Comissão seleciona vencedores do Prêmio Itaú-Unicef

Articulação no território, respeito à diversidade e defesa dos direitos de crianças e adolescentes marcam 13ª edição. Ganhadores serão conhecidos em 27 de novembro

POR JOÃO MARINHO | 14/11/2018

Aconteceu ontem, dia 13, em São Paulo, o encontro da Comissão Julgadora Nacional da 13ª edição do Prêmio Itaú-Unicef. Entre avaliadores, assessores e equipe do Prêmio, cerca de 30 pessoas estiveram presentes no encontro que selecionou os seis projetos vencedores na quarta e última etapa da edição: quatro na categoria OSC em Ação (categoria 1); e dois na categoria Parceria em Ação (categoria 2).

Os 16 avaliadores – convidados entre representantes do terceiro setor e das instituições parceiras do Prêmio – reuniram-se das 9h às 13h no hotel Radisson Paulista em quatro momentos: uma apresentação da edição e dos critérios de avaliação, realizada pela coordenadora, Nazira Arbache; divisão dos avaliadores em grupos por categoria, para análise dos projetos finalistas; realização de plenárias por categoria, para pré-seleção de oito projetos na categoria 1 e quatro na categoria 2; e plenária geral, para a seleção final dos seis vencedores.

Serão distribuídos R$ 1,3 milhão aos vencedores. Na categoria 1, o primeiro colocado recebe R$ 150 mil; o segundo, R$ 140 mil; e o terceiro e quarto recebem, respectivamente, R$ 130 mil e R$ 120 mil. Os valores são direcionados às OSCs (organizações da sociedade civil).

Já na categoria 2, o primeiro colocado recebe R$ 400 mil, sendo R$ 200 mil direcionados à OSC e R$ 200 mil à escola; e o segundo colocado recebe R$ 360 mil, sendo R$ 180 mil direcionados à OSC e R$ 180 mil à escola.

Inovação, articulação e defesa de direitos

Os avaliadores subdividiram-se em duplas ou trios para analisar os 30 projetos finalistas. A definição e colocação dos seis vencedores ocorreram na plenária geral. Foto: João Marinho.

“A importância da premiação neste ano é dar visibilidade, reconhecimento e valorização às OSCs. Além da fundamental importância da escola, que o CENPEC defende, as OSCs têm um papel crucial na garantia de direitos e na proteção e desenvolvimento integral de crianças, adolescentes e jovens, ao trabalharem com populações vulneráveis e excluídas socialmente (…) e valorizarem a questão étnica, dos saberes populares, da diversidade e da inclusão. Nesse sentido, as escolas têm muito a aprender com as OSCs, porque estas conseguem abordar o enfrentamento do preconceito e da violência – atendendo, por exemplo, crianças de diferentes etnias e jovens com diferentes orientações sexuais – de maneira dinâmica, mas também tranquila e acolhedora. Essa articulação e diálogo com o território, que incluem outras organizações, conselhos, universidades e o próprio poder público, chamaram minha atenção entre os projetos vencedores”, diz Anna Helena Altenfelder, presidente do Conselho de Administração do CENPEC.

Avaliador da categoria 2, Ítalo Dutra, chefe de Educação do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), também destacou a articulação realizada pelos projetos: “Temos duas características que podemos ressaltar na categoria. A primeira, uma parceria efetiva entre OSC e unidade escolar tanto na gestão da parceria quanto no currículo da escola, mas especialmente no protagonismo das crianças e adolescentes que transitam entre as duas instituições. A segunda é a questão da educação como um elemento importante para a prevenção da violência; portanto, uma estratégia de enfrentamento à violência social, que tem sido cada vez mais preocupante”.

