Inep divulga dados preliminares do Censo Escolar 2018

Notas estatísticas mostram redução no número de matrículas na Educação Básica e Educação integral e distorção idade-série sobretudo no Ensino Médio

POR JOÃO MARINHO | 31/01/2019

Volta às aulas no no bairro Batel, em 2015. Foto: Hedeson Alves/Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Reprodução).

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgou na manhã desta quinta-feira, 31, os dados preliminares do Censo da Educação Escolar 2018.

As notas estatísticas foram publicadas sem a costumeira coletiva de imprensa, e têm o objetivo de ser, segundo o Inep, “um instrumento inicial de divulgação com destaques relativos às informações de alunos (matrículas), docentes e escolas”. O instituto também informa que disponibilizará os microdados da pesquisa, a Sinopse Estatística e um resumo técnico para ampliar posteriormente a análise.

Seguem alguns dos principais dados selecionados pelo Portal CENPEC:

  • Redução no número de matrículas na Educação Básica: as notas estatísticas trazem uma redução de 2,6% no total de matrículas na Educação Básica em comparação com o ano de 2014. O percentual equivale a 1,3 milhão a menos de matrículas, que somaram o total de 48,5 milhões em 2018. A queda é mais intensa nos anos finais do Ensino Fundamental. Na Educação Infantil, no entanto, houve crescimento de 11,1% nas matrículas, que totalizaram 8,7 milhões, graças sobretudo às creches.
  • Redução no número de matrículas no Ensino Médio: nos últimos cinco anos, houve redução de 7,1% no total de matrículas no Ensino Médio, que registrou 7,7 milhões em 2018. O Inep, no entanto, pontua que a tendência de queda segue tanto a redução proveniente do Ensino Fundamental quanto uma melhoria no fluxo do próprio Ensino Médio.
  • Redução no total de alunos em escolas de tempo integral: em 2018, 9,4% dos matriculados no Ensino Fundamental permaneceram 7h ou mais em atividades escolares (período integral). Em 2017, o percentual havia sido maior: 13,9%. A maioria das matrículas em período integral ocorre nas escolas públicas.
  • Altas taxas de distorção idade-série: a taxa de distorção idade-séria alcança 11,2% das matrículas nos anos iniciais do Ensino Fundamental para chegar a 28,2% no Ensino Médio. A distorção é mais intensa a partir do terceiro ano do Ensino Fundamental e se acentua no sexto ano do Fundamental e no primeiro ano do Médio.
  • Predomínio da Educação Básica nas zonas urbanas: a esmagadora maioria das matrículas ocorre nas áreas urbanas (88,7%). Na rede privada, esse percentual chega a 99%. As escolas municipais são as mais presentes nas áreas rurais, com 19,5% da proporção de matrículas nessas regiões. Os municípios também respondem pela maior oferta global dos anos iniciais do Ensino Fundamental.
  • Maiores desigualdades escolares nas Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste: essas três regiões apresentam menor percentual de professores com formação adequada na disciplina que lecionam. As regiões Norte e Nordeste também têm menor percentual de escolas que contam com biblioteca ou sala de leitura. O Censo registrou um total de 2,2 milhões de professores na Educação Básica brasileira, 62,9% dos quais atuam no Ensino Fundamental e 78,5% têm nível superior.

Alunos reais

Para Anna Helena Altenfelder, presidente do Conselho de Administração do CENPEC, é preciso observar as deficiências presentes na Educação Básica e adotar estratégias adequadas para combatê-las. É o caso da necessidade de fortalecimento do Ensino Fundamental II.

“Se queremos pensar num Ensino Médio fortalecido, temos que pensar nos anos finais do Fundamental. Olhando para proficiência dos alunos, observamos que há um declínio no segundo segmento do Fundamental. Não adianta criar políticas para o Ensino Médio se não fizermos o fortalecimento do ciclo anterior de ensino. Existem pesquisas que mostram que os alunos param de aprender nessa faixa etária. Temos que ter consciência que quem chega ao Ensino Médio é o aluno real, que não teve oportunidade de aprender, e não o aluno ideal”, comentou Anna Helena em reportagem do jornal O Globo.

 

 

 

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2 Comments

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