APC: formação continuada em 2020 cumpriu o seu papel?

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APC: formação continuada em 2020 cumpriu o seu papel?

Relatório olha para as percepções dos(as) técnicos(as) das secretarias envolvidos(as) nas formações do Programa de Apoio Pedagógico Complementar em 2020
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Por Stephanie Kim Abe

Em 2020, o Programa Apoio Pedagógico Complementar (APC) realizou um total de 248 horas de formação, divididas em quatro módulos: planejamento, língua portuguesa/alfabetização, matemática e avaliação. Participaram 17 técnicos(as) de sete secretarias municipais de educação, que fazem parte do Consórcio Intermunicipal de Gestão Pública Integrada nos Municípios do Baixo Paraíba (Cogiva): Itabaiana, Salgado de São Félix, Mogeiro, São José dos Ramos, Gurinhém, Mari e Pilar.

O monitoramento das ações do Programa mostrou, entre outras coisas, que as atividades tiveram 93,6% de engajamento e que a possibilidade de indicação da formação pelos(as) participantes para outros colegas foi de 91%. Também revelou que a formação contribuiu com as equipes técnicas, oferecendo acesso a saberes, na percepção de 87%, e mudança de percepções nas temáticas abordadas para 88% dos(as) participantes.

Os números dizem muita coisa, mas não revelaram as percepções dos(as) técnicos(as) participantes em relação aos materiais e instrumentos oferecidos. Para isso, a Diretoria de Pesquisa e Avaliação do CENPEC Educação elaborou um relatório técnico, que trouxe não só uma análise documental do Programa, mas também uma survey com 18 respondentes e entrevistas semiestruturadas para captar melhor os pontos a serem aprimorados e trazer recomendações para a continuidade e melhoria da formação para este ano.

Érica Maria Toledo Catalani, coordenadora do Programa Apoio Pedagógico Complementar, avalia:

Foto: arquivo pessoal

Penso que os melhores achados desse relatório se referem ao destaque sobre a formação do APC. As técnicas entrevistadas destacaram que a formação propôs um olhar sobre a forma como o aluno aprende, diferente de formações a que estão habituados, com foco no ensino. De acordo com elas, os módulos Avaliação e Planejamento levaram conteúdos novos, desafiadores e que conduziram à reflexão. Vários relatos revelaram que, embora tenham acesso às formações dadas pela secretaria, são escassas aquelas cuja temática se volta à avaliação ou planejamento.”

Érica Catalani

Adaptações tecnológicas à pandemia

O relatório traz três dimensões de análise: formato e recursos tecnológicos do programa, conteúdos da formação e utilização na prática dos conhecimentos adquiridos.

O formato e os recursos tecnológicos foram determinantes para as ações do Programa, já que o advento da pandemia forçou adaptações no seu planejamento e execução. O Programa previa trabalho em campo, no sentido de melhor instrumentar as equipes técnicas para o enfrentamento das dificuldades de aprendizagem e a para a redução das taxas de reprovação, abandono escolar e distorção idade-série. 

De acordo com as entrevistadas, a navegação na plataforma foi avaliada como simples e intuitiva, as orientações e suportes técnicos foram adequadas e a linguagem utilizada na plataforma foi considerada um diferencial. Entre os diversos recursos digitais utilizados ao longo da formação (como Whatsapp, questionário via google forms, google meets e ambiente virtual de aprendizagem), as planilhas de excel mostraram menor aceitação – o que pode mostrar um embaraço ou dificuldade com a ferramenta. 

O interesse dos(as) técnicos pelo trabalho realizado através dessas diferentes ferramentas digitais mostrou ainda a necessidade de mais interação com o mundo digital e do uso desses recursos para a educação – ainda mais em um contexto de ensino remoto.


Conteúdos da formação

Foi unânime a percepção favorável do grupo acerca da escolha dos temas da formação (Planejamento, Avaliação, Língua Portuguesa e Matemática), sendo que, mais de 70% das apreciações das entrevistadas se concentraram em “muito satisfeito”.

