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Ceará: avanço na alfabetização e na equidade

Ceará: avanço na alfabetização e na equidade

O POVO | 04/06/18

POR JOANA BUARQUE DE GUSMÃO*

Após aprovação da Base Nacional Comum Curricular, estados e municípios estão agora empenhados na sua implementação, com o desafio de efetivar o direito à alfabetização até o final do 2º ano do Ensino Fundamental. A meta é audaciosa, mas possível. É o que demonstra política pública cearense que apoia municípios nos primeiros anos do Ensino Fundamental e na expansão da Educação Infantil.

Pesquisa realizada pelo CENPEC mostra que o PAIC (Pacto pela Alfabetização na Idade Certa) contribuiu para a melhoria da equidade no estado. O resultado foi observado a partir da análise do desempenho em leitura, na Prova Brasil de 2011, dos alunos do 5º ano do Ensino Fundamental, que já foram impactados pelo PAIC desde 2007, ano em que a política foi universalizada no estado. Verificou-se avanços nos indicadores educacionais em todas as classes econômicas, sobretudo nas escolas que atendem os mais pobres.

Até 2005, o Ceará acompanhava a trajetória da região Nordeste, que historicamente apresenta indicadores educacionais menores que os do restante do país. Porém, a partir de 2007, com o apoio à gestão educacional nos municípios, avaliação externa, formação de professores alfabetizadores, formação de leitores e políticas para a Educação Infantil, a média do estado passou a se descolar da média regional e, em 2013, quase alcançou a nacional, crescendo 26% até 2013. Nesse mesmo período, a média nordestina subiu 16% e a brasileira, 13%.

Assegurar o direito à alfabetização não é trivial. Em 2016, a última ANA (Avaliação Nacional de Alfabetização), indica que dos mais de 2 milhões de alunos do 3º ano do Ensino Fundamental das escolas públicas, mais da metade obteve desempenho insuficiente em leitura e matemática. É preciso considerar ainda que, em educação, não há soluções únicas, mas o modelo de política cearense pode servir de inspiração para o trabalho de outras redes de ensino.

Assim, alfabetizar todos até o final do 2º ano demandará sólidas políticas públicas, mas o Ceará mostra que a meta é factível. Afinal, o letramento é um dos fatores que impactam na participação dos indivíduos na sociedade e no mercado de trabalho.

* JOANA BUARQUE DE GUSMÃO é pesquisadora do CENPEC

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