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Correio Braziliense: Pesquisa revela desigualdade entre tempo integral e parcial de ensino

Correio Braziliense: Pesquisa revela desigualdade entre tempo integral e parcial de ensino

Na manhã desta quarta-feira (8/8), o documento foi apresentado no Conselho Nacional de Educação.

Deborah Fortuna – Especial para o Correio

19/04/2018. Crédito: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press. Brasil. Brasília - DF. 35 anos do colégio Sigma. Alunos em sala de aula.

19/04/2018. Crédito: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press. Brasil. Brasília – DF. 35 anos do colégio Sigma. Alunos em sala de aula.

Até 10 de setembro, Conselho Nacional de Educação (CNE) ouvirá pesquisadores e instituições para discutir formas de diminuir a evasão escolar do Ensino Médio, e como tornar essa fase mais atrativa para os alunos. Na manhã desta quarta-feira (8/8), o Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (CENPEC) divulgou os resultados de pesquisas que tratam sobre o método do tempo integral e parcial nas escolas.

Para analisar as políticas de Ensino Médio, a pesquisa estudou instituições de quatro estados — Ceará, Pernambuco, Goiás e São Paulo —, que contém políticas educacionais semelhantes. O estudo analisou o impacto positivo da educação em tempo integral, mas destacou também a desigualdade entre os grupos sociais.

“Os alunos com maior recurso social, cultural, socioeconômico, tendem a estudar nas escolas de tempo integral. Em oposição àqueles alunos com recursos menores, que tem vulnerabilidade social e econômica, que tendem a estudar em escolas parciais”, explicou a educadora do CENPEC e presidente do Conselho de Administração, Anna Helena Altenfelder.

 

 

Um dos motivos para que haja a diferença social é pela pequena oferta de tempo integral. “A oferta não é para todos, em alguns estados existe uma seleção para a entrada nessas escolas, sabemos que isso existe. E aqueles estados em que não tem seleção, a oferta é menor do que o tempo parcial”, afirmou Anna Helena.

Além disso, as famílias e alunos são menos informadas dos funcionamentos das de tempo integral. “Com essa dupla rede, tempo integral e tempo parcial, ela acaba sendo destinada aos jovens mais favorecidos e outros aos jovens menos favorecidos. E isso acaba acirrando a desigualdade. E é importante dizer que há uma naturalização das desigualdades no Brasil”, completou a educadora.

Para a coordenadora de Desenvolvimento de Pesquisa Joana Buarque de Gusmão, o tempo integral pode ser um método de combater a desigualdade, mas enquanto existir essa dupla rede de ensino, isso não será possível. “Mesmo quando a gente compara os alunos de mesmo nível socioeconômico, ainda assim, os resultados são melhores para alunos de escola e tempo integral. Mas isso não é para todos”, disse Joana.

Já para Mônica Gardelli, superintendente do Cenpec, a ideia é universalizar esse ensino. “Olhar para a educação de tempo parcial para garantir a qualidade, mas não podemos fazer isso, os governantes, planejadores de políticas terem como atenção essa população que já é desassistida naturalmente”, avaliou.

Encontros
Para discutir estratégias de melhorias, o CNE está ouvindo diferentes grupos para a reforma do Ensino Médio. As oitivas seguem até 10 de dezembro. A partir daí, o Conselho fará fazer uma síntese do que ouviu, sistematizar as próprias contribuições e encaminhar ao Ministério da Educação (MEC).

“Temos que debater como deixar a escola interessante. É discutir mesmo, com profundidade de temas, o que aqueles alunos que estão ali, exigem. No entanto, tornar a escola mais interessante é também oferecer uma direção aos alunos. A reforma está baseada nesses dois princípios: uma formação básica comum e o itinerário”, comentou o conselheiro do CNE, Francisco Soares.

O “itinerário” a qual Soares se refere é sobre o caminho que o aluno deve percorrer para ter um futuro profissional. Ele ressaltou que muitos não vão para a universidade, e, por isso, é importante conhecer o perfil e as necessidades de cada um. “Um dos nossos problemas são aqueles que saem do Ensino Médio e não aprenderam nada. Conectar com o aluno é dar a chance para ele de formação técnica. Mas também não é obrigá-lo a estudar algo que não tem mais sentido para ele”, completou o conselheiro.

 

Fonte: Correio Braziliense

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