Foram selecionadas entrevistas pelos conteúdos de Língua Portuguesa, por trabalharem com a alfabetização, mas foram principalmente os conteúdos de Matemática, Avaliação e Planejamento que pareceram trazer um diferencial, dada as dificuldades que os(as) técnicos(as) enfrentam em relação a esses temas. 

O relatório destaca que, ainda que a avaliação e o planejamento sejam algumas das tarefas cotidianas das equipes técnicas, elas normalmente não possuem formação ou discussão teórica a respeito desse assunto – o que traz ainda mais a importância da formação continuada.

Entre as contribuições dos conteúdos mencionadas pelos entrevistados, destacamos a observação da Técnica 2 de Pilar que mostra uma relação entre Planejamento e Avaliação; para ela, “avaliação e planejamento estão articulados, pois, o professor avalia e volta ao planejamento reorganizando tudo”. A compreensão de que as tarefas são complementares e que uma deve retroalimentar a outra pode contribuir para uma atuação mais fundamentada.”

CENPEC Educação, Diretoria de Pesquisa e Avaliação

Continuidade 

Entre as dificuldades apontadas pelas entrevistadas, está o volume de atividades em relação ao tempo escasso dos(as) participantes, que estavam lidando com as demandas prioritárias ocasionadas pelo fechamento das escolas por causa da pandemia. Por isso, Érica que ressalta:

Vamos consultar os técnicos de modo mais pontual sobre as expectativas sobre a formação e reduzimos o número de atividades on-line. Procuraremos mapear os conhecimentos teóricos e práticos que técnicos de secretarias de educação têm em relação aos temas dos módulos trabalhados nas formações do APC.”

Érica Catalani

Outra preocupação levantada foi com relação à descontinuidade política, dado que este ano novas gestões tomaram posse em muitos municípios brasileiros. Nesse sentido, Érica Catalani aponta algumas das medidas que devem ser tomadas esse ano para lidar com essa questão:

Vamos apresentar um espaço de fundamentação com materiais de estudo para as equipes que iniciam em 2021 e um outro espaço, denominado implementação, que acolherá todos/as. No espaço de implementação, vamos organizar reflexões que possam atender tanto os que iniciaram em 2021 como os que estão em continuidade, pois pressupõe colocar em ação a formação de professores, aspecto que não foi concretizado em 2020.”

Érica Catalani

Perspectivas para 2021

Os trabalhos para este ano já começaram. A primeira reunião com os prefeitos, secretários ou representantes dos municípios aconteceu semana passada, mas ainda não há confirmação de quais irão aderir ao Programa este ano. 

Na ocasião, além de trazer um balanço das atividades de 2020 e os objetivos e escopo do trabalho para este ano, foram apresentados alguns dados referentes ao cenário educacional da Paraíba, estado dos municípios do Cogiva.

De acordo com o último Censo (2020), no estado, a distorção idade-ano escolar no ensino fundamental foi de 17,3% nos anos iniciais e de 35,5% nos anos finais. As taxas de reprovação e abandono para os anos iniciais, no mesmo período, foram de 7,5% e 1,3%, respectivamente, enquanto nos anos finais as taxas de reprovação foram de 13,7% e de abandono 4,2%. O desafio das redes municipais é grande, especialmente nos anos iniciais: a distorção idade-ano é quase 6% maior que a taxa nacional de  11,7% (Inep, 2020).

Para 2021, o CENPEC Educação, em parceria com o Itaú Social e o Cogiva, desenhou uma proposta de assessoria com o objetivo de impactar as escolas, sem deixar de lado os cuidados sanitários da pandemia. A ideia é potencializar a atuação das equipes técnicas e dos(as) gestores(as) de escola na implementação da formação de professores(a) e na discussão e implementação de alternativas que sejam fundamentais para melhorar a aprendizagem de estudantes dos anos iniciais do ensino fundamental nos municípios do Cogiva que aderirem ao programa, contribuindo para diminuição das desigualdades educacionais.”

Érica Catalani

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