PISA 2018: resultados em breve

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PISA 2018: resultados em breve

Resultados da última edição do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes serão divulgados no início de dezembro
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Os resultados do PISA 2018, avaliação internacional da educação básica, serão divulgados no início de dezembro. Aplicado a alunos de 15 anos matriculados a partir do 7º ano do ensino fundamental, o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes acontece a cada três anos em diversos países.

Na última edição, as provas foram aplicadas em mais de 80 países com o objetivo de produzir indicadores sobre qualidade da educação nesses locais. Os resultados também permitem traçar um perfil básico de conhecimentos e habilidades dos estudantes, comparar sua atuação e os ambientes de aprendizagem entre diferentes nações. No Brasil, a avaliação aconteceu em maio do ano passado, envolvendo escolas das redes públicas e privadas das cinco regiões.

Mas as expectativas do ministro da educação, Abraham Weintraub, sobre os resultados do PISA 2018 não são positivas. Em entrevista coletiva concedida à imprensa nesta semana, Weintraub afirmou que nosso país estará na última posição entre os países sul-americanos. Na última edição, de 2015, o País ficou em 59o em leitura, 63o em ciências e 66o em matemática. Entre os países da América Latina, o Brasil ficou em penúltimo lugar, à frente apenas da República Dominicana.


Matemática é a vilã?

Historicamente, a matemática tem sido indicada como o ponto fraco do ensino no Brasil. É nessa área do conhecimento que nossos estudantes têm a pontuação mais baixa nas últimas cinco edições do programa. No entanto, um olhar sobre a participação do País nessa avaliação ao longo dos anos traz outras perspectivas sobre a questão.

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Gráfico dos resultados do Brasil em matemática
(PISA 2015). Foto: Editoria de Arte/G1

Entre 2003 e 2012, o desempenho dos estudantes brasileiros nessa área do conhecimento passou de 356 para 391 pontos. Com o resultado revelado no PISA 2012, o Brasil foi o país que mais avançou em matemática entre os avaliados. Já em 2015, foi nessa área que tivemos queda mais acentuada, como se pode ver no gráfico ao lado.

Mas apenas apontar a matemática como o problema da educação brasileira não é o melhor caminho. No olhar de Maria Amabile Mansutti, diretora de Tecnologias Educacionais do CENPEC Educação, é preciso derrubar o mito de que essa matéria escolar é mais difícil que as outras. Para isso, é necessário investimento na formação dos professores, a fim de que todos os estudantes adquiriram habilidades e competências matemáticas, necessárias para o exercício da cidadania, afirma a especialista no Jornal da Cultura exibido no dia 21.11.

Segundo Ilona Becskeházy, doutora em políticas educacionais pela Universidade de São Paulo (USP), a receita para elevar o nível de conhecimento dos brasileiros na avaliação é:

… currículo ambicioso, bem especificado, com progressão definida […], livros didáticos e orientação pedagógica clara que acompanhe esse currículo, principalmente no momento da implementação curricular, quando não ainda há formação docente afinada a ele. Paralelamente, deve ser investido em formação docente, tanto inicial como continuada.”

Ilona Becskeházy

Veja nessa edição do Jornal da Cultura (a partir do trecho 18’55):


Sobre o PISA

Referência mundial na avaliação em larga escala, o número de participantes tem aumentado desde sua primeira edição, em 2000. Em 2015, participaram 35 países membros da OCDE e 35 países parceiros. O objetivo do Pisa é produzir indicadores da qualidade do ensino nos países participantes, a fim de apoiar políticas de melhoria da educação básica.

A coordenação geral do programa é feita pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), com o apoio de uma coordenação nacional em cada país participante. No Brasil, o responsável pelos exames é o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

A cada edição do PISA, a ênfase recai em um dos campos do conhecimento aferido. Em 2009, o foco da avaliação foi o domínio de leitura; em 2012, matemática; e em 2015, ciências. Em 2015, incluíram-se as áreas de competência financeira e resolução colaborativa de problemas. Na edição de 2018, a ênfase voltou a ser sobre as habilidades e competências em leitura.

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