Cenpec participa de vivência comunitária na periferia da zona sul de São Paulo

Cenpec participa de vivência comunitária na periferia da zona sul de São Paulo

As tecnologias sociais criadas nas periferias de todo o país vem criando uma forma autônoma de organização protagonizada, pelos jovens e mulheres destes territórios. Para conhecer e fortalecer a articulação com estas experiências, o Cenpec participou da vivência comunitária Roteiros Culturais e Percursos Formativos, organizada pela Agência Popular Solano Trindade e o Banco Comunitário União Sampaio

Durante todo o dia de 23 de fevereiro, um grupo de aproximadamente 25 pessoas entre pesquisadores, produtores culturais e representantes de organizações sociais, estiveram nos bairros do Campo Limpo, Capão Redondo e Jardim São Luiz, localizados na zona sul de São Paulo, para vivenciar como vivem e se organizam os moradores destes territórios, com suas conquistas, problemas e inovações.

A região da zona sul de São Paulo possui um intenso histórico de mobilizações sociais que começou quando a região começou a ser ocupada ainda na década de 1970. O coordenador da Agência Solano Trindade, Thiago Vinicíus, contou um pouco da história destas lutas, como as do sindicalista Santo Dias e da União Popular de Mulheres, e as conquistas que vieram destas mobilizações, como a construção de escolas e creches para as crianças. Para ele, o que acontece hoje no território é a “hereditariedade das lutas”, pois a juventude, articulada com as novas tecnologias de informação, dão continuidade a este caminho de protagonismo em transformar a comunidade e buscar novos caminhos. Um exemplo disso são os saraus culturais, que têm transformado a periferia da cidade de São Paulo.

Os participantes da vivência puderam percorrer os becos e vielas do bairro Maria Sampaio, na região do Campo Limpo e conversar com seus moradores, que relataram problemas como as constantes enchentes e o lixo acumulado. Também conheceram o trabalho de comerciantes locais que utilizam o Sampaio, moeda social criada pelo Banco Comunitário União Sampaio,  que é dado como crédito para a comunidade, que pode utilizar a moeda nos estabelecimentos comerciais cadastrados do bairro, estimulando a economia local. O Banco Comunitário também concede o crédito produtivo para que empreendedores locais possam investir em seus comércios.  Foi o caso de Sr Silvestre, que ao ter um grande supermercado inaugurado bem ao lado de seu açougue, solicitou um crédito produtivo para reformar seu açougue. Ao mesmo tempo, começou a aceitar o Sampaio e viu seu movimento crescer em 20%. “Ao conceder estes créditos a gente traz para perto as pessoas da comunidade que tem a possibilidade de conhecer outros projetos como nossas ações culturais e veem uma maneira de, muitas vezes, sair de uma situação crítica, como as mulheres que sofrem violência e que são dependentes financeiramente de seus companheiros. Usar as tecnologias sociais do Banco Comunitário, fazem com que elas possam iniciar uma nova fase de suas vidas”, afirmou Thiago.

A Agência Solano Trindade também fomenta e assessora os artistas da região, viabilizando as produções artísticas da chamada “quebrada”. “As ações culturais transformaram drasticamente a região, fortalecendo a cultura de paz, o espírito em rede, a ideologia da luta e o sentimento de pertencimento”, destacou Thiago.

A vivência comunitária terminou em grande estilo: no Sarau da Cooperifa, pioneiro na região sul de São Paulo e que através da poesia e da leitura, transformou a vida de muitas pessoas da comunidade.

Crédito das Imagens: Luis Fernando Cardoso/ATADOS

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