Para Angela Dannemann, superintendente do Itaú Social, “em toda edição, o Prêmio busca cumprir critérios muito estritos de seleção. Esse ano, tivemos como candidatos projetos incríveis e, a princípio, consideramos que quase todos teriam merecimento de chegar aos primeiros lugares. Entre os que foram selecionados, vou destacar, por um lado, o reforço na questão dos direitos da criança e do adolescente em relação à sua educação plena e desenvolvimento integral e, por outro, metodologias inovadoras que podem ser reescritas em outros locais para servir a um propósito socioeducativo. São as vantagens da edição deste ano”.

 

Conheça os eixos de avaliação do Prêmio Itaú-Unicef

  • Fundamento;
  • Gestão sustentável (da OSC, ou da parceria);
  • Integração entre projeto e território;
  • Força da ação;
  • Resultado;
  • Inovação;
  • Perspectiva inclusiva.

 

Mensagem para a sociedade

Mônica Gardelli Franco, diretora-executiva do CENPEC, discursa durante a plenária geral da comissão. Foto: João Marinho.

Além das perspectivas de defesa dos direitos de crianças e adolescentes e da articulação no e com o território, o trabalho com a diversidade e a inclusão social também foram marcas da 13ª edição do Prêmio Itaú-Unicef, na visão do sociólogo e avaliador Caleb Farias Alves, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS): “Todos os projetos têm características que os trouxeram até aqui e, portanto, correspondem àquilo que o Prêmio esperava: valorização sobretudo da ideia de diversidade e inclusão. Os projetos selecionados apresentam um diferencial no sentido de quanto isso transparece socialmente e o quanto eles carregam em si uma mensagem à nossa sociedade: uma mensagem de inclusão, de diversidade, que tem de ser articulada como um valor social que precisa transcender as OSCs e a relação que as pessoas estabelecem umas com as outras, independentemente de a que grupo social, étnico ou racial pertençam. Precisamos repensar a questão do respeito e da consideração pelo outro no Brasil”.

Também sociólogo, o consultor em desenvolvimento social e institucional Domingos Antônio Armani concorda com Alves: “Há uma mensagem principal nos seis projetos escolhidos, em ambas as categorias, que é importante e poderosa para a sociedade: o valor de tratar todos com respeito e com todos os direitos, na diversidade das pessoas; ou seja, respeitar, acolher e incluir a todos na sua identidade própria e tratar a diversidade como uma riqueza (…), não apenas dentro da instituição ou da escola, mas na comunidade mais próxima, no bairro, no município e sua região e na sociedade como um todo. A sociedade brasileira precisa valorizar mais os direitos humanos, especialmente os das crianças e dos adolescentes, em um ambiente educativo, respeitador e inclusivo que não se restringe às escolas ou entidades”.

A cerimônia de premiação acontece dia 27/11 no Auditório Ibirapuera, em São Paulo, quando os seis vencedores serão conhecidos pelo público. Fazendo jus à mensagem de diversidade e inclusão, além da tradução em Libras, a cerimônia, pela primeira vez, contará com transmissão em vídeo com ferramentas de acessibilidade.

Sobre o Prêmio Itaú-Unicef

O Prêmio Itaú-Unicef é uma iniciativa do Itaú Social e do UNICEF, com coordenação técnica do CENPEC – Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária.

Criado em 1995, em um contexto de mudanças sociais na perspectiva da garantia de direitos – com a promulgação da Constituição Federal Brasileira e do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) –, o Prêmio Itaú-Unicef visa a identificar, estimular e dar visibilidade a projetos realizados por organizações da sociedade civil (OSCs) e escolas públicas que contribuem para garantir o desenvolvimento integral de crianças, adolescentes e jovens brasileiros em situação de vulnerabilidade social.

A 13ª edição recebeu mais de 3,5 mil inscrições de projetos que trabalham pela garantia de direitos de crianças, adolescentes e jovens em todo o País, que foram avaliados por especialistas – representantes das instituições organizadoras e parceiras do Prêmio – das áreas da Educação, Assistência Social, Cultura e Comunicação.

+ Saiba mais no site oficial

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