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Boletim Educação e Pesquisa 06

 Diferença de atendimento nas escolas de período integral e parcial de ensino médio reflete na crença do jovem no próprio futuro e na relação dele com o saber

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Quando a emenda constitucional nº 59 entrou em vigor, em 2009, tornando o ensino médio a etapa final da educação obrigatória, a ideia era o Estado garantir a todos os jovens o acesso a essa etapa da escolarização. A medida seria, assim, uma das maneiras de o poder público, por meio de suas políticas, garantir oportunidades educacionais para todos, buscando impedir que a posição social de origem fosse determinante na continuidade ou não dos estudos – condição diretamente ligada às perspectivas e possibilidades de futuro pessoal e profissional.

Contudo, a pesquisa “Políticas para o ensino médio: o caso de quatro estados (Ceará, Pernambuco, Goiás e São Paulo)”, realizada entre 2015 e 2016 pelo Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), com o apoio da Fundação Tide Setubal, constatou que está aumentando a distância entre os jovens de grupos sociais distintos não somente no nível da aprendizagem, mas também na relação do jovem com a escola e o saber. E algumas das causas dessa disparidade são o tratamento e as oportunidades diferenciadas oferecidas nos diversos tipos de matrícula – no caso estudado, a oferta concomitante de ensino integral e parcial, com os alunos da escola em tempo integral tendo mais vantagens sobre os demais.

A investigação pediu que jovens respondessem a perguntas que permitiram conhecer melhor suas expectativas, seus desafios e a relação que estabelecem com a escola e o saber. Foram 669 questionários, preenchidos por alunos de 24 escolas públicas estaduais de 17 municípios – seis escolas em cada um dos estados estudados, com prioridade para as unidades localizadas em territórios com maior vulnerabilidade socioeconômica. A amostra contempla estudantes das periferias de regiões metropolitanas e de municípios de médio e de pequeno porte – este último com alto índice de ruralidade –, marcados por um contexto de desigualdade social. Para mais informações, acesse o artigo “Juventude(s) e ensino médio: relação dos estudantes com a escola, o saber e as expectativas de futuro em territórios de vulnerabilidade social”, de Freitas et al., publicado nos Cadernos Cenpec.

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