Identidade, inovação, território e cidades educadoras são destaques no 2º Seminário Internacional de Educação Integral

Identidade, inovação, território e cidades educadoras são destaques no 2º Seminário Internacional de Educação Integral

via PLATAFORMA EDUCAÇÃO & PARTICIPAÇÃO

 

 

Quinze práticas pedagógicas, dois dias de trabalhos, sete debates e palestras e mais de 300 participantes. Os números do 2º Seminário Internacional de Educação Integral (Siei) impressionam, especialmente considerando a necessidade de uma reflexão coletiva em um momento em que a crise econômica acena com cortes de verbas e a educação se encontra no centro de debates polêmicos.

Com o objetivo de criar um diálogo que contribua com o direcionamento de práticas e políticas públicas de educação integral que considerem o território como espaço educativo, o Siei já contou com nove edições realizadas no México e uma no Brasil.

A edição brasileira de 2016 ocorreu nos últimos dias 19 e 20 de outubro, no Sesc Consolação, e foi realizada pela Fundação SM e pela Fundação Itaú Social, com o apoio da Fundação Roberto Marinho – responsável pela transmissão ao vivo replicada aqui, na plataforma Educação&Participação –, do Centro de Referências de Educação Integral, do Cenpec e do próprio Sesc-SP. O tema deste ano foi Educação Integral e Cidade Educadora: Inovação e Equidade na Educação.

 

Resgate histórico e experiências concretas

img_20161019_101525O primeiro dia do Seminário, 19 de outubro, foi marcado por dois debates na parte da manhã. Do primeiro, intitulado A Educação e a República no Brasil, participaram Lilia Moritz Schwarcz, professora do Departamento de Antropologia da Universidade de São Paulo (USP); e Heloísa Starling, professora titular de História do Brasil da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A mediação foi feita por Maria do Pilar Lacerda, diretora da Fundação SM.

O enfoque dado por Schwarcz foi histórico, com uma visão crítica sobre o desenvolvimento da sociedade brasileira e a suposta integração entre as etnias branca, indígena e negra – na verdade, uma relação tensa, marcada não apenas pela escravidão e pelas desigualdades sociais, mas também pelo extermínio de populações inteiras.

“O Brasil continua um campeão de desigualdade social: quais são os impactos para a educação? Educar é escolher, mas educar é sobretudo oferecer.”

(Lilia Schwarcz)

Com efeito, segundo a especialista, também o acesso à educação tem sido marcado por desigualdades no país, uma realidade que precisa ser levada em conta no momento de se propor estratégias e políticas públicas, inclusive de educação integral.

Heloísa Starling, por sua vez, prosseguiu em sua fala até o momento republicano e ao contexto atual, em que se radicalizam posicionamentos políticos sobre o conceito de “república”. A professora partiu do filósofo romano Cícero e chegou até o registro da primeira utilização do termo no Brasil, que ocorreu em Palmares (PE).

Para Starling, é possível traçar um paralelo entre os fatores que resultaram na derrocada da república romana e a crise republicana pela qual hoje passa o Brasil. “Todo mundo no Brasil hoje utiliza a palavra ‘república’, mas […] estamos perdendo a força dessa palavra. A república pode recomeçar em nós”, concluiu a professora, ressaltando a necessidade de cultivar valores como amizade, compaixão, solidariedade e tolerância.

“Por que é tão difícil garantir que meninos e meninas entrem na escola, aprendam na escola e permaneçam na escola? E quem evade primeiro? O menino negro, de periferia e pobre, segundo pesquisa do Unicef. Depois, perdemos as meninas, que engravidam precocemente. Parecem coisas tão óbvias… E, no entanto, por que é tão difícil exercer os valores da república na escola?”

