Rede Brasileira de Aprendizagem Solidária discute fortalecimento e expansão

Evento realizado no CENPEC teve como objetivo aprofundar o conceito de aprendizagem solidária, convidar organizações a integrarem e fortalecer a Rede e propor atividades para o ano

POR JOÃO MARINHO | 01/02/2019

De acordo com o Dicionário Caldas Aulete, alguns dos sentidos da palavra solidariedade são ajuda, amparo, apoio, simpatia com os pobres e desprotegidos ou ainda “assistência moral, espiritual, que se concede a alguém, por simpatia, piedade ou senso de justiça”. Como pode o processo de aprendizagem ser, então, solidário?

Apesar do significado tradicional que a palavra carrega, a resposta pode ser encontrada na própria língua, já que outros sentidos incluem cooperação, coparticipação, interdependência e reciprocidade. É nessa definição que a aprendizagem solidária aparece como “concepção de Educação que busca promover o desenvolvimento integral por meio de vínculos com as comunidades locais e também as globais” e envolve outras concepções bastante difundidas na área, como Educação integral, protagonismo juvenil, pedagogia de projetos, articulação curricular e interdisciplinaridade.

Encontro e solidariedade

Mônica Gardelli Franco, Anna Helena Altenfelder e Alexandre Isaac, do CENPEC, no encontro da Rede Brasileira de Aprendizagem Solidária, coordenada pela organização. Foto: João Marinho.

Visando a divulgar o conceito, fortalecer a Rede Brasileira de Aprendizagem Solidária e convidar parceiros a integrarem a iniciativa, foi realizado um encontro no auditório do CENPEC na última terça-feira (29), ao qual compareceram mais de 30 representantes de 23 instituições de todo o País. O CENPEC é responsável pela coordenação da Rede.

Mônica Gardelli Franco, diretora-executiva da organização; e Alexandre Isaac, assessor de relações institucionais, fizeram a abertura do evento citando Paulo Freire e sua discussão sobre a práxis transformadora, que, segundo Mônica Franco, dialoga com a proposta da aprendizagem solidária.

A ideia é que, por meio de práticas educativas transformadoras, se intervém diretamente na comunidade em que se insere a escola para gerar mudanças que beneficiem as pessoas sob a perspectiva da ética e da garantia de direitos.

Nesse ponto, é que há a pedagogia dos projetos: a aprendizagem solidária requer que os estudantes, que assumem o papel de protagonistas no processo, desenvolvam ações que causem impacto na comunidade a longo prazo – e mais importante: que as ações sejam discutidas com a própria comunidade, a fim de que atendam, de fato, às necessidades do território.

Katia Gonçalves Mori (à dir.), fundadora do Mori Educação e consultora do CLAYSS, aprofundou o conceito de aprendizagem solidária em palestra. Houve também uma dinâmica conduzida por Isabella Moreira e Sofia Carvalho, do Movimento Futuro. Foto: João Marinho.

A aprendizagem solidária dialoga com a Educação integral porque, como postula esta última, passa a existir um diálogo entre a escola e o território. Além disso, os estudantes potencializam sua aprendizagem por meio de um currículo que articula os conhecimentos das diferentes disciplinas (interdisciplinaridade) em prol de objetivos comuns.

“A solidariedade se aprende e pode estar no espaço escolar, pode estar presente no currículo. Ela é passível de ser demandada, de gerar intervenções, problematizações e práxis transformadoras”, comenta Mônica Gardelli Franco.

O encontro foi complementado com uma palestra sobre o tema, proferida por Katia Gonçalves Mori, especialista em currículo e consultora de Educação do Centro Latino-Americano de Aprendizagem e Serviço Solidário (CLAYSS), e com o encaminhamento de propostas de atividades para 2019, que incluíram reuniões periódicas e realização de eventos futuros em outros estados. Houve ainda uma dinâmica conduzida por Isabella Moreira e Sofia Carvalho, do Movimento Futuro.

Mensagem política

Mais de 30 representantes de 23 instituições de todo o País estiveram presentes no evento, para reforçar a Rede e contribuir para uma Educação de qualidade. Foto: João Marinho.

O conceito de aprendizagem solidária formalizou-se no início dos anos 2000, na Argentina, como uma resposta de parte da sociedade à crise socioeconômica vivenciada pelo país na época. Os referenciais de Educação da UNESCO e do Fórum Econômico Mundial serviram de inspiração para a proposta de garantir múltiplas formas de letramento e desenvolvimento de competências e habilidades em diferentes espaços.

A proposta tem raízes que podem ser traçadas até o início do século XX em teóricos de diferentes países e tem recebido diversas nomenclaturas no exterior, como aprendizaje-servicioaprendizaje y servicio solidario e service-learning. Em torno dela, tem-se constituído uma rede internacional de mais de 90 organismos governamentais, universidades e organizações da sociedade civil (OSCs) que envolve instituições educacionais e se ramifica em diferentes regiões do mundo, como América Latina, Espanha e América do Norte.

No Brasil, a Rede de Aprendizagem Solidária começou a constituir-se no final de 2017 e foi lançada no início de 2018, liderada pelo CENPEC, em articulação com o CLAYSS e apoio da Rede Ibero-Americana de Aprendizagem-Serviço. Desde o ano passado, têm sido mapeadas ações desenvolvidas no País que tenham relação com a aprendizagem solidária, e as organizações responsáveis têm sido convidadas a conhecer e se filiarem à Rede.

Além do fortalecimento e expansão, o encontro do dia 29 teve como objetivo evidenciar a Rede Brasileira de Aprendizagem Solidária na articulação com uma luta política maior, por uma Educação de qualidade que dialogue com as realidades dos territórios.

 

►Em 29/3, será realizado, em São Paulo/SP, um seminário internacional com enfoque em aprendizagem solidária. As novidades sobre o evento, você acompanha aqui, pelo Portal CENPEC.

 

 

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