Bolsonaro e Haddad querem rever a Base Nacional Curricular Comum

Os programas dos candidatos do PSL e do PT preveem adaptações ao documento, aprovado no fim de 2017

O ESTADO DE S. PAULO | 10/10/2018

POR RENATA CAFARDO

Independentemente de quem for eleito presidente da República, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), aprovada em 2017, deve mudar. Os programas de governo de Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) preveem adaptações ao documento, inédito no País, que descreve objetivos de aprendizagem para todos os anos de Educação Infantil e Fundamental. Desde a aprovação, estados, municípios e escolas particulares estão trabalhando para se adaptarem a novas diretrizes.

O programa de Bolsonaro menciona mudanças na BNCC, sem entrar em detalhes, em um contexto de modernização do conteúdo. Em outro trecho, o texto fala que os currículos devem ter “mais Matemática, Ciências e Português, sem doutrinação e sexualização precoce”. Nesta terça-feira, 9, em entrevista à Rádio Jovem Pan, o candidato afirmou que não quer que se aprenda sobre sexo nas escolas.

“Ninguém dá aula de sexo. A questão da sexualidade entra na escola como perspectiva de formação, temos jovens contraindo aids, meninas ficando grávidas. A escola não é só para aprender conteúdo”, diz a professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), Silvia Colello.

A única menção à sexualidade na Base está nas habilidades de Ciências do 8.º ano, quando os adolescentes têm 14 anos. A proposta é que sejam discutidas questões como doenças sexualmente transmissíveis e transformações durante a puberdade com atuação dos hormônios sexuais.

Por outro lado, Haddad também diz querer tirar “imposições obscurantistas” da Base, sem deixar claro ao que se refere. “Nenhuma das duas campanhas conhece a Base em profundidade, é um documento técnico, um guia para dar um salto de qualidade na educação brasileira”, diz o diretor executivo da Fundação Lemann, Denis Mizne. A BNCC começou a ser construída durante o governo de Dilma Rousseff e foi concluída na gestão de Michel Temer.

“Os bons resultados que temos visto em Educação são fruto de continuidade e, por isso, me preocupam as grandes rupturas”, diz a presidente do Conselho de Administração do CENPEC – Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária, Anna Helena Altenfelder, sobre prováveis mudanças na Base.

+ Leia a íntegra da reportagem no site de O Estado de S. Paulo.

 

 

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