceram em formato de videoconferências, com a presença de técnicos das secretarias municipais da região do Baixo Paraíba, das formadoras e da coordenadora do programa.


O ensino da matemática e a relação com a leitura

A videoconferência introdutória do Módulo de Matemática, que aconteceu no dia 13, foi coordenada por Sandra Amorim. A formadora focou um aspecto essencial para o ensino e a aprendizagem da área, a resolução de problemas. 

O debate iniciou com a apresentação do grupo e dos conteúdos a serem abordados no módulo. Em seguida, foram apresentadas situações-problema para que os educadores pensassem em maneiras de resolvê-las, refletindo sobre os conhecimentos, as competências e habilidades necessários para isso. Ao final, os participantes sistematizaram as ideias discutidas.

Na apresentação, os educadores participantes contaram suas experiências como formadores e compartilharam lembranças das aulas dessa disciplina escolar. Como início de conversa, foi proposta aos participantes a seguinte pergunta: que dificuldades, no ensino da matemática, os(as) professores(as) dos diferentes municípios apontam para inserir os(as) estudantes em turmas de recuperação?

Para a educadora Taíses Araújo da Silva Alves, do município de Mogeiro (PB), geralmente os estudantes que manifestam dificuldades em aprender Matemática também têm problemas em linguagem.

Já a educadora Heloísa Helena Costa de Araújo Cavalcanti, de Pilar (PB), que participou das formações de Matemática oferecidas pelo Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (Pnaic) até 2018, percebia que muitas vezes o que as professoras apresentavam como as maiores dificuldades estava relacionado com a pouca familiaridade delas em relação a determinados conteúdos. Heloísa também ressaltou que as dificuldades com o aprendizado de Matemática estão relacionadas a questões de leitura. 

Ler, escrever e resolver problemas: habilidades básicas para aprender Matemática
Capa (reprodução).

Ao discutir a situação-problema proposta, a formadora Sandra Amorim destacou a necessidade de organizar e combinar diferentes conhecimentos e estratégias para se chegar a uma ou mais soluções. Nesse sentido, citou Katia Smole e Maria Ignez Diniz (Ler, escrever e resolver problemas: habilidades básicas para aprender Matemática, 2001):

… a Resolução de Problemas trata de situações que não possuem solução evidente e que exigem que o resolvedor combine seus conhecimentos e decida usá-los em busca da solução”.

Smole e Diniz, 2001.

No momento de sistematização, a educadora Taciana Andrade Vieira da Silva, de Mogeiro (PB), destacou a importância de trabalhar com os professores uma compreensão mais amplas sobre o ensino da Matemática, para além das quatro operações: “Embora esse trabalho já tenha sido feito no Pnaic e nas nossas formações, é necessário continuar reforçando essa reflexão para os professores”.


Língua portuguesa: multiletramento(s) e alfabetização em debate

Na videoconferência do Módulo de Língua Portuguesa/alfabetização, coordenada pela formadora Patrícia Calheta, foram abordadas noções chave para a formação de professores que atuam nos anos iniciais do Ensino Fundamental: multiletramento(s) e alfabetização; gêneros do discurso e práticas de linguagem; e apropriação do sistema de escrita alfabético-ortográfico.

Após apresentar esses diferentes conceitos e seus referenciais teóricos, a formadora Patrícia Calheta destacou: “Quando se trata da atuação dos professores em sala de aula, o mais importante é entender como as experiências com a linguagem escrita serão propostas aos estudantes”. 

Ao se tratar dos novos letramentos, a educadora Taíses Araújo enfatizou que incluir os alunos como autores de fato em seu processo de aprendizagem é um desafio para muitos professores.

Muitas vezes nossa experiência como estudantes parte do pressuposto de que a construção é sempre do professor, e não do aluno. Em um trabalho com textos multimodais, abre-se espaço para manifestações diversificadas do conhecimento sobre linguagens e ferramentas que muitas vezes os estudantes dominam mais do que o professor.”

Taíses Araújo
Multiletramentos na Escola
Capa (reprodução).

A educadora ressalvou, no entanto, que, embora amplie as possibilidades de os estudantes serem de fato autores da sua aprendizagem, esse tipo de trabalho é um desafio que requer uma série de cuidados para evitar que os alunos apenas reproduzam informações sem sequer checar a veracidade delas. “A discussão sobre os multiletramentos deve ser enfatizada na formação dos professores, pois, se de fato essa perspectiva for colocada em prática na sala de aula, vai gerar muito mais motivação e envolvimento por parte dos alunos.”

Em relação ao ensino baseado nos gêneros discursivos, Calheta enfatizou:

Ao eleger os gêneros discursivos com unidades de trabalho, reflexão, estudo e interação na sala de aula, nós estamos privilegiando um modo de ensino e aprendizagem que destaca a contribuição dos alunos, valorizando seus conhecimentos prévios. Falar desse trabalho que valoriza as diversas culturas locais e de uma alfabetização pensada na perspectiva do letramento é enfatizar na escola o espaço privilegiado para a voz dos estudantes.”

Patrícia Calheta

Continuidade das formações em tempo de isolamento

Garantir a interação e o acolhimento das participantes no ambiente virtual foi um desafio à equipe, conta a coordenadora Erica Catalani.

Érica Catalani

Considero que o desafio foi superado, pois dividimos o tempo em blocos e propiciamos interação em cada um deles. Como resultado, tivemos excelentes intervenções durante a videoconferência, configurando uma participação que, embora não atingisse a totalidade dos inscritos, se mostrou muito significativa.”

Os debates sobre os temas discutidos nas videoconferências do programa continuarão no ambiente virtual, por meio dos fóruns de discussão. O foco está em disseminar modelos de formação que articulem teoria e prática, e que tenham efeitos em sala de aula, um dos objetivos do programa.

O Programa Melhoria da Educação: Apoio Pedagógico Complementar proporciona assessoria e formação a técnicos de secretarias municipais de educação, para que implementem ações que proporcionem apoio pedagógico a estudantes dos anos iniciais do ensino fundamental. O foco das formações, oferecidas de modo híbrido (com ações presenciais e a distância), são as áreas de Língua Portuguesa e Matemática, e têm por objetivo promover a aprendizagem e prevenir a distorção idade-série e a evasão escolar. Saiba mais.


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