APC: Laboratório de Práticas na superação dos desafios educacionais

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APC: Laboratório de Práticas na superação dos desafios educacionais

Iniciativa estimula a troca de experiências e desperta o olhar de gestoras(es) e técnicas(os) do Conisul Alagoas para acompanhamento e aceleração das aprendizagens

Por meio da tecnologia Apoio Pedagógico Complementar (APC), foi realizada a primeira formação presencial e o Laboratório de Práticas em Língua Portuguesa com representantes dos 17 municípios do Conisul Alagoas.  

Foi em um contexto de proximidade que a parceria Cenpec, Itaú Social e Conisul Alagoas avançou mais um passo no enfrentamento às dificuldades de aprendizagem.

Foto: acervo pessoal

Foi tão bonito, tão emocionante… Estar perto, olhar os ‘rostinhos’, entender cada gesto, cada sorriso(…) desse povo tão acolhedor, apaixonado pela educação e famintos de novas possibilidades, de novos fazeres. Foram encontros intensos!” 

Patrícia Calheta, Formadora de Língua Portuguesa e Alfabetização do Programa Apoio Pedagógico Complementar

Os encontros aconteceram de 16 a 18 de maio, organizados por polos, com significativa participação de gestores, técnicos e, a pedido de alguns municípios, coordenadores pedagógicos e formadores de professores da área de Língua Portuguesa.

O eixo dos encontros foi a “Alfabetização e (multi)letramento(s)”, sendo a formação conduzida em torno do tema a “Priorização curricular em Língua Portuguesa e metas para acompanhamento das aprendizagens”.


Aceleração: trabalhar as habilidades com equidade

Foto: acervo pessoal

O APC é um apoio de fundamental importância para os municípios consorciados. Nos fortalece na questão da recomposição das aprendizagens e acompanhamento. Além de fortalecer essa integração das ações conjuntas que nos permitirão avançar.” 

Edvânia Maria Santos Rocha Lessa, Técnica da Secretaria Municipal de Educação de Piaçabuçu (AL)

É com o olhar para o presente que o APC propõe aos municípios a via da “aceleração” das aprendizagens e não da “recuperação”. Nessa perspectiva, a educação não olha para aprendizados que não foram consolidados como se desejava, mas para aqueles que estão por vir, proporcionando a construção de verdadeiras pontes (andaimes) para que as(os) estudantes possam desenvolvê-los.

O objetivo é trabalhar as habilidades previstas para determinado ano, mas sempre fazendo a articulação com os conhecimentos prévios, necessários para que o(a) aluno(a) possa aprender o conteúdo do ano em curso

Uma criança não alfabetizada que esteja no 3º ano, por exemplo, vai participar das atividades propostas para este ano ao mesmo tempo em que se enfatiza com esse conteúdo as atividades de alfabetização. 

Desse modo, os conteúdos e habilidades trabalhados com as(os) estudantes na recomposição passam a ter mais sentido em sua rotina escolar, contribuindo com o seu avanço pedagógico na turma vigente e em sua motivação com a aprendizagem.


Como ensinar e acompanhar os resultados?

Foto: acervo pessoal

As modalidades organizativas são uma pista para o sucesso das práticas, uma vez que têm como proposta fazer uma previsão, guiar os passos, evitando a sobreposição de assuntos. Clarear o ponto de partida e o de chegada, começando do todo e aos poucos criando as ramificações” 

Eva Maria da Silva Palmeira, Diretora de Gestão do Ensino/ Ponto Focal do município de Campo Alegre (AL)

O primeiro passo para o “como ensinar” é ter em mente quais habilidades serão trabalhadas. 

Por meio dos resultados da Avaliação Diagnóstica são definidas as “aprendizagens foco”. Essas habilidades serão ensinadas com base nas “modalidades organizativas” que ajudam a estabelecer uma rotina para o trabalho pedagógico, por meio de sequências e de atividades didáticas, projetos e iniciativas que favoreçam e estimulem um trabalho mais amplo com a linguagem. 

Durante o encontro formativo, realizado em Teotônio Vilela, no dia 17 de maio deste ano, as dinâmicas possibilitaram a gestoras(es) e técnicas(os) compreenderem melhor a realidade do(a) aluno(a) que está em sala de aula e a “enxergarem” as atividades sob a ótica da criança.