(Maria do Pilar Lacerda)

Na sequência, Anna Helena Altenfelder, superintendente do Cenpec, continuou o resgate histórico, dessa vez destacando os principais marcos e dados sobre matrículas de educação integral no Brasil, recolhidos pelo Cenpec junto às secretarias de Estado da Educação. A superintendente destacou, ainda, pontos que necessitam de aprofundamento no diálogo sobre educação integral no país:

  • Tensão entre o ensino propedêutico e profissionalizante.
  • Pertinência de uma carga horária elevada.
  • Articulação entre o núcleo comum e a parte diversificada.
  • Investigação sobre como a formação cidadã é contemplada nas propostas.
  • Políticas estaduais e articulação com organizações locais.
  • Questões de infraestrutura, considerando o necessário e o possível.
  • A relevância dos programas indutores e de seus insumos técnico-financeiros para a garantia da equidade.

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Com ela, participaram, no debate Políticas Públicas no âmbito da Educação Integral: Grace Luciana Pereira, secretária municipal de Educação de São Bernardo do Campo (SP); Paulo Dutra, da Secretaria de Educação de Pernambuco; Macaé Maria Evaristo dos Santos, secretária de Educação do estado de Minas Gerais; Maria Alice Setubal, presidente do Conselho de Administração do Cenpec; e Daniel Cara, coordenador geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação.

“Educação é de longo prazo. A continuidade das políticas é fundamental.”

(Maria Alice Setubal)

img_20161019_123027Grace Pereira, Paulo Dutra e Macaé Evaristo demonstraram os resultados e fundamentos das três experiências de educação integral em que estiveram envolvidos: respectivamente, São Bernardo do Campo (SP), município que, com o Programa Tempo de Escola, já bateu a meta de 25% dos alunos e 50% das escolas no regime de educação integral; Pernambuco, que tem hoje mais de 131 mil estudantes do Ensino Médio em educação integral e é o único estado da federação com pelo menos uma escola em regime de educação integral em todos os municípios; e Minas Gerais, que tem apostado na escuta com dos jovens para a implantação de um currículo integrado e ensaiado redesenhos no Ensino Médio noturno, por meio da disciplina Diversidade, Inclusão e Mundo do Trabalho, em que três professores orientam, ao mesmo tempo, um coletivo de estudantes, visando a estimular a pesquisa e a extensão.

As experiências foram, então, comentadas por Maria Alice Setubal e Daniel Cara, que também analisaram o contexto político atual. Cara, em especial, falou sobre o impacto da PEC 241 e da MP 746 e comentou sobre o recente movimento secundarista de ocupação das escolas. “Temos agora duas tensões no que diz respeito à educação integral: a PEC 241, que congela os gastos do governo; e a MP 746, sobre a reforma do Ensino Médio, com três efeitos preocupantes, além da possível exclusão de disciplinas: concentra recursos nos governos estaduais, por meio de alteração na Lei do Fundeb, em detrimento do Ensino Fundamental e da Educação Infantil, que são atribuições municipais; concentra recursos numa modalidade de educação integral no Ensino Médio que é ‘flexível mas inflexível’, porque a flexibilidade se limita à escolha de um determinado itinerário; e desconstitui a educação profissional, incentivando um processo de privatização […]. A esperança que vejo na mudança desse cenário é fortalecer o movimento de ocupação dos jovens”, opinou o especialista.

“As escutas com os jovens demonstraram que eles desejam formações em áreas como educomunicação, teatro, cinema, agricultura ligada à matemática, para permanecerem e intervirem nos territórios onde vivem […]. É preciso ampliar o tempo, mas é preciso também uma nova organização do trabalho escolar. Para o Ensino Médio, precisamos trabalhar para a pesquisa associada à Educação Básica.”

(Macaé Evaristo)

 

Práticas pedagógicas

Na parte da tarde, a transmissão on-line foi interrompida e os participantes dividiram-se em grupos para as práticas pedagógicas: espécies de experimentações, ou oficinas, com o objetivo de mostrar aos docentes e gestores como a perspectiva da educação integral, em diálogo com as oportunidades do território, podem acontecer na prática cotidiana das escolas e organizações da sociedade civil (OSCs).
 
Foram ao todo 15 práticas, que ocorreram em locais no entorno do Sesc Consolação e se iniciaram com a atividade Contação de Histórias Inclusiva. Confira o resumo das demais.
 

