Apoio Pedagógico Complementar: estratégias e conteúdos formativos em encontros remotos

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Apoio Pedagógico Complementar: estratégias e conteúdos formativos em encontros remotos

Com a mudança das formações para o modelo totalmente a distância, os Módulos de Língua Portuguesa e Matemática receberam reformulações. Saiba mais
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Desde meados de abril, a formação do programa Apoio Pedagógico Complementar está acontecendo no contexto remoto, a fim de atender aos protocolos de prevenção contra a pandemia de Covid-19. O objetivo da formação é dar subsídios às secretarias de educação dos municípios que compõem o Consórcio Intermunicipal de Gestão Pública Integrada nos Municípios do Baixo Paraíba (Cogiva) para enfrentar os desafios de aprendizagem nos anos iniciais do Ensino Fundamental, a fim de reduzir taxas de reprovação, abandono escolar e distorção idade-série.

Nesse contexto, foram necessárias algumas adaptações e flexibilizações de prazos até o término do isolamento social.  Além disso, foram adotadas estratégias que possibilitassem a participação de técnicos(as) das secretarias e dialogassem com as especificidades locais, visto se tratar de municípios de pequeno porte, que abrigam escolas rurais, várias com salas multisseriadas.

O grande desafio ainda é engajar ao trabalho a distância, por conta de dificuldades de acesso à Internet e questões da pandemia. “Temos encontrado condições favoráveis para desenvolver a formação remota dos(as) técnicos(as) das secretaria. Por esse motivo, o programa foi reformulado para seguir com ações utilizando estratégias on-line. Além disso, acrescentamos tópicos para apoiar o planejamento das ações formativas no contexto da pandemia”, revela Érica Catalani, coordenadora de Projetos do CENPEC Educação.

Segundo a educadora, o propósito de fortalecer as equipes para a garantia do direito de aprender de todos e todas continua vigente no novo contexto:

Foto de Érica Catalani, coordenadora de Projetos do CENPEC Educação.
Foto: arquivo pessoal

O que muda é que temos mais uma justificativa para implementação do apoio pedagógico complementar visto que o público que se beneficiará das ações do programa poderá ser ainda maior com o retorno das aulas presenciais.

O cenário da pandemia e o isolamento social reafirmaram a importância de formar professores para realizar um diagnóstico da aprendizagem e o planejamento de práticas pedagógicas alinhadas ao mapeamento de habilidades desenvolvidas, acompanhadas de perto por professores e gestores. Esses são alguns dos pressupostos do programa.”

Érica Catalani, coordenadora de Projetos do CENPEC Educação

Para contar mais sobre a reformulação dos módulos de Língua Portuguesa e Matemática, conversamos com as especialistas Patrícia Calheta e Sandra Amorim, formadoras e mediadoras de Língua Portuguesa e Matemática, respectivamente.


Mudanças na formação de Língua Portuguesa 

“Desde o início do projeto, tivemos duas reformulações atreladas ao contexto da pandemia: a primeira, logo no início, em virtude das adaptações da proposta híbrida para o uso exclusivo do ambiente virtual de aprendizagem (AVA) e uma segunda, agora no mês de junho, pela necessidade de inclusão de dois novos tópicos, especificamente vinculados ao possível retorno às aulas”, conta Patrícia Calheta em relação ao módulo de Língua Portuguesa.

Segundo a mediadora, essa reformulação seguiu alguns princípios. Um deles foi o planejamento baseado na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) de modo a favorecer a organização de diferentes tópicos, ancorados aos eixos da oralidade, leitura/escrita, produção (escrita e multissemiótica) e análise linguística/semiótica implicados nos processos de letramento e alfabetização.

Outro princípio para o planejamento das propostas e conteúdos do módulo foi o diálogo com as percepções dos(as) técnicos(as) sobre as necessidades dos(as) professores(as) das suas redes de ensino em relação ao trabalho com a Língua Portuguesa. Nesse sentido, houve a necessidade de combinar momentos síncronos (interação ao vivo, por meio de videoconferências, por exemplo) e assíncronos (comunicação que não ocorre em tempo real e pode ser feita por e-mail, mensagens de whatsapp etc.).

A ausência de encontros presenciais levou a um olhar mais ajustado para o princípio da homologia de processos. Nesse sentido, todas as propostas do módulo de Língua Portuguesa convidam à apreciação de vídeos, leitura de textos escritos, análise de atividades de sala de aula e de materiais voltados à recuperação da aprendizagem.