“Não se trata apenas de escolher as atividades, mas a de escolher as melhores atividades para aquelas necessidades de aprendizagem, para as habilidades que eles precisam aprender e ainda não conhecem”, explica Patrícia Calheta.

Outro ponto destacado na formação foi a importância do acompanhamento/monitoramento das aprendizagens para mapear os resultados, e com eles definir as ações a serem implementadas. Além da Avaliação Diagnóstica, foram apresentadas outras propostas que podem auxiliar neste acompanhamento, como planilhas, quadros de organização de dados etc.

O monitoramento deve passar por todas as camadas dos agentes envolvidos com a educação, desde a secretaria municipal, gestoras(es), técnicas(os), até as(os) docentes em sala de aula. Nesta proposta de “cascata formativa”, ao chegar à camada das(os) professoras(es), as planilhas são individuais, ajustadas conforme as habilidades de cada estudante.


Laboratório de práticas: partilhas, ideias e solidariedade

Foto: acervo pessoal

Um ganho que a gente teve com o laboratório, além da sensibilização para a tecnologia APC, é que a dinâmica de reunir pessoas de diferentes lugares e com experiências diversas propiciou um abrir os olhos para o novo, para outras possibilidades no seu fazer pedagógico.”

Aline Tiemi Yokoyama, técnica de projetos do Programa Melhoria da Educação, Apoio Pedagógico Complementar (APC) no Conisul Alagoas

Os laboratórios aconteceram nos dias 16 (polo Rio Mar e polo Educ) e 18 de maio (polo Terra Mar), nos municípios de Jequiá da Praia, Teotônio Vilela e Barra de São Miguel, respectivamente, no estado de Alagoas.

Esta foi a primeira experiência do APC com a modalidade de formação conduzida pelas(os) integrantes das equipes técnicas dos municípios anfitriões com apoio do Cenpec. 

Embora as dinâmicas dos trabalhos tenham sido diferentes, em função das pautas escolhidas por cada polo, o Laboratório de Práticas mostrou ser um ambiente acolhedor  para o fomento das experiências, projetos e para a colaboração entre os municípios.

Foto: acervo pessoal

Conseguimos visualizar nossa realidade e conhecer as experiências de outros municípios. Cada relato foi muito importante, ora por sentir uma identificação por semelhança, ora por perceber naqueles municípios que já superaram certas dificuldades os caminhos que percorreram, logo nos ajudando a nortear/vislumbrar possibilidades para sanar nossas dificuldades.”

Márcia Soares de Melo Tavares, Diretora de Ensino no município de Barra de São Miguel (AL)

Em Campo Alegre, iniciativas focadas no “ajuste do tempo didático”, previsto na Resolução para o Conisul, acenam como novas possibilidades para a aceleração das aprendizagens.

Nós possuímos o projeto Conexão da Aprendizagem que prevê enturmações dos estudantes que apresentarem dificuldades. Essas turmas são acompanhadas por professores específicos que passam por formação continuada e trabalham essas dificuldades no contraturno. Outra proposta é a intervenção qualificada durante a regência da sala de aula. Além disso, a rede de Campo Alegre possui em sua matriz curricular dois componentes curriculares específicos para o trabalho de leitura, interpretação e produção textual e resolução de problemas que, de forma geral, buscam trabalhar essas habilidades de forma específica.”

Eva Maria da Silva Palmeira, Diretora de Gestão do Ensino e Ponto Focal do município de Campo Alegre (AL)

Alguns relatos nos encontros apontaram que não só a superação das dificuldades de aprendizagem se faz necessária, é fundamental superar os reveses daquelas(es) que ainda não compreendem os benefícios das mudanças propostas e, talvez por isso, as rejeitem. 

A resistência ao uso de novas tecnologias educacionais, seja entre as(os) professoras(os) ou nas camadas das equipes técnicas e gestoras, despertou a solidariedade e colaboração entre os municípios, num efervescer de sugestões, trocas de experiências e possibilidades futuras de intercâmbio formativo sobre essas ações.

“Se o APC tivesse uma forma… seria uma massinha, um material líquido que vai chegando, entendendo o contexto e abraçando as pessoas pra realmente ser apoio para as necessidades daquele município”, explica Aline Tiemi Yokoyama.


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