Opinião: Qualidade da escola é tão diversa quanto famílias e jovens

Opinião: Qualidade da escola é tão diversa quanto famílias e jovens

CORREIO BRAZILIENSE | 22/10/2017

POR LILIAN KELIAN*

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Escolher uma escola para um(a) adolescente não é uma tarefa simples, pois envolve a consideração de inúmeros aspectos. Se olharmos para nossas próprias experiências na adolescência, nos daremos conta da importância delas para formar quem somos atualmente.

Estamos sempre em busca da melhor qualidade de ensino para nossos filhos. A dificuldade está em sabermos traduzir o que é qualidade para cada um de nós. Em geral, quando falamos em boa educação, pensamos nas bem reputadas escolas privadas. Mas a primeira coisa a se considerar é que a educação pública é um direito constitucional e que a escola privada nem sempre é a melhor opção.

Tendo como critério o desempenho dos estudantes em português e matemática, há estudos que mostram que educação privada é, em média, apenas um pouco melhor do que a pública. E essa diferença é explicada por muitos pesquisadores pelo fato de que as famílias que podem optar pela escola privada já dispõem de melhores condições para apoiar o desenvolvimento de seus filhos e filhas. Além disso, quando recorremos aos estudos, estamos falando de médias. Por isso, esse dado, sozinho, não vai ajudar.

Há outros aspectos a considerar além do desempenho das escolas – que você pode conhecer buscando seus resultados no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) e no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). Se o objetivo da educação, de acordo com a Constituição, é “o pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”, que outros aspectos levar em conta na hora da escolha?

É fundamental que pais e adolescentes conheçam a escola e seu projeto político-pedagógico, visitem as instalações, conversem com a direção, com outros alunos e perguntem sobre a existência de canais constantes de diálogo, como associação de pais e mestres, conselho escolar, grêmios, etc. e de projetos especiais que mobilizem interesses e saberes juvenis ou desenvolvam sua expressão no campo das artes, da cultura ou da política.

Com a aprovação da reforma do ensino médio, surgem mais dúvidas e questões a se considerar. Ainda não há clareza se todas as escolas oferecerão todos os percursos formativos, nem sobre as possibilidades de mudar de um para outro ao longo do caminho, pois a reforma ainda depende da aprovação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do Ensino Médio e da definição do processo de implementação pelos estados. Por isso, os calendários mais otimistas preveem que as mudanças cheguem às escolas apenas em 2019. Até lá, é preciso estar atento e acompanhar de perto a situação no seu estado.

Não existe uma resposta universal e a singularidade do (a) estudante também conta. Uma escola em tempo integral pode ser interessante? Ou uma escola profissionalizante? O estudante pretende estagiar ou trabalhar? O importante é que o (a) adolescente possa participar da decisão, tendo em vista os caminhos que vislumbra para seu futuro. Afinal, se há algum consenso na área de educação, é o de que aprendemos melhor quando felizes.

LILIAN KELIAN é historiadora e técnica do núcleo de juventude do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec).

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