Olimpíada de Língua Portuguesa lança sua 6ª edição

Cerimônia de lançamento traz a homenageada Conceição Evaristo e aborda a necessidade de trazer diversidade de vozes para a escrita e evidenciar a pluralidade nacional

POR JOÃO MARINHO | 26/02/2019

“Ganhar a Olimpíada, para mim, significou tudo, por abordar um problema real que temos na minha cidade. Apesar de o tema – a violência contra a mulher – chamar a atenção no momento atual, acredito que era preciso algo mais, porque a violência contra a mulher é cotidiana, e, com meu texto, eu ganhei voz (…). Hoje, percebo a diminuição do protagonismo das mulheres e a necessidade de a autoria ser mais feminina: é preciso resgatar a literatura histórica das mulheres, pois somos definidas pelo que os homens escrevem”, conta Ana Karolina Alves Amorim, 20 anos, de Brazlândia (DF), vencedora da 5ª edição da Olimpíada de Língua Portuguesa com o texto “Também, olha a roupa dela!”.

Ana Karolina uniu-se a mais de 190 convidados na cerimônia de lançamento da 6ª edição da Olimpíada, que ocorreu na última quarta-feira (20), no Auditório Guajuviras, no Centro Empresarial Itaú Unibanco, em São Paulo (SP). Com o lançamento, houve também a abertura das inscrições para o concurso.

Ganhar a Olimpíada, para mim, significou tudo. Com meu texto, eu ganhei voz.”

Ana Karolina Amorim, vencedora da 5ª edição

 

Mobilização pela equidade

“A Olimpíada e o programa Escrevendo o Futuro são uma parceria muito positiva entre o Itaú Social, o Ministério da Educação e parceiros como o CENPEC – responsável pela coordenação técnica –, a Undime, o Consed, Canal Futura e, agora, a Fundação Roberto Marinho, que mobiliza uma grande aliança em favor do uso da língua portuguesa por todas e todos os brasileiros, visando a uma aprendizagem que privilegie a equidade (…), além de prover um lugar onde o professor pode refletir sobre suas práticas”, diz a superintendente do Itaú Social, Angela Dannemann.

Desde o dia 20 de fevereiro e até 30 de abril, professores das redes públicas estaduais, municipais e federal do 5º ano do Ensino Fundamental até o 3º ano do Médio podem inscrever-se, e as secretarias de educação podem fazer a adesão. Os textos produzidos pelos alunos competem em etapas que vão da escolar e seguem nos níveis municipal, estadual, regional e nacional. As comissões julgadoras são compostas por pais, membros da comunidade, outros professores, especialistas de universidades e por representantes das instituições que promovem a Olimpíada.

 

 

O lugar onde vivo

A cerimônia, apresentada por Karen de Souza, do Canal Futura, contou com uma conversa entre Angela Dannemann e Conceição Evaristo, escritora mineira homenageada na 6ª edição. É a primeira vez que a Olimpíada de Língua Portuguesa escolhe um homenageado, prática que deve se repetir nas próximas edições.

“Conceição tem um histórico de fazer escrevivência, que é trazer as memórias e experiências do cotidiano para a escrita, o que tem afinidade com o tema que se repete na Olimpíada: ‘O lugar onde vivo’. Esse tema traz um senso de pertencimento para meninos, meninas e jovens, que vão olhar para seu lugar com um olhar diferenciado. Com esse sentimento de pertença, o professor, por meio de cada um dos gêneros, pode trazer o cotidiano, as denúncias, as alegrias, a cultura daqueles lugares para dentro dessa escrita”, diz Maria Aparecida Laginestra, coordenadora da Olimpíada.

 

►Confira os gêneros da Olimpíada de Língua Portuguesa

 

Uma escrita com história

A conversa entre Angela e Conceição no evento abrangeu exatamente a escrevivência e a necessidade de representar diferentes lugares, culturas e personagens brasileiros no universo da escrita.

“Principalmente quando falamos de lugares onde vivem populações que passaram ou passam por processos de colonização, de escravização, de exclusões sociais, esses lugares tendem a não serem escritos por essas pessoas (…). Quem escreve a história da colonização? São os colonizadores, nunca os colonizados. Quem escreve sobre a história dos pobres? São aqueles que já detêm o poder da escrita, que normalmente não são os pobres”, disse Conceição Evaristo, com exclusividade, para o portal Escrevendo o Futuro e Portal CENPEC.

Segundo a escritora, “a ação de o próprio sujeito, na sua condição original, escrever sua própria história é um gesto afirmativo. Quando tento recuperar uma memória do passado ou então o cotidiano da comunidade afro-brasileira, por exemplo, isso é também escrever a partir do lugar onde moro, do lugar onde vivo. É o gesto de uma escrita com identidade própria, que nasce a partir de dentro”.

Na cerimônia de lançamento, exibiu-se ainda um episódio da websérie Meu lugar tem histórias, com relatos de vencedores de edições anteriores, como Ana Karolina Amorim, e com participação da própria Conceição Evaristo, que visitou o Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo (SP), em reforma após o incêndio de 2015. Na sequência, houve uma recepção, e os participantes foram convidados a visitar a exposição dos 25 anos do Itaú Social, que traz projetos históricos realizados em parceria com o CENPEC e outras instituições.

► Assista ao vídeo da websérie Meu lugar tem histórias

 

 

O que diferencia essa Olimpíada são a formação, que ocorre por meio do acesso aos materiais produzidos e aos cursos, e a possibilidade de multiplicação da forma como o professor trabalha no processo de construção dos textos dos alunos.”

Mara Ewbank, Ministério da Educação

 

Potencialidades e novidades

Uma das principais novidades para a 6ª edição é a inclusão de um novo gênero/categoria de inscrição entre os já existentes: o Documentário. A proposta, aliada aos demais gêneros, já se encontra adaptada às diretrizes trazidas pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC), aprovada em 2017 para a Educação Infantil e Ensino Fundamental e em 2018 para o Ensino Médio. Professores e estudantes contam com o apoio do Escrevendo o Futuro para a realização de oficinas em sala de aula.

“Para o Ministério, interessam as políticas de formação e valorização dos professores (…). O que diferencia essa Olimpíada de outros concursos são a formação, que ocorre por meio do acesso aos materiais produzidos e aos cursos, e a possibilidade de multiplicação da forma como o professor trabalha no processo de construção dos textos dos alunos”, avalia Mara Silvia Andre Ewbank, coordenadora-geral de Valorização, Saúde e Bem-Estar dos Profissionais da Educação do Ministério da Educação.

O ano de 2019 traz também novidades entre as premiações, que agora incluem imersão pedagógica internacional para os professores e viagem cultural para os estudantes em território brasileiro. Além disso, as escolas dos alunos vencedores receberão acervos para reforçarem suas bibliotecas.

“Para o CENPEC, que é uma organização da sociedade civil que tem como missão o enfrentamento das desigualdades, é um prazer e um privilégio poder trabalhar, com parceiros tão significativos para que a Olimpíada seja um sucesso a cada edição.  A Olimpíada é um programa com uma capilaridade imensa, que alcançou quase 88% dos municípios na última edição, com um número significativo de professores e alunos. Essa capilaridade traz uma imensa diversidade, que é muito importante”, diz Ana Helena Altenfelder, presidente do Conselho de Administração.

 

 

Galeria

Confira as imagens do evento. Clique para ampliar.

 

 Confira a cobertura no Portal Escrevendo o Futuro

 


Fotos: Isabela Alves e Helder Lima

 

 

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