Contra possível “reorganização branda”, estudantes prometem novas mobilizações

Contra possível “reorganização branda”, estudantes prometem novas mobilizações

Apesar de suspender a reorganização da rede estadual de ensino, em resposta à intensa mobilização dos estudantes secundaristas realizada no final de 2015, o governo do estado de SP está sendo acusado de promover uma “reorganização silenciosa”. Com o início das aulas nesta semana em 15 de fevereiro, pais e alunos foram surpreendidos por uma série de mudanças: turmas fechadas, horário de escolas alterados,  estudantes transferidos e salas de aula super lotadas.

Na escola Fernão Dias, por exemplo, de acordo com reportagem do Jornal Folha de SP, um grupo de 30 alunos do último ano do ensino médio ao chegar para ter suas aulas no período da manhã, foi surpreendido ao descobrir que haviam sido transferidos para o período noturno.

A Secretaria de Educação do Estado nega a reorganização branda, mas admite o problema de comunicação. Afirma porém, que tais ajustes fazem parte de um “processo natural da rede”.

Segundo o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), nos primeiros 43 dias de 2016 foram fechadas 1.403 salas de aula no estado.

Em janeiro, a Secretaria de Educação publicou um decreto que permite um excedente de 10% em relação à quantidade máxima de estudantes em cada turma. No ensino médio, o teto saltou de 40 para 44; no caso dos anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano), o número foi de 35 para 38, e de 30 para 33 nas classes iniciais (1º ao 5º ano). As regras anteriores estavam em vigência desde 2008. A resolução prevê que o acréscimo só pode acontecer em casos excepcionais e precisa ser justificado.

Em outubro de 2015, após o Governo do Estado anunciar a reorganização da rede estadual, estudantes secundaristas de todo o estado iniciaram um movimento de ocupação das escolas em defesa da educação pública. Mais de 200 escolas foram ocupadas e diversas manifestações foram realizadas nas ruas da capital paulista. Saiba como foram as mobilizações no especial do Cenpec.

Agora,  os estudantes preparam mais uma onda de mobilizações contra as medidas da Secretaria de Educação e também para cobrar apuração do esquema de corrupção na merenda das escolas, no qual o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Fernando Capez (PSDB), estaria envolvido. Entre as ações estão previstas manifestações e paralisação das aulas nas escolas e uma ação na Assembleia Legislativa, para cobrar a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o esquema da merenda.

“Vamos paralisar nossas escolas, fazer trancaços nas principais avenidas de todas as cidades e exigir respostas sobre os desvios na merenda, o fechamento de salas de aula e a redução no horário de aulas de algumas escolas”, afirmou Angela Meyer da União Paulista dos Estudantes Secundaristas, em entrevista para a Rede Brasil Atual.

 

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