Foto: arquivo pessoal

Há o cuidado de promover uma experiência formativa que colabore para vivenciar práticas reflexivas no ambiente virtual de aprendizagem (AVA) e inspirar futuros encontros das formadoras com suas redes.”

Patrícia Calheta, formadora e mediadora de Língua Portuguesa

O que é homologia de processos?
Para Miguel Thompson, diretor geral do Instituto Singularidades, uma maneira de formar o professor do futuro é por meio da homologia de processos. “Os professores ensinam seus estudantes nos cursos de licenciatura da mesma maneira que esperam deles a mesma qualidade de trabalho quando estiverem em campo. Dessa forma nossos atuais alunos e futuros docentes também ensinarão seus alunos de forma dinâmica e prática.”

Assim, uma formação que propõe aulas dinâmicas, dialógicas e com múltiplos recursos precisa oferecer metodologias e conteúdos abertos e inovadores, sem perder de vista o planejamento, a intencionalidade e o rigor acadêmico necessários para uma boa prática pedagógica.
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Outro princípio formativo observado foi o potencial das atividades do AVA para a transposição didática. Nesse sentido, há a preocupação em articular as reflexões sobre noções-chave com práticas pedagógicas em Língua Portuguesa. Para isso, foi feita uma seleção criteriosa de materiais vinculados a centros de estudos de universidades, como o Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita (Ceale/UFMG), Centro de Estudos em Educação e Linguagem (UFPE) e Instituto de Estudos da Linguagem (IEL/Unicamp), além de publicações do Polo (Itaú Social) e de secretarias de educação, informa Patrícia.


Reformulação do módulo de Matemática

Um dos princípios orientadores da reformulação do módulo de Matemática foi garantir os objetivos do Programa: “desenvolver habilidades essenciais para planejar, executar, monitorar/acompanhar e avaliar a formação de professores(as) dos anos iniciais do Ensino Fundamental no município, disseminando os pressupostos pedagógicos do Apoio Pedagógico Complementar”, informa Sandra Amorim.

Outro princípio orientador foi proporcionar aos cursistas maior familiarização com o ambiente on-line. “Os conteúdos e as habilidades específicas da área de Matemática não sofreram alterações, mas sim adaptações para facilitar o acesso a distância. Investimos em mais videoconferências, atividades autoformativas e fóruns”, conta a mediadora.

Com a reformulação, o módulo, inicialmente composto por 8 tópicos, passou a ter 10. Os tópicos acrescentados têm como objetivo apoiar os(as) técnicos(as) das secretarias a elaborar mapas de habilidades matemáticas a serem focadas em 2020 e roteiros de acompanhamento de aulas presenciais e remotas.

Foto de Sandra Amorim, formadora e mediadora de Matemática.
Foto: arquivo pessoal

Nas adequações, consideramos as necessidades enfrentadas nas redes municipais, o momento vivenciado em todo o país e a urgência em garantir acesso a conhecimentos e habilidades matemáticas para os(as) estudantes.”

Sandra Amorim, formadora e mediadora de Matemática

Como estratégias formativas, investiu-se em videoconferências, atividades autoformativas e fóruns, disponíveis na plataforma para os(as) cursistas. Além disso, muitas das atividades realizadas no módulo podem ser aplicadas e multiplicadas com os(as) docentes das redes municipais.


Perspectivas para o retorno às aulas presenciais

Apesar da continuidade da formação remota, a ponderação do impacto do Programa sobre a formação dos professores e, consequentemente, sobre o desenvolvimento dos estudantes das turmas de apoio pedagógico está limitada devido à suspensão das aulas presenciais. “Vemos que há dificuldades para os técnicos atuarem como multiplicadores na formação docente devido às condições de acesso à Internet”, observa Érica Catalani.

Segundo a coordenadora, com o fim do isolamento social, serão aplicados instrumentos para aferir as proficiências em leitura e resolução de problemas a fim de estabelecer uma linha de base. “No retorno das aulas presenciais, cada município, considerando as condições existentes, proporcionará aulas no contraturno ou realizará a reorganização das turmas regulares para atender as dificuldades e garantir avanços nas habilidades mapeadas pelos diagnósticos.”

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