A cidade, o mapa e a lupa: cartografia no território como prática pedagógica

A prática pedagógica realizada pelo Cenpec, com a proposta de exploração da cartografia e sob coordenação de Rayssa Fleury, foi tema de cobertura da plataforma Educação&Participação. Confira aqui.

 

 

Ampliando os sentidos na cidade – Circuito de aprendizagem

Os participantes foram convidados a realizar um circuito investigativo sobre a diversidade da praça Roosevelt, na região central de São Paulo. Cada dupla ou trio recebeu uma lista de provocações investigativas, entre as quais deveria escolher pelo menos uma para realizar. Ao final, foram feitos um mapa coletivo da praça e um debate sobre a diversidade de pessoas, atividades, ambientes e situações presentes no local em termos de estratégias de ensino, aprendizagem na cidade e intencionalidade educativa.

O que vemos quando lemos?img_0755

A oficina explorou estratégias de leitura em linguagens verbais e não verbais, com uma discussão sobre a importância de ler nas múltiplas linguagens. Em um segundo momento, duplas exploraram e fotografaram elementos diversos da praça Rotary, em São Paulo, a fim de ampliarem a sensibilidade frente ao potencial educativo do espaço urbano.

Caminhada pelos patrimônios/literária

Conduzida pelo Hey Sampa, essa atividade foi realizada pelo centro da cidade de São Paulo, para identificar lugares históricos e entender como um simples passeio pode se tornar um espaço/forma de aprendizagem. Os participantes também discutiram sobre a interação entre escolas e equipamentos públicos, como museus.

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Dona Veridiana

Um percurso de dois quilômetros no bairro de Higienópolis contou a história da região e as curiosidades turísticas, com seus potenciais educativos, na figura de dona Veridiana, uma das moradoras mais ilustres do bairro. Uma atriz trajada como Veridiana tornou a prática lúdica e inspirou os participantes a abordar personagens históricos em suas organizações ou escolas.

 

História da história do lugar

Uma caminhada com um guia turístico e um desenhista apresentou as possibilidades de trabalho com a história da região no entorno do Sesc Consolação. Entre os suportes, desenhos feitos na hora, áudios, textos, imagens e fotografias antigas. Ao final, os participantes receberam a narrativa preparada pelo guia educador e ilustrada pelo desenhista, como uma HQ.

Dê asas ao protagonismo infantojuvenil

A prática pedagógica trabalhou com a ideia de que o envolvimento ativo dos jovens contribui para qualificar os processos educacionais, a partir da inspiração trazida pelo projeto Criativos da Escola, do Instituto Alana. Foram construídos varais, um para as coisas nas cidades que nos fazem felizes e outro para coisas que nos fazem tristes. Em grupos, os participantes prototiparam ideias de soluções e depois as compartilharam em uma roda de conversa.

O que faz o seu olho brilhar? Circuitos elétricos em papelimg_00981

Para o Instituto Catalisador, proponente dessa prática, a escola que faz os olhos de uma criança brilharem é aquela que estimula a criação, a investigação e a experimentação, possibilitando, ao mesmo tempo que as individualidades de cada sujeito possam aparecer e serem acolhidas. Os participantes foram desafiados a construir pequenos circuitos elétricos para tanto abordar a criatividade e experimentação quanto para trazer uma experiência concreta que pode ser utilizada no trabalho com crianças, adolescentes e jovens.

Tertúlias pedagógicas

Os participantes tiveram contato com os conceitos, princípios e processos de uma tertúlia dialógica. Em seguida, realizaram uma tertúlia dialógica a partir da leitura de um trecho da obra de Paulo Freire, seguida de um debate sobre a estratégia.

Esporte educacional: protagonismo juvenil e competências para a vida

A oficina consistiu na apresentação da metodologia Futebol de 3 Tempos, desenvolvida pelo Centro Integrado de Estudos e Programas de Desenvolvimento Sustentável (Cieds), parceiro do Programa Jovens Urbanos, no Rio de Janeiro (RJ). Durante a vivência, os participantes elaboraram as regras do jogo e jogaram uma breve partida de acordo com as regras pré-estabelecidas pelo grupo.

Faz Sentido, educação conectada à adolescência – Produção de vídeos

Realizada na Ação Educativa, na rua General Jardim, e conduzida pelo projeto Faz Sentido, os objetivos da atividade foram ensinar como se cria um canal no YouTube e discutir a aplicação e potencialidade dessa ferramenta enquanto prática pedagógica, além de debater a tecnologia e a internet como aliadas nos processos de aprendizagem.

Stop It! Um Game com Arduino

Antoanne Pontes demonstrou sua oficina de Arduino, uma plataforma de prototipação eletrônica de baixo custo, que desenvolve com estudantes do Ensino Médio no Núcleo Avançado em Educação (Nave). De forma lúdica, os participantes construíram o jogo Stop It!, com acesso a conceitos de programação, robótica, design de games e elétrica.

Grupos interativos

A estratégia dos grupos interativos para a educação integral foi apresentada nesta atividade por meio do projeto Comunidades de aprendizagem e seu objetivo de aproximar escola e comunidade. A discussão seguiu ao serem abordados agrupamentos de alunos e práticas possíveis para promover a integração e a aprendizagem entre educadores e educandos.

Aula inclusiva de Educação Física

A atividade convidou os participantes a repensarem as práticas pedagógicas da disciplina de Educação Física a partir de uma diretriz inclusiva. A formação contemplou dois momentos, um teórico, em que os educadores participantes se alinharam a conceitos como “pessoa com deficiência” e “educação inclusiva” e um prático, em que foram convidados a planejar uma atividade inclusiva.

 


 

Espaço público: possibilidade de encontro do espaço comum

O segundo dia do Siei, em 20 de outubro, iniciou-se com uma palestra de Maria Antonia Goulart –, cofundadora do Movimento Down e fundadora do Espaço Colaborativo Ponto Comum e do Lab Comum – e outros quatro debates.

Na palestra Práticas Educativas na Educação Integral: análise da experiência, Goulart fez uma análise das práticas pedagógicas realizadas pelos participantes na tarde do dia anterior, discursou sobre a necessidade de empoderar os educandos e adaptou para a educação integral o conceito arquitetônico de desenho universal: do planejamento ao início, da prática ao término, é necessário pensar em atividades inclusivas, que respeitem as singularidades de todos os participantes, defendeu a especialista.

“Quanto mais empoderamos os estudantes para que eles construam estratégias de mediação uns com os outros, mais o professor assume o papel de mediador do que de transmissor do conhecimento.”

(Maria Antonia Goulart)

Na sequência, Maria Alice Setubal e o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, discursaram no debate Reflexões sobre a cidade como território educativo. Ao longo da conversa, foi ressaltado o tema do Seminário, sobre Cidade Educadora, e a necessidade de transpor os muros das escolas para ampliar a oferta de diferentes aprendizagens para o maior número de crianças, adolescentes e jovens, em uma perspectiva de equidade.

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Enquanto Maria Alice ressaltou a experiência da Fundação Tide Setubal na região de São Miguel Paulista, zona leste de São Paulo, Haddad falou da importância de envolver educadores e sociedade nas discussões sobre estratégias de educação integral e reformas educacionais, de forma ampla e democrática.

“Não existe reforma educacional sem o envolvimento dos educadores. Se não houver engajamento, envolvimento, não temos condições de avançar.”

(Fernando Haddad)

 

Mundo das inovações

img_20161020_131338Com mediação de Angela Dannemann, superintendente da Fundação Itaú Social, o debate O alcance das inovações e sua efetividade para a transformação da educação contou com a participação de Helena Singer, diretora de Ações Estratégicas e Inovação do Departamento Nacional do Sesc; Anna Penido, diretora do Instituto Inspirare; Álvaro Marchesi, catedrático de Psicologia Evolutiva e de Educação da Universidade Complutense de Madri; e Lucia Dellagnelo, diretora presidente do Centro de Inovação para a Educação Brasileira (Cieb).

Os debatedores falaram sobre inovações nos campos social e tecnológico e seu impacto para a educação integral, além da aplicação como estratégias de aprendizagem e práticas pedagógicas.

Lucia Dellagnelo e Álvaro Marchesi, em especial, chamaram a atenção para a necessidade de investir na formação e no bem-estar dos educadores. “Queremos que o professor se transforme rapidamente, mas não o preparamos para essas novas funções”, disse Dellagnelo.  “É necessário que os poderes públicos tenham em conta o apoio aos professores, as condições de trabalho dos professores, a inovação feita pelos professores, o tempo de reflexão dos professores, a subjetividade dos professores. Os professores deveriam ser o foco: se o professor está satisfeito, o aluno também fica satisfeito”, completou Marchesi.

Anna Penido, por sua vez, destacou os resultados da pesquisa Nossa escola em (re)construção, realizada com 132 mil jovens de 13 a 21 anos de idade e que, entre outros dados, apontou para a defesa de uma maior participação dos alunos, aumento do acesso à tecnologia, mais personalização e flexibilização, saídas e passeios e incremento de áreas verdes.

Conceitos do mundo da inovação para educação:

  • Flexibilidade de espaços
  • Mentalidade (confiança criativa)
  • Atitudes/novos papéis
  • Foco no usuário
  • Prototipagem em ciclos curtos
  • Colaboração/processo criativo
  • Ecossistema

“A escola inovadora é democrática, inclusiva, integrada e sustentável.”

(Helena Singer)

 

Educadores, famílias e identidades

Os dois últimos debates do Seminário foram:

img_20161020_151557Teoria e Prática docente na perspectiva da Educação Integral: compromisso com a equidade, com Aníbal Bubu Ramos, diretor do Instituto Departamental de Educación Básica Indígena Comunitaria (Idebic), de Florida, Colômbia; Samira Zaidan, professora da Faculdade de Educação da UFMG; Antonio Carlos Ronca, mestre e doutor em Educação – Psicologia da Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP); e mediação de Aparecida Lacerda, gerente-geral de Educação Profissional da Fundação Roberto Marinho.

 

Educação Integral: concepções e identidades na escola, com Rogério Junqueira, pesquisador do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep); Macaé Evaristo; Luiza Coppieters, professora de Filosofia e integrante do Conselho Municipal de Políticas LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) de São Paulo; Flávia Oliveira, colunista do jornal O Globo; e mediação de Natacha Costa, diretora do Centro de Referências de Educação Integral.

Os debates centraram-se em experiências de práticas docentes na perspectiva da educação integral e na discussão sobre racismo, machismo, homofobia, transfobia e as diferentes identidades e singularidades presentes na escola.

Nesse sentido, Samira Zaidan destacou a importância de considerar os educandos como sujeitos socioculturais e de direitos, considerar o conhecimento científico-escolar como socialmente construído e preocupar-se com as condições materiais e a infraestrutura – e relatou as experiências com os programas Licenciatura em Educação do Campo (LECampo) e Formação Intercultural de Educadores Indígenas (Fiei) da UFMG.

Ramos, por sua vez, destacou experiências indígenas de Educação Básica na em Florida, Colômbia, que dialogam exatamente com a ideia de empoderamento, além do projeto de se criar uma universidade indígena no território, enquanto Antonio Carlos Ronca destacou avanços e desafios da educação integral no Brasil e a importância do diálogo com as famílias para a prática docente.

“Atreva-se a sonhar. Se nós, professores, motivamos os estudantes, tudo poderá ser diferente.”

(Aníbal Bubu Ramos)

Na sequência, Junqueira, Macaé Evaristo, Luiza Coppieters e Flávia Oliveira discursaram sobre os desafios da integração de minorias políticas nas escolas e a necessidade de empoderamento dessa população, visando à oferta de uma educação integral com equidade, democracia e respeito às diferenças, bem como iniciativas de coletivos que têm ampliado essa discussão, cujas contribuições podem ser assimiladas ao debate sobre educação integral, como é o caso dos grupos da “geração tombamento”.

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“A escola tem um partido, mas é o partido da heteronorma, o partido da branquitude – e nós temos de discutir isso. A propaganda é tão poderosa que você age sem percebê-la: é a norma que recebe propaganda.”

(Rogério Junqueira)

Para acessar a publicação original, clique aqui